Nicarágua, país de lagos e vulcões

Sempre quis ir à Nicarágua, o maior país da América Central, mas era difícil incluir esse país em algum roteiro, assim como ainda não fui a El Salvador, o único da América Central que ainda não visitei. Certa vez, indo pra Guatemala, o avião fez uma escala em Manágua e fiquei consternado com a pobreza da cidade vista de cima, pois o terremoto de 1972, com a magnitude de 6,2, destruiu quase completamente a capital, Manágua. Quando passei por lá, o que vi foram milhares de casas rudimentares, com teto de folha de zinco, comuns em nossas favelas. Em 2014, houve um segundo terremoto com a mesma intensidade na Nicarágua, mas com menos destruição. Hoje, a Nicarágua é um país que cresce para o turismo. Os norte-americanos, que, durante muitos anos, foram impedidos de ir a esse país, estão adorando fazer turismo por lá, por suas belezas naturais, sua paralisação no tempo. A Nicarágua,depois que foi tomada pela revolução sandinista, em 1979, se alinhou com a URSS,seguindo Cuba, até que ela se desintegrou, no início da década de 1990. Desde 2007, o ex-guerrilheiro Daniel Ortega é o Presidente da Nicarágua e o culto a ele se assemelha ao de Fidel, em Cuba. Por toda parte se veem cartazes enaltecendo suas obras e sua esposa como os grandes beneficiários do povo. No entanto, o país continua pobre, ainda que não se vejam miseráveis e pedintes como por aqui.

Chegamos ao porto de San Juan Del Sur e contratamos um táxi para nos levar até a capital Manágua, a 200 quilômetros dali, mas o motorista não tinha permissão para entrar na capital. Assim, nos sugeriu conhecer a cidade histórica de Granada, passando por outros lugares turísticos, como o grande lago da Nicarágua. Foi um dia muito agradável, o motorista era muito simpático e compartilhava tudo o que lhe oferecíamos, até a água. No caminho, parava para comprarmos a cerveja local, nos falava da vegetação, dos lugares de interesse e da política do país. Adorava o Ortega e dizia que não poderia haver outro líder melhor, por isso não o substituíam.Fidel, Ortega, Lula, Chávez rezam na mesma cartilha. Mas o ponto alto da visita à Nicarágua foi a cidade de Granada, de que nunca tínhamos ouvido falar até então.

Granada é uma espécie de Ouro Preto da Nicarágua. Localiza-se às margens do lago Cocibolca, na costa oeste do país. É a capital do departamento de mesmo nome, tem cerca de 120 mil habitantes e foi fundada por Francisco Hernandes de Córdoba, em 1524. Foi uma das primeiras cidades fora do litoral fundadas por europeus no continente americano e é considerada um dos vinte e cinco lugares do mundo que não se deve deixar de visitar. Sua arquitetura colonial e neoclássica é bela e bem conservada e vale a pena se perder pelas ruas antigas, parar nas barraquinhas de comida, experimentar os pratos locais, além de visitar o mercado de ‘artesanias’ locais repleto de boas recordações para se trazer de uma cidade tão bonita e de um povo tão gentil.

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Costa Rica, terra dos vulcões

A Costa Rica é um pequeno país da América Central, mas um dos mais interessantes países para visitar, pois contém, em seu pequeno território, uma diversidade de florestas, praias e vulcões, com uma infraestrutura turística bem montada e uma população amável e acolhedora. Estive na Costa Rica, pela primeira vez, em 1997, para um Congresso, juntamente com minha amiga Ester Abreu. Foi uma semana de passeios em San José, a simpática capital e arredores e uma excursão ao vulcão Arenal, onde tomamos banho nas águas calientes e sulfurosas que só nos fizeram bem. Ester é excelente companheira de viagem, pois, embora já tenha idade bem avançada, topa tudo. É companheira para todos os atropelos de uma viagem por países desconhecidos e uma conhecedora profunda da língua, da literatura e da cultura hispânica. A comida da Costa Rica é muito saborosa, parecida com a nossa, e o país é um dos mais pacíficos do mundo, pois nem exército possui.

