A elegância de Victoria, no Canadá

Victoria, capital da Colúmbia Britânica, é considerada a mais inglesa das cidades canadenses bem como Quebec, no outro extremo, é a mais francesa. Fundada em 1843, recebeu esse nome em homenagem à rainha Victoria, em 1850. Victoria é uma cidade elegante, com suas casas-mansões em estilo edwardiano, seus inúmeros jardins e parques. O prédio do legislativo construído em 1893 para comemorar o jubileu de diamante da rainha Victoria é uma joia da arquitetura britânica bem como o Hotel Fairmont Express e o castelo Craigdarroch dão à cidade o ar de nobreza que a distingue. As flores constantemente renovadas são a principal característica da cidade. Os jardins de Butchart e o de borboleta de Victoria estão entre os mais belos e bem cuidados do mundo. Victoria se localiza ao sul da ilha de Vancouver, cidade da qual se avizinha e que pode ser alcançada por uma hora de barco ou alguns minutos de avião. Enquanto Vancouver, situada no continente, se modernizou e se desenvolveu, Victoria ficou meio parada no tempo, conservando as relíquias de seu passado colonial britânico. É uma das cidades mais bonitas e mais elegantes que já visitei no mundo, sobretudo as do novo continente.

Claro, Quebec e Montreal têm seu charme francês, mas Victoria tem um ar de quem seta sempre esperando algum nobre pra se hospedar no Fairmont. Victoria é considerada a cidade dos jardins e, agora na primavera, ela fica ainda mais maravilhosa. Mesmo no inverno, em janeiro, ela se colore com as flores das cerejeiras; em março, com as das tulipas e, quando maio chega, a primavera explode de cores com as roseiras, as tulipas e suas cores fortes, os lírios e todas as flores constantemente renovadas por jardineiros atentos e dedicados que cuidam também dos cerca de 1.600 cestos de flores pendurados nos postes de luz numa miríade de cores. A cidade é um brinco e dá vontade de viver ali. Vivo em outra Vitória, também uma ilha, na capital do estado do Espírito Santo, no Brasil. No entanto, tivesse hoje vinte anos, já saberia a Victoria que escolheria para viver. O pouco tempo que passei em Victoria, no Canadá, serviu para dar-nos uma mostra de uma das cidades mais lindas e civilizadas do mundo. Foi como uma degustação, que se aprova para apreciar e fica na boca a vontade de experimentar mais a iguaria. Um dia, ainda voltarei a Victoria, pois ficou na boca o o gostinho de quero mais.

