De Bishkek ao Lago Issik Kul, no Quirguistão
Após excelente café da manhã no Novo Hotel, saímos em direção em direção às montanhas Ala-Too, cujos picos ficam cobertos de neve o ano todo e que se podem avistar, desde a estrada. É uma paisagem belíssima e o clima primaveril estava super agradável. Em poucos minutos, chegamos ao estacionamento do Parque Nacional, onde deixamos o carro e pegamos um ônibus que nos levou à estação do teleférico. Como ainda era cedo e o teleférico começa a funcionar às 10h, fomos caminhar pela trilha que leva ao pequeno riacho. No caminho, alimentamos os esquilos, já viciados em comer sementes levada pelos turistas, principalmente um, deficiente físico, com uma das patinhas cortadas. Às 10h, subimos pelo teleférico a uns três mil metros, a um observatório, de onde se podem avistar montanhas mais altas, onde vivem tigres da neve e águias, símbolos nacionais, cujas estátuas enfeitam a entrada do Parque. Descemos e continuamos a viagem em direção à Torre de Burana, localizada a cerca de oitenta quilômetros de Bishkek. Ela foi construída no século XI e é o principal vestígio da antiga cidade de Balasagyn, famosa na época da rota da seda. A palavra “Burana” é uma corruptela de “Monara”, que significa minarete. Essa cidade foi fundada no século X e foi a capital do estado de Karakhanid, nos séculos XI e XII. Era famosa por ser o berço de nascimento do poeta Jusup Balasagyn, autor do poema épico “Katadgu Bilig”, “Conhecimento traz felicidade, traduzido para vários idiomas. Hoje, só resta dessa cidade a Torre Burana, restaurada pelo Unesco e muitas lápides de antigos cemitérios. Almoçamos numa pequena cidade perto da Torre e, após, seguimos viagem em direção ao Lago Issik Kul.

O guia Edil Dalilov nos explicando a história da Torre Burana.

Na Torre Burana, patrimônio da humanidade.
Andamos mais de cem quilômetros por uma estrada paralela ao trem que vai até a China, contemplando os campos repletos de papoulas, rebanhos de ovelhas e de bos, alguns cavalos, sempre cercados pelas montanhas Tian Shan. Em alguns momentos, a estrada passa pela fronteira com o Cazaquistão. Chegamos a Balykichy, às margens do lago, ao entardecer. Na época soviética, a região era importante como zona industrial; atualmente, todas as fábricas estão abandonadas e os maquinários sucateados foram comprados, a preço d banana, pela China. Hoje, a única indústria que traz algum recurso para a região é a do turismo, sendo os russos os principais usuários dos hotéis e das suas comodidades em torno do lago. Chegamos ao hotel Baytur Resort, ao entardecer, e, para nossa tristeza, todas as comodidades do hotel, piscina, sauna, estavam interditadas em função de uma tormenta ocorrida no dia anterior. Fomos até o Lago ver o pôr do sol e voltamos para jantar no hotel, onde apenas um restaurante francês estava funcionando, precariamente, mas era caro e serviço a desejar. Havia poucos hóspedes no hotel, alguns japoneses e indianos, esses, parecia, a trabalho.

Lago Issyk Kul, ao entardecer

No dia seguinte, tomamos um excelente café da manhã no hotel e seguimos em visita ao Museu de Ar Livre de Gravuras Petroglíficas Citas e Turcas, dos séculos VII a.C a VIII d. C. Alguns ônibus de turistas europeus e japoneses também visitavam o local. Estávamos no início da temporada turística, cujo auge é o verão. O Lago Issik Kul é conhecido como lago das águas quentes, como o seu nome se traduz do quirguiz, tem uma altitude média de 1.700m acima do nível do mar, comprimento de 180 km, largura de 60km e profundidade de 700m. É o segundo maior do mundo, após o Titicaca. Como o país não possui mar, é o principal balneário dos moradores e dos turistas. Após a visita, regressamos a Bishkek, de onde embarcaríamos, à tarde, para Ashkent, a capital do Uzbequistão. Almoçamos num excelente restaurante, no caminho, onde nos serviram truta. Mais próximo da capital, pegamos uns 30km de estrada em obra, o que atrasou a chegada ao aeroporto, que também estava em obras. Chegamos lá e, ajudados pelo excelente guia Edil Dalilov, enfrentamos as filas do check-in, cujo sistema caía, atrasando ainda mais o embarque. O guia foi extraordinário, ficou aso nosso lado o tempo todo, até despacharmos a mala e passarmos pela segurança. Isso é raro, pois, geralmente, eles só levam até o aeroporto e a gente se vira. A segurança lá é terrível, tem-se de passar por vários escâneres e revistas, até o liberarem para o embarque. Na sala, para os que gostam de beber, vodka, russa ou não, é muito barata, e chá, quirguis ou chinês, o resto, não. O voo saiu no horário e chegamos ao Uzequistão ao anoitecer, onde o guia Shok Atananov nos esperava com a placa com nossos nomes.

Museu ao ar livre de petroglifos
















