Em 2015, estive na Costa Rica, novamente, de passagem, num navio de cruzeiro, que fez uma parada lá, no caminho para Los Angeles. Éramos quatro e nos agregamos a outros oito brasileiros mais para alugarmos uma van que nos levasse até San José, com uma parada no vulcão Azur, o mais próximo da capital. A condutora e seu filho, Roberto Carlos, em homenagem ao cantor capixaba, faziam esse serviço, mas não conheciam bem o caminho. Foram muitas idas e vindas até chegarmos ao parque nacional do vulcão Azur. Saímos do litoral com uma temperatura de 30ºC e chegamos lá, a mais de 2 mil metros de altitude, com uma temperatura em torno de 10ºC e uma sensação térmica de menor temperatura, pelo vento. Para nossa surpresa e decepção, ao chegarmos à cratera do vulcão imenso, tudo estava coberto por uma névoa e nada se via. Foi uma decepção geral, mas o filho da motorista viu pela internet do celular, que o tempo se abriria em poucos minutos. Alguns não resistiram ao frio, pois estavam mal agasalhados, mas nós ficamos e pudemos apreciar, por alguns segundos, um dos maiores espetáculos da terra: um imenso lago azul, ao lado do fogo do vulcão em atividade. Vejam as fotos.

Fizemos um lanche na lanchonete do parque e prosseguimos viagem para San Josè, chegando até o aeroporto, bem próximo do centro. O trânsito estava muito congestionado, pois outro vulcão, o Vila Rica, tinha entrado em erupção e o acesso a San José estava bloqueado, devido à fumaça expelida pelo vulcão. Essa fumaça emite gases tóxicos e só se poderia entrar na cidade com máscaras apropriadas, o que não tínhamos. Já era tarde, o caminho de volta era longo, embora bem mais rápido, o navio zarparia às seis. Só tivemos tempo para tomar uma gelada no pequeno porto de Puntarenas, comprar algumas lembrancinhas e zarpar, mas a imagem dos cafezais da Costa Rica, das plantações de Teca, madeira usada na construção e da cratera do vulcão ficarão para sempre gravadas em nosso memória.

 

Cruzeiro em Cuba

Já fui a Cuba em diferentes ocasiões. A primeira vez foi em janeiro de 1986, para um Encontro de Professores para um Mundo Melhor. Naquela época, Cuba era totalmente dependente da URSS e pude comprovar isso em todos os lugares e ocasiões. Depois, voltei em 1994, quando o país passava por uma crise danada e mal tinha comida para servir aos turistas que haviam pagado por isso. Foi uma semana de aflições e até a volta para casa foi tumultuada, pois a agência não tinha confirmado nosso voo de volta e, quando chegamos ao aeroporto de Havana, milhares de pessoas disputavam a tapa o voo para Caracas. Tivemos de entrar na confusão e aos berros e empurrões conseguimos embarcar de volta. Ao chegarmos a Caracas, pudemos comer à vontade e nos sentirmos livres de novo. Agora, nem pensar em passar por Caracas. Tentei isso o ano passado, quando nosso navio parou em La Guaira, mas ninguém nos respondeu ir. A situação da Venezuela é um verdadeiro caos, político, econômico e social.

No ano passado, fui a Cuba de novo, para um cruzeiro que percorria toda a ilha, saindo de Havana, passando por diferentes lugares daquela ilha fantástica como Santiago de Cuba, a segunda maior cidade do país, terra do Fidel, Cienfuegos, uma cidade que é uma verdadeira joia, pois conserva o estilo art nouveau em que foi feita, de onde pudemos ir, de táxi, a Trinidad, cidade colonial, umas das sete mais antigas de Cuba e das Américas.  Foi uma viagem incrível, pois em Cuba voltamos ao passado. Os carros antigos, as casas, a impossibilidade de usar a internet e de saber as notícias do mundo, tudo é como se aquela ilha, a maior do caribe, tivesse parado no tempo. O povo cubano é amável, a comida é boa, tudo lembra a Bahia. As praias são espetaculares e há cadeias de hotéis internacionais nos principais balneários. No entanto, tudo tem  de ser encarado ao jeito cubano, pois lá eles não têm pressa, não estão acostumados com a concorrência, não conhecem o estresse da vida capitalista.