Alasca, a última fronteira

Para os norte-americanos, conhecer o Alasca é um sonho de toda vida. Afinal, foi o último estado a se incorporar à união, em 1959, após ter sido comprado da Rússia, em 1867, por 7.200.000 dólares. O que parecia uma fortuna, à época, acabou se revelando uma pechincha, pois, em 1898, foi descoberto ouro na região e, mais recentemente, petróleo e gás. Ou seja, embaixo daquele gelo todo, havia muita riqueza a ser explorada. Com mais de 1,5 milhão de quilômetros quadrados e uma população de 500.000 habitantes, o Alasca é o maior e o mais desabitado estado norte-americano, devido ao clima e às condições naturais pouco propícias à habitação humana. Quando chega a primavera e em todo o verão, de maio a setembro , os navios de cruzeiro partem da costa oeste americana e canadense em direção ao Alasca, refazendo o caminho dos pioneiros do final do século XIX, em condições outras que não aquelas enfrentadas por aqueles aventureiros. A primeira parada é em Ketchikan, pequena cidade conhecida como a capital mundial do salmão defumado. Com uma população em torno de 8 mil habitantes, a primeira cidade do Alasca é um paraíso para os turistas com suas lojas de produtos de inverno a baixo custo, artesanatos locais e ruas que remontam ao período áureo da cidade, o da corrida do ouro, ao final do século XIX. A Creek Street, rua histórica às margens do rio local, era a cidade das prostitutas, onde se pode visitar uma das mais famosas delas, a casa de Dolly, hoje, um museu. Por todo lado, se pode apreciar e comprar os cinco diferentes tipos de salmão defumado: o Chum, o Sockeye, o King, o Silver e o Pink. Eu, que só não gosto mais de salmão do que os ursos, fiquei que nem barata no mel. Provava daqui e dali, comprava um pouco de cada e viemos com a mala bem sortida de diferentes tipos de salmão. Uma delícia! É claro que a cidade não tem só salmão, pois era o lugar de origem do povo Tlingit. Por isso, é imperdível a visita ao Parque Estadual dos Grandes Totens, a Vila Nativa dos Saxman, outro povo local, fiordes, glaciais e apresentação dos madeireiros cortando lenha. Um dia só é pouco para tanto a conhecer. A cidade que mais me encantou foi Skagway, pouco acima de Juneau e próximo à Baía dos Glaciais, um Parque Nacional. É a mais bem conservada de todos e é bem pequena, com seus mil e poucos moradores. É como se voltássemos ao tempo, ao final do século XIX e começo do século XX, pois todas as construções são dessa época e estão muito bem conservadas. A cidade é famosa pela ferrovia construída ao final do século XIX e que leva ao Yukón, passando por sobre precipícios e entre geleiras. É conhecida como ‘White Pass” e é o passeio preferido dos turistas que vão ali pela primeira vez. Quem optou por ficar na cidadezinha, pôde degustar as delícias do “Red Onion”, um célebre saloon do passado, uma das maiores atrações turísticas atuais. A outra parada foi em Juneau, a capital do Alasca, fundada como mina de ouro, em 1880. Tem pouco mais de trinta mil habitantes e é a única capital de estado norte-americano, aonde não se pode chegar via terrestre. Só aérea e marítima. As maiores atrações da cidade são a visita ao Glacial Mendenhall, que pode ser feita até de helicóptero, a observação de baleias, o cultivo do salmão, a corroída de cachorros na neve e a subida ao monte Robert, num teleférico inaugurado há poucos anos.Além da bela vista que se pode avistar da cidade de Juneau, lá em cima se exibe um filme sobre os povos nativos da região. Também há um restaurante onde se pode degustar o famoso King crab, o caranguejo gigante do Alasca. Não é barato. Custa em torno de 25 a 30 dólares por pessoa, para degustar uma porção razoável.  Na cidade, o melhor programa é tomar uma cerveja e comer alguma coisa no “Red Dog Sallon”, um autêntico saloon do século XIX. Senti-me um autêntico Wyatt Earp, cuja arma perdida em jogo ainda está lá, exposta. Todo meu imaginário sobre os cowboys dos filmes americanos veio-o à lembrança, ao entrar naquele saloon. No palco, um cantor de música country corroborou essa sensação. Foi incrível!