Havana por si só já vale a visita. É uma das cidades mais interessantes do mundo, por sua arquitetura única, herança do colonialismo espanhol. É claro que muita coisa está em ruínas, o Capitólio estava em restauração e tudo lá é muito devagar, ao ritmo cubano. É um dos povos mais musicais do mundo e por toda parte, pode-se encontrar gente tocando, cantando, dançando, tentando se virar nos trinta para ganhar alguns trocados do turista. E esse me parece o maior problema do país, pois em sua passagem do comunismo soviético para o capitalismo, tudo é valor de troca, tudo é oferecido aos turistas, incluindo as belas e os belos cubanos. Não se espantem com a pouca luminosidade das cidades, a escuridão das ruas, o assédio constante. É um país sem violência. É claro que não se pode dar mole, pois furto há em todas as partes, mas nada comparado ao que vivemos por aqui.

PS: As fotos do post anterior também são de Cuba.

 

Lima, capital gastronômica latino-americana

Estive em Lima, pela primeira, em 1986. Era época de ditadura militar, o país estava em guerra civil e tivemos de sair do aeroporto com um salvo-conduto para chegar até o centro de Lima. No caminho, fomos parados por soldados e não sabíamos se eram da força do governo ou do “Sendero Luminoso”, grupo guerrilheiro que tentava tomar o país. Em Lima, ficamos hospedados no tradicional hotel Bolívar, bem próximo à Praça de Armas, mas havia toque de recolher e, à noite, ninguém podia sair às ruas. Um horror! Só quem viveu aqueles dias sabe o que passaram os peruanos e todos nós que fizemos períodos de exceção em que não valem as leis e a Constituição, mas as forças das armas.

Trinta anos depois, voltamos a Lima. A cidade era outra. Parecia que tínhamos chegado a outro continente, pois nem reconhecíamos mais aquela Lima cheia de nativos, com suas roupas coloridas, uma cidade enevoada e suja, pois ali, por fenômenos meteorológicos, nunca chove. Lima, hoje, respira um clima de prosperidade, há trabalho para todos, não se veem mendigos pelas ruas, a cidade está cheia de prédios, grandes avenidas, shoppings moderníssimos. Tornou-se a capital latino-americana da gastronomia, com restaurantes e chefes premiadíssimos, que exploram as delícias da culinária tradicional com a comida internacional. Os restaurantes mais sofisticados são concorridíssimos, há longas filas de espera, mas em qualquer lugar pode-se comer bem, seja os diferentes tipos de ceviche, o prato típico local, seja os peixes do Pacífico e frutos do mar ali feitos com sabor e arte.

Lima é uma cidade que preserva tesouros históricos da época em que foi capital do Vice-Reino espanhol e sua catedral, a igreja de S. Francisco e o palácio dos Vice-Reis fazem parte da monumental Praça de Armas. É surpreendente como a cidade é segura, se a compararmos com as cidades Brasileiras. Nos locais turísticos, idosos aposentados portam cintos cheios de moeda local, o Sol, para fazer o câmbio do dia aos turistas do mundo todo que ali acorrem para conhecer o Peru, as maravilhas peruanas, sua história centenária e seu presente exitoso. Muitos turistas ficam alguns dias em Lima e depois sobem para Cuzco e outras cidades da serra e do litoral. Alguns vão em busca das ondas do pacífico, outros da herança história dos Incas, o povo lendário que resistiu aos conquistadores espanhóis o quanto pôde e hoje forma a base etnográfica e cultural do país.

Fomos de navio, desde Valparaíso,no Chile,  e o porto de Callao é área perigosa para os turistas, segundo eles. Talvez o seja à noite. De dia, nada vi que pudesse amedrontar, se você não levar dinheiro, joias ou câmeras caras. É assim em todos os lugares. Em Lima, pode-se ficar no bairro mais nobre e mais bonito, o de Miraflores, onde estão os bons restaurantes e hotéis, mas o passado histórico tanto do período colonial quanto do pré-colonial está no centro e nos arredores. Os táxis são confiáveis, os motoristas super simpáticos e pode-se arrendar um deles, a preços módicos, para visitar as principais atrações limenhas. Vale a pena!