São Francisco, delícia de cidade

São Francisco é uma das cidades mais agradáveis para se visitar nos EUA e, quiçá, no mundo. Ela tem um encanto, uma luminosidade, um bom astral, que poucas cidades têm. Estive lá, há vinte anos, de passagem, e agora voltei também de passagem para um cruzeiro ao Alasca. Escolhi um hotel bem no centro da cidade, perto da Union Square, de onde saem os bondinhos centenários que dão um charme todo especial à cidade e os ônibus turísticos que fazem todo o circuito principal da cidade, passando pela celebérrima Golden Gate, ponte-cartão postal e ícone máximo da cidade. Dessa vez não deu para ir à ilha de Alcatraz, visitar a famosa prisão, mas passamos perto dela, no dia seguinte, quando nosso navio passou sob a ponte em direção norte. São Francisco é legal para se andar a pé, pois cada esquina é um flash. Há os ciclistas, que adoram circular por seus parques e os que pregam a bunda no ônibus duplo, aberto, que nem nós, e só vão clicando. Tudo é legal em São Francisco. Para os que gostam de museus, há muitos, de arte e de seu passado histórico; igrejas espetaculares; um comércio superdiversificado; restaurantes para todos os gostos e preços. São Francisco possui uma das maiores colônias orientais dos EUA e a Chinatown é supervisitada; mas também possui uma Japantown e bairros de coreanos, vietnamitas com suas comidas típicas apreciadas no mundo inteiro. No entanto, parece que o mundo todo se encontra no Fisherman’s wharf, para comer frutos do mar ou beber as boas cervejas e os apreciados vinhos locais. Também se pode fazer um pequeno passeio pela baía de São Francisco, com jantar incluído.  Ou ficar circulando nos diversos bares de petiscos, em meio à multidão de pessoas e de gaivotas perigosas a nos ameaçar com suas cacas voadoras. É claro que o clima tem de ajudar. O vento que sopra lá é famoso e, mesmo sendo primavera, num dia de sol, faz frio ao entardecer ou quando se passa pela Golden Gate. Ali sopra um vento encanado que gela até a alma. Esteja preparado. O que sempre acho negativo nos EUA é o trânsito. Há carros demais e nada anda. Para irmos da Union Square ao píer 27, de onde saem os navios de cruzeiro, uma distância de menos de 10 km, gastamos mais de uma hora e cinquenta dólares de táxi. Motorista paquistanês, falando ao rádio o tempo todo com uma sua colega em punjab, sua língua nativa, foi uma tortura. Deveria ter uma lei proibindo taxista falar o que não fosse estritamente necessário e a colocar música clássica para aliviar o estresse seu e dos passageiros. Na volta, foi a mesma coisa. Pegamos um taxista polonês, do píer 27 ao aeroporto de São Francisco. Já idoso, o motorista estressadíssimo com o trânsito que não fluía, buzinava, xingava, cortava por todos os lados, enquanto íamos rezando pra Sâo Francisco, São Fernando, Santo Antônio, São Bruno, todos os nomes de santos com quem íamos cruzando pelo caminho até o aeroporto. Uma hora de sofrimento depois, chegávamos sãos e salvos, mas uma nova odisseia começava: voo atrasado, perda de conexão, mala extraviada, correria, correria, correria.  Viajar é teste de resistência. Pra velho, é risco de vida.

Pelos países do Báltico

Durante algum tempo, eu tive um “penfriend” da Lituânia, o Algius, com quem trocava selos. O país dele tinha acabado de se tornar independente, após a separação da URSS, no início dos nos 1990. Ficava a imaginar como poderiam ser aqueles três países tão pequenos, Estônia, Letônia e Lituânia, banhados pelo Mar Báltico e não tinha a menor ideia de como fossem. O Algius dizia sentir o mesmo em relação a Paraguai, Uruguai e Equador. Do Brasil, ele conhecia o futebol, o café e as mulatas do Carnaval. Eu, da Lituânia, só tinha ouvido falar do time de basquete, na época das Olimpíadas.

Recentemente, pude visitar esses três países. Tallin, uma bela cidade medieval, capital da Estônia, eu já conhecera, há uns três anos, mas foi bom revê-la e ver como os estonianos se adaptaram logo à economia de mercado e, como tratam muito bem os turistas, Tallin se tornou uma das principais rotas de navios de cruzeiro, no período de maio a setembro, quando se pode ir lá. Em outras épocas, o frio é muito, o vento terrível e, no auge do inverno, o mar chega a congelar.

A Letônia, conheci agora, mas é o menos desenvolvido dos três. O país está tentando se reerguer e se adaptar à inclusão na União Européia; contudo, a maioria dos jovens prefere tentar a vida em lugares menos frios e com mais oferta de trabalho. Riga é uma bela cidade, pois foi centro da burguesia e da nobreza russa, como São Petersburgo, mas parece uma cidade fantasma, que só vive à custa do turismo. Tem poucos moradores fixos e não aparenta ter vida própria fora da temporada turística. No resto do ano, não sei como aquele povo vive, mas vive, pois a cidade tem mais de 800 anos.

 

A Lituânia, país do Álgius, mandou muitos imigrantes para o Brasil, desde o domínio comunista, que vivem mais no sul do país. De lá, conhecemos o porto de Klaipeda, bastante abandonado após a saída dos russos, mas tentando se levantar com o turismo. A cidade é simpática e foi sede dos nazistas, na II Guerra. Hitler discursou do balcão do teatro na praça central.Alguns tripulantes brasileiros nos contaram de experiências negativas com jovens neonazistas, que abominam todos os que lhes são diferentes. Lá, visitamos a praia de Palanga, onde existe um museu do âmbar, no antigo palácio Tiskericiu. A cerveja local é muito boa, ainda barata, se comparada aos preços europeus. Nossas guias, tanto na Letônia quanto na Lituânia, eram jovens e muito simpáticas. Estonianos, letões e lituanos são um povo simples, simpático, valente, pois sobreviveram à disputa de grandes impérios. Sua história é a da resistência e é um milagre sua sobrevivência, já que outros países tão antigos como o deles, a Pomerânia, por exemplo, já desapareceram. Também por isso, valeu a pena conhecê-los, ainda que rapidamente.

Namíbia, país de desertos

Desde o alto, ao se aproximar de Windhoek, a capital, já se pode constatar o quanto a Namíbia é um país desértico. O aeroporto internacional situa-se no meio do nada, sem uma aglomeração urbana por perto. Diferente do que estamos acostumados a ver em outros lugares, não há construções, prédios, monumentos, nada. Só a savana, com sua vegetação típica de pré- deserto, com árvores esparsas, vento, e nada mais. Há poucos voos, o aeroporto não funciona à noite, todos os funcionários vão embora e um portão fecha a entrada pela segurança. Nunca tinha visto nada assim, nem mesmo no Suriname, que também tem um aeroporto no meio do nada.

Faz muito calor durante o dia, e chove à tarde ou à noite, nesta época do ano, verão, como no Brasil. Windhoek (pronuncia-se “Vinduk”) situa-se na mesma altura geográfica do Rio de Janeiro, é uma cidade pequena, moderna, tranquila, plana, fácil de caminhar e com poucas atrações turísticas. Gostei de ter visitado o Museu Nacional, onde se pode conhecer um pouco mais do país e de sua diversidade. Sua independência é recente, desde 1992, quando se separou da África do Sul. Antes era a WSA (“West South Africa”), mas a identidade com o país irmão é tão grande que se pode usar a moeda sul-africana, o Rand, sem necessidade de convertê-la ao dólar namibiano.

É a Namíbia um país com grande diversidade étnica e cultural. Os nacionais convivem com várias etnias e falam, normalmente, diferentes línguas, tendo o inglês como língua oficial. Também se fala o alemão e o africâner, uma língua derivada do colonizador holandês, alemão e francês, marca ainda muito forte e que se pode observar nos nomes das ruas, na comida e na boa cerveja fabricada no país. A Windhoek é a mais comum. São, ainda, os africâneres os principais donos das fazendas, dos hotéis, das empresas de turismo e ainda não é tão forte a presença de uma classe emergente e política dos negros, como se observa na África do Sul. Faltou aqui um Mandela, talvez. Também são de alemães os principais grupos de turistas que visitam o país, para conhecer as belezas naturais da Namíbia, seus desertos, a vida selvagem preservada nos parques naturais, sendo o Etosha o maior deles. Também encontrei muitos angolanos que vão à Namíbia para fazer compras, por isso o português é uma das línguas ouvidas pelas ruas e em algumas lojas e farmácia vi escrito: “Aqui se fala português”. Também há camelôs angolanos, vendendo artesanatos e produtos chineses pelas ruas. O povo é muito gentil, não há violência, roubos, assaltos, drogados e se pode caminhar pelas ruas a qualquer hora do dia e da noite, sem medo.