Os encantos de Marselha

Marselha é a segunda maior cidade, o maior porto comercial e a mais antiga da França. Seu nome origina-se do grego “Massália”, mas também foi porto para os fenícios. Sempre teve grande importância na história da França e da Europa mediterrânica, sendo conquistada e reconquistada por diferentes povos. Por sua grande diversidade étnica e cultural, já que lá vivem milhares de pessoas de diferentes raças, credos e culturas, Marselha foi eleita capital europeia da cultura, em 2013. Marselha também é considerada cidade da arte e da história e o hino nacional da França tão conhecido no mundo todo é chamado “La Marsellaise”, por causa das tropas revolucionárias de Marselha que atuaram nos combates da revolução francesa, em 1789. Outra contribuição cultural marselhesa é o baralho de Tarô, usado na cartomancia em todo mundo.

A cidade tem grandes atrações turísticas, além de estar próxima de outras cidades históricas como Avignon, a cidade dos papas, e outras regiões da antiga Provença, na qual se situa. Para quem vai pela primeira vez, basta ficar na cidade e curtir suas atrações, dentre as quais estão o Velho Porto e o Panier, bairro com ruas pequenas e estreitas, cafés e restaurantes, no qual Marselha foi fundada. Dali se pode visitar a principal atração turística, tomando um trenzinho que leva até a monumental Basílica de Nossa Senhora da Guarda. No caminho, que margeia o velho porto, poderá tirar boas fotos da cidade, de suas velhas fortalezas e do porto.

Uma segunda atração é o Castelo de If, uma antiga prisão situada numa ilha costeira à cidade onde o Conde de Monte Cristo foi encarcerado no célebre romance de Alexandre Dumas. Aos amantes de arquitetura, recomenda-se uma visita à “Cité Radieuse”, unidade habitacional de Marselha construída pelo célebre arquiteto suíço Le Corbusier. Aos que gostam de andar a pé, recomenda-se uma caminhada pelo “Cours Julien”, bairro tido como local de encontro da cultura alternativa marselhesa. Confesso que me senti numa cidade árabe-africana como Tânger, Túnis ou Casablanca. Ouvi mais árabe do que francês. Comprei tâmaras deliciosas da Argélia a um euro dois pacotes. Vi os sabonetes de Alepo, que nem devem estar mais sendo fabricados na cidade síria. Passeei nos mercados árabes de Marselha, deliciando-me com a balbúrdia, a sujeira e a bagunça nada europeias. A cidade esta repleta de turistas e não senti nenhuma insegurança. Sentamo-nos num café-restaurante, tomamos um “rouge” local, mais barato do que uma cerveja, e comemos “moules frites”, mexilhão com batata frita, que parece não combinar, mas é uma delícia. E vive la France!

Volta à Toscana

Na primeira vez em que fomos à Europa, há quase trinta anos, era bem melhor viajar, embora não houvesse celular, nem internet, nem cartão de crédito. Fizemos uma excursão de quase um mês, percorrendo vários países, dormindo cada noite em um lugar. Muito estressante, mas o preço compensava, pois era uma promoção de dois por um. Só assim um professor brasileiro ainda recente na universidade poderia ir à Europa naqueles tempos bicudos. Em compensação, os voos eram bem mais confortáveis. Viajava-se na classe turística com mais conforto, mais espaço e alguma cortesia, hoje inimaginável. Dentre os vários lugares que percorremos num busão guiados pela inesquecível guia espanhola Josefina, professora de História e o motorista José Luiz, chegar à Itália foi um deslumbre. Saímos de Innsbruck, na Áustria, sob neve, atravessamos as Dolomitas, passamos por Cortina D’Ampezzo e chegamos a Veneza. Nunca vou esquecer o por do sol naquele primeiro dia, quando saíamos de Mestre, onde nos hospedamos, para chegar a Veneza, de vaporetto. Depois, vieram outras cidades inesquecíveis como Assis, na Úmbria e Pádua, para uma parada estratégica no túmulo de Santo Antônio. Roma foi o encontro com tudo que tínhamos estudado nos livros de História. Em cada pedaço, um pouco da história da humanidade. Só não visitamos as catacumbas, naquela viagem, e fomos cobrados por aqueles que não sossegam enquanto não percorrerem de cabo a rabo tudo o que os guias turísticas anunciam de atração. De Roma, ainda fomos a Nápoles, Pompeia, ilha de Capri e, depois, a inesquecível Florença. Com o dinheiro contado, mal podia visitar um ou outro museu, mas não pudemos deixar de ver o Davi, no Uffizzi. De lá, passamos por Pisa, numa rápida parada para fotos (naquela época ainda eram as fotos com máquinas de rolo, que seriam revelados após a viagem e a surpresa de saber se as fotos tinham saído boas ou não). Tudo era diferente na época pré-digital que vivemos. Hoje, vejo como era arcaico e como o mundo mudou em trinta anos. Foi bom ter vivido para ver todas essas mudanças!