Daqui a alguns anos, a Namíbia será uma boa extensão para os turistas brasileiros que visitarem a África do Sul. E, quem sabe, de lá, ir até Angola, país irmão que, por enquanto, não tem nenhuma infraestrutura turística, além de ter em Luanda uma das cidades mais caras e perigosas do mundo. Por enquanto, a Namíbia não oferece muitos atrativos e sua estrutura para um turismo de classe média é precária. Somente é procurada por milionários, que fazem safáris lá e em Botswana, país vizinho, e não são safáris fotográficos, daqueles em que os animais são apenas fotografados. Muitos vão lá para matar os grandes cinco animais selvagens: elefante, leão, búfalo, rinoceronte, leopardo, pagando alto preço para ter um troféu na parede. Para mim, só valeu a pena ir à Namíbia, para acrescentar mais um país na minha já extensa lista de países “exóticos” visitados. Mas, convenhamos, “exóticos” somos todos nós, não?

Nas Cataratas Vitória, África

Na fronteira entre a Zâmbia e o Zimbabwe, encontram-se as “Cataratas Vitória”, uma das maiores e mais bonitas da África, assim nomeadas pelo Dr. Livingstone, “I presume”, em 1855, em homenagem à toda poderosa Rainha Vitória da Inglaterra. Para mim, que já me deslumbrei com a grandiosidade de Iguaçu e de Niágara, não é tão impressionante, mas cada uma tem sua beleza específica e, por isso, vale a pena visitá-la, sem tanto sacrifício para chegar lá. O voo de Johanesburg até Victoria Falls, no Zimbawe, ou Livingstone, na Zâmbia, é pouco mais de uma hora e a burocracia no aeroporto é mínima. Paga-se uma taxa para o visto, dependendo se for uma ou mais entrada, e logo você é recebido por bailarinos negros, evidentemente, que o acompanharão com seus gritos, saltos e batuques, em todos os lugares. Se for fazer um cruzeiro ao entardecer pelo rio Zambeze, o que é absolutamente indispensável, lá estarão eles, com seus cantos e simpatia. À noite, no restaurante do hotel, também dançarão e cantarão, interagindo com os turistas. Os japoneses ficam extasiados, fotografando e filmando tudo.

O ideal é sair bem cedo, para visitar as Cataratas Vitória, antes dos grupos de japoneses chegarem. Se for madrugador, tome o café da manhã às seis e trinta, para, às sete, quando o parque abrir, já pegar sua capa de chuva, indispensável, uma sandália de borracha e se preparar para se molhar todo, pois a neblina é forte, os pingos das quedas d’água o molham todo, o que não é tão desagradável pelo calor que se faz. Caminha-se pouco mais de um quilômetro, fotografando as várias quedas do lado da Zâmbia e sendo acompanhado por macacos típicos da região, uma espécie que tem os ovos (escrotos) azuis.

Zâmbia, Zimbawe e Malawi são países irmãos, pois ambos pertenciam à antiga Rodésia, separando-se no processo de descolonização dos anos 1960 a 1980. O Zimbabwe tem o mesmo “Presidente”, desde 1980 que, a cada dez anos, é “reeleito” por “voto popular”. Na última “eleição”, há dez anos, prometeu luz elétrica para todos, mas não cumpriu. Apesar da abundância de rios, na região, dentre os quais o Zambeze, o quarto maior da África, e o Limpopo, a maioria da população vive no escuro, em choças, sem água encanada e esgoto. É um sistema tribal, ainda. Mugabe tem 90 anos e foi reeleito, em 2013, quando estive lá,para mais dez anos de mandato. A Zâmbia é mais adiantada, tem governo democrático e um excelente futebol. Foram os campeões da África, em 2011. Livingstone, às margens do rio Zambeze, das Cataratas Victoria, foi a primeira capital da Zâmbia e tem um excelente museu a ser visitado. Ao contrário do Zimbawe, que adotou o dólar como moeda, após uma megainflação, tem moeda própria, o quacha.

Fiquei no Zimbawe, no hotel Kingdom, excelente, também às margens do rio Zambeze e bem próximo das cataratas. À Noite, quase não se vê ninguém, nas ruas da pequena cidade de Victoria Falls. Eles não saem à noite, pois temem os animais silvestres, que estão soltos, já que vivem dentro de um parque natural. Além do cruzeiro pelo rio Zambeze, onde se pode avistar hipopótamos e crocodilos, e inúmeras aves, enquanto se toma a boa cerveja local, a Zambeze, recomendo um safári nas costas dos elefantes. É um dos poucos lugares do mundo onde se pode avistar outros animais, dentro de um parque selvagem, montado em elefantes e não em jipes. Também oferecem passeio de helicóptero sobre as cataratas, que não fiz, visita a fazendas de criação de leões e um safári de dia inteiro ao parque Kobe, que está situado na fronteira onde 4 países se encontram: Zimbawe, Zâmbia, Namíbia e Botswana. Imperdível!

Jerusalém, cidade sagrada

Já estive em Jerusalém três vezes. A primeira foi em 1988, quando a cidade estava recém- ocupada por Israelenses, após a guerra dos seis dias, em 1967, quando Israel tomou a parte oriental dos jordanianos, já que antes só detinha a posse da parte ocidental. É uma cidade sagrada para as três principais religiões monoteístas do mundo, judaísmo, cristianismo e islamismo. Israel ali mantém a sede do parlamento, a residência presidencial, mas a comunidade internacional não a considera a capital do país, que é Tel-Aviv. Muita complicada a situação, pois Israel a reivindica como sua capital, pois foi a cidade escolhida pelo rei Davi para sede do reino unido de Israel. Ali, seu filho, o grande rei Salomão, ergueu o Grande Templo, depois destruído, e cuja única muralha em pé é o principal lugar de orações do povo judeu, o “Muro das lamentações”. É sempre tenso caminhar pelas ruas milenares da cidade antiga, dividida nos bairros armênio, judeu, cristão e árabe. Essa parte antiga foi declarada “Patrimônio da Humanidade” pela Unesco, em 1981, mas corre risco de preservação, pois a cidade cresceu muito fora dos muros antigos e essa parte antiga, pela importância histórica que possui, e pelos conflitos religiosos, é sempre perigosa. Para se visitar a mesquita Al Aksa e o Domo da Rocha, por exemplo, tem-se de passar por severo controle do exército israelense, pois a mesma entrada também leva ao Muro das Lamentações.

A Jerusalém moderna é cheia de hotéis, um metrô de superfície foi feito exatamente no local que separava as duas divisões de Jerusalém, e tive a oportunidade de estar na inauguração dessa modernidade, na minha segunda visita a Jerusalém, quando acompanhei um grupo de oitenta brasileiros, a maioria da religião evangélica, em 2011. Foi uma viagem maravilhosa, embora cansativa para mim, pois também era líder de grupo de turismo e atravessamos Israel de sul a norte, entrando pelo Egito, em Eilat, no golfo de Ácaba.

De lá, passamos pelo Mar Morto e por Jerusalém, sem parar aí, até Tel-Aviv. Só depois de visitarmos Nazaré, Haifa e irmos até a fronteira com a Síria, ao nordeste, paramos em Jerusalém, a cereja do bolo para todo turista ou peregrino que vai a Jerusalém. É claro que qualquer cristão que vai a Jerusalém quer conhecer os sítios históricos que lembram a paixão, morte e ressurreição de Cristo, como o Horto das Oliveiras, as várias igrejas construídas nos lugares ditos sagrados, sendo a principal a Igreja construída onde se supõe ter sido crucificado; no entanto, para os evangélicos, o local é outro: uma gruta em forma de caveira,”Gólgota”, fora dos muros da cidade antiga. Independente de qualquer que seja a religião, Jerusalém é uma das cidades mais interessantes para se visitar. Hoje, as ruas centenárias da antiga “Via Sacra”, estão repletas de lojas e de comerciantes que vendem tudo. Claro, a religião vive do comércio da fé de seus crentes. Mas Jerusalém tem também sua parte profana, bares e restaurantes, onde se pode apreciar uma boa cerveja, apreciar a boa culinária árabe e judia, muito parecidas, visitar os museus e teatros da cidade. É indispensável uma visita ao Museu do Holocausto, onde se pode comprovar e se comover com os horrores nazistas contra os judeus na segunda guerra mundial. As fotos que se seguem são de minha terceira viagem a Jerusalém, quando pude levar a esposa a essa cidade tão especial, conforme lhe tinha prometido.