Várias outras vezes voltamos à Itália, nesses trinta anos; às vezes, só de passagem para outros lugares. Agora, há muito mais turistas, os lugares históricos têm filas enormes, o mundo virou um formigueiro de gente fotografando tudo e todos. Foi o que senti, agora, quando voltamos à Toscana e a Pisa. Paramos no porto de Livorno, que não é cidade turística e nem tem atração alguma. Mas o navio só para ali, para se visitar Pisa, Luca ou Florença. Decidimos por Pisa, para agradar ao casal de amigos que nos acompanhava, mas nos arrependemos. Antes tivéssemos ficado por ali, tirado algumas fotos, subido ao morro

onde está a igreja   a que os locais peregrinam, comido alguma coisa local e saboreado os ótimos vinhos que se fabricam na região. Enfrentamos uma fila danada, compramos os ingressos do ônibus que faz o trajeto Pisa-Livorno, de uma em uma hora, e fomos. Para quê? Parecia que a Ásia inteira tinha marcado encontro ali, para fotografar a torre inclinada. Sabe o que é ter de fazer fila para conseguir uma foto, fingindo que está segurando a maledetta?! Mamma mia! E , depois, para comer alguma coisa? Estávamos só com o café da manhã, andando desde cedo e, na Itália, para sentar, só pagando. Acontece que não havia lugares nos poucos bares para tão grande afluência de pessoas. O jeito foi comer aquela pizza horrível, em pé, esquentada no micro-ondas, beber alguma coisa e retornar para o ponto de ônibus à espera do próximo que voltasse. E ir ao banheiro, então? Só pagando. Leia-se o mesmo capítulo anterior.  Enfim, viajar para esses lugares famosos, só quando se é jovem e com mais disposição. Mas, como diz o povo, nunca se consegue reunir essas três coisas: tempo, dinheiro e disposição. Experimente!

Cartagena de Espanha

Cartagena é um porto muito antigo  e a cidade foi fundada pelos cartagineses, em 223 a.C, sendo conquistada pelos romanos pouco tempo depois, em 209 a.C, que lhe deram o nome de Nova Cartago. Aos que não são muito chegados à História, lembro que Cartago era uma cidade situada ao norte da África, onde hoje é Túnis, e foi, durante muitos anos, a principal rival de Roma.  Durante a Idade Média, Cartagena perdeu muito a importância para outras cidades, mas, a partir do século XVIII, torna-se uma base naval espanhola e voltou a ter destaque por sua importância estratégica nas diversas guerras em que a Espanha se envolveu.

Hoje, Cartagena é um porto muito visitado por navios de cruzeiro e suas maiores atrações são o anfiteatro romano, totalmente restaurado, dentro das modernas técnicas museológicas e um dos mais bem conservados da Europa. Para os mais aventureiros, pode-se subir até as ruínas do Castelo de la Concepción, o antigo castelo de Cartagena. Aos que gostam de caminhar sem muito esforço, é só seguir pela Calle Mayor, até a Prefeitura, ao final dessa rua, apreciando a beleza dos edifícios com seus balcões, Há restos de ruas romanas e de muralhas bizantinas, para os mais chegados às antiguidades e o Museu Nacional de Arqueologia Submarina , para os que apreciam ver o que foi encontrado, no fundo do mar, de povos antigos que por ali passaram, desde os fenícios.