Bali, a ilha sagrada dos deuses

Confesso que um dos destinos turísticos mais fascinantes do mundo é a ilha de Bali, na Indonésia. Claro que ela não é mais a mesma ilha que conheci há mais de vinte anos, quando estive lá pela primeira vez e me encantei por sua simplicidade, por sua religiosidade, por seu povo. De lá pra cá, Bali se globalizou, redes internacionais de hotelaria ali se fixaram e, hoje, Bali continua sendo um lugar atraente para se visitar mas não mais tão diferente como era. O que fazia de Bali um lugar encantador era o fato de ser uma ilha pequena, entre duas grandes da Indonésia, Java e Sumatra, e ter ficado distante do islamismo que predomina em todo o país, pois a Indonésia é o país com a maior proporção de muçulmanos do mundo. Em Bali, o povo era (ou é) animista, acredita em deuses diversos para os quais se tinha de oferecer oferendas, ao final de cada dia. Cada casa tinha (tem?) um templo e à frente de cada loja um despacho. Não tive tempo de comprovar se isso se mantinha, pois dessa vez só passei ali um dia e Denpasar, a capital da ilha, tornou-se uma cidade comum a tantas outras da Ásia: cadeias de fast food, trânsito engarrafado, poluição ambiental, ambição materialista para vender o que quer que seja ao turista que ali chega atraído por suas belezas. É claro que elas ainda existem: praias lindas, belas ondas para os surfistas e uma atmosfera que encanta, sobretudo ao turista australiano que ali acorre aos milhares. Afinal, Bali está a um passo da Austrália, país que está longe de tudo.

Chegamos a Bali cedo, o hotel estava cheio e não havia ainda quarto disponível. Sem problemas. Foi só trocar a roupa no banheiro, colocar a sunga e sair pra praia, a poucos metros do local, deixando a bagagem na recepção. A ideia era curtir uma praia e comer alguma coisa até a hora do check-in no hotel. Estávamos em Kuta beach, a praia central da ilha, a mais frequentada e, por isso, a mais poluída. Bom, estávamos em Bali e não podíamos ficar reclamando do esgoto em natura despejado no mar, da falta de coleta de lixo e essas coisas a que estamos acostumados por aqui. O jeito era deitar e relaxar, afinal estávamos chegando de um voo noturno e o corpo precisava descanso. Nada melhor do que uma massagem na praia, pelas mãos das idosas balinesas, que fazem isso melhor do que ninguém. Pelo menos era isso o que eu lembrava, da primeira vez em que estive ali. E ainda não falta esse serviço na praia. Contratamos duas e ali mesmo, na areia, começamos a sonhar sob os efeitos das mãos terapêuticas daquelas senhoras. Só que, agora, elas também não se desgrudam do celular: faziam a massagem com uma mão, às vezes duas, e o celular grudado no pescoço e nos ouvidos, atendendo a clientes ou simplesmente proseando com as amigas, os filhos etc. conforme virou praga no mundo inteiro. Confesso que a vontade era mandá-la parar ou desligar o celular, mas como fazer isso na língua delas ou no parco inglês com que nos comunicávamos? Além do mais, seria rude, pois, no mundo todo, a presença virtual tornou-se prioridade ante a real. Fazer o quê? Relaxa e dorme, foi o que fizemos. Depois, voltamos ao hotel, almoçamos num bom restaurante italiano na rua, comida internacional e saudável, nada de arriscar naquele calorão, passamos o resto do dia na praia para vermos o pôr do sol em Kuta. Bali está na linha do Equador e o pôr do sol é, religiosamente, às 18h, quando todos, turistas e locais, se sentam na areia e se preparam para ver e aplaudir o inesquecível espetáculo da bola de fogo engolida pelo mar. Ah, Bali, perdeu muito a magia de quando a conheci, mas não deixa ainda de ser um dos lugares mais encantadores do mundo.