Chegamos a Cartagena num domingo festivo e  ensolarado,os cidadãos locais estavam todos na rua, com seus trajes tradicionais. Foi lindo ver as crianças, cada qual mais bonita: as meninas com seus belos trajes típicos de espanhola e os meninos com suas roupas características. Na praça, enquanto degustávamos tapas típicas e a saborosa cerveja local, a preços bem módicos, pois o chope e a tapa servida a rodízio custavam um euro cada, apreciávamos bailados folclóricos de jovens e crianças, desfiles de cavaleiros em seus belos ginetes e trajes típicos, enfim, uma festa espanhola. Como sempre, há os loucos por tirar fotos que querem fotografar tudo, passando o tempo nessa correria louca, sem parar para curtir o que a vida e a Espanha lhe oferecem: o prazer de apreciar o momento, a paisagem, a culinária,a companhia dos amigos num dolce far niente de um domingo ensolarado e de férias. Confesso que não tenho nenhum prazer em fotografar como um louco. Tiro poucas fotos e de má qualidade. Quem me acompanha sabe que fotografar não é a minha praia. Prefiro a imagem que retenho na retina de minha visão já fatigada.Penso que as pessoas estão mais preocupadas em fotografar para mostrar depois as fotos no facebook do que em aproveitar os instantes com as pessoas que lhes estão próximas. Acho que os loucos por fotografias devem viajar sós e depois dividir com os que têm a mesma loucura esse prazer. Pronto, falei! Desculpem-me os que têm outra opinião e as fotos que seguem em meus posts.

Barcelona, cidade encantadora

Barcelona é uma das cidades mais atraentes do mundo, por isso, vive repleta de turistas. Visito-a desde 1988, quando lá estive pela primeira vez, e sempre me encanto por sua gente, sua alegria, pela muvuca que não para, dia e noite. Além das belezas de uma cidade portuária muito antiga, Barcelona foi toda remodelada após os jogos Olímpicos de 1992 e não para de se modernizar. Tomara aconteça o mesmo com o Rio de Janeiro!  O difícil, em Barcelona, é encontrar hotel com preço mais em conta e no centro, pois a maioria fica mais afastada. Apesar da enorme quantidade de hotéis disponíveis nos sites, os preços são muito altos, se comparados a qualquer outra cidade europeia. Por menos de cem euros, é quase impossível encontrar hotel bom e bem localizado. Gosto de ficar perto das Ramblas, da Praça Catalunha ou no bairro gótico, nas cercanias da velha catedral, mas as opções são poucas e caras.

Estive lá em maio, para mais um cruzeiro pelo Mediterrâneo, um dos maiores prazeres que tenho ao viajar, pois ali perto se encontram portos de cidades antigas e repletas de atrações, como Cartagena, que visitamos desta última vez, Valência, Málaga e Algeciras, de outras viagens. Há gente que não gosta de cruzeiro, forma de viajar mais apreciada para os de mais idade ou pouco aventureiros, turma na qual me encaixo. Certa vez, fizemos outro cruzeiro memorável saído de Barcelona, num navio caindo aos pedaços de certa companhia espanhola que agora está por aqui e no Caribe. Eu e minha esposa éramos os únicos brasileiros e de mais idade a bordo. Todos os outros eram jovens casais em lua de mel. Enturmamo-nos com alguns deles, que nos adotaram como os pais que deixaram na Espanha e entramos na farra. O problema é que o navio jogou muito, no golfo de León. O comandante brincou dizendo que era efeito da “luna de miel”. A cabine era embaixo e entrava água pelo ralo do banheiro. Apesar de tudo, foi uma viagem inesquecível, pela alegria a bordo, pelos lugares que visitamos, pela comida servida e pelas amizades que fizemos.

Vinte anos depois, decidimos fazer novo cruzeiro saindo de Barcelona e estávamos acompanhados por um casal de amigos. O porto de Barcelona foi todo reformado, está todo moderno, mas um jovem taxista, diferente do que tinha nos levado do aeroporto, resolveu nos explorar, dando voltas desnecessárias para cobrar mais no percurso. Pegou mal e deixou uma má impressão de uma cidade e de uma gente que sempre procurar agradar ao turista. Barcelona tem muitas atrações turísticas, o marketing para as obras de Gaudí ou de Miró é inflacionado e, portanto, há sempre filas de gente para ver seus monumentos. Há muitos restaurantes e preços variados, mas, ás vezes, cai-se numa esparrela quando anunciam um menu turístico com um preço baixo e depois aumentam o preço adicionando taxas de serviço, além da qualidade, é claro. Enfim, de tudo ficam as experiências, boas ou más. Barcelona é uma das capitais culturais da Europa e sempre há museus, exposições, shows, para todos os gostos. Na primeira quinzena de maio, quando a Espanha comemora a festa de São Firmino e abre a tempo rada de touradas, a Catalunha, que não as permite, se engalana com a presença de milhares de turistas que a buscam por suas atrações artísticas e culturais. Barcelona é uma festa!