O templo de Borobudur, na Indonésia

Havia negociado com meu amigo e companheiro de viagem Marcelo que assistiria ao Grande Prêmio de Fórmula I em Singapura com ele, mas, em troca, ele iria à ilha de Java comigo para visitarmos o templo de Borobudur. Ele, como a maioria dos brasileiros, desconhecia a existência de tal lugar e lá fomos nós. Após um voo tranquilo de Singapura a Yogiakarta, sobrevoando os inúmeros vulcões da Indonésia, constatamos, na chegada, a receptividade e a boa-vontade dos habitantes daquele país. Alugamos um carro, com motorista-guia, que nos levaria ao hotel e, no dia seguinte, nos levaria aos principais pontos turísticos, incluindo, é claro, a visita ao famoso templo, por incríveis vinte dólares por pessoa. A Indonésia é um país muito barato para o turismo. Um hotel de quatro estrelas não custa mais do que 50 dólares a diária para duas pessoas. O hotel era bem localizado, no centro, e logo saímos para visitar o comércio e o palácio do sultão, o principal ponto turístico da cidade. Fomos de riquixá, para não perdermos muito tempo, mas confesso que tive pena daquele homem tão franzino pedalando para carregar dois marmanjos com uns 90 quilos cada. O que surpreende, na Indonésia, é que, apesar da pobreza da população, não se constata nenhuma violência, roubo, assalto ou morte.  E é muito barato para os que gostam de comprar também, visto que muitas roupas de grife têm ali suas fábricas.

No dia seguinte, o motorista estava no horário combinado para visitarmos alguns pontos turísticos da região, dentre os quais o famoso templo budista de Borobudur, considerado o maior templo budista do mundo. Localiza-se no vale do Kedu, região de Mageland, no sudeste da ilha de Java, aproximadamente a 40 km a noroeste da cidade de Yogyakarta, um dos principais centros da cultura javanesa tradicional. É a mais importante e visitada atração turística do país e me interessei por visitá-la quando visitei os templos de Angkor Wat, no Camboja. Borobudur foi construído no século VIII, originalmente como um templo hindu. Posteriormente, sua construção foi continuada como um (a) estupa budista. Aos que não sabem, estupa, palavra que vem do sânscrito ‘stupa’, significa monumento budista para guardar relíquias, comemorar um evento religioso importante ou marcar o caráter sagrado de algum lugar.Geralmente, é formado por uma grande cúpula sobre base quadrangular, encimada por balcão e cercada por balaustradas. Com a chegada do islamismo à ilha de Java, Borobudur foi esquecido e abandonado nos séculos seguintes. Envolvido pela selva, foi redescoberto em 1814 por colonos ingleses e restaurado pelo Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, em 1991, que o inscreveu como um dos oito sítios mundiais reconhecidos pela Unesco na Indonésia, o país das mil ilhas. Próximo àquele lugar, há um grande vulcão,o Merapi, que provocou grande estrago em passado recente. O guia sugeriu um passeio à cratera do vulcão, mas não quisemos arriscar. Só a visita ao templo já valeu a viagem. Próximo destino: Bali.

 

 

 

Singapura e o Grande Prêmio de Fórmula I

Desde a primeira vez que fui a Singapura, há vinte anos, surpreendeu-me aquela cidade-estado, tão pequena, tão moderna, tão civilizada. De lá para cá, a cidade só evoluiu, é um dos tigres asiáticos e um modelo para o mundo, de limpeza, de progresso e de civilização. É claro que tudo isso tem um preço: leis severas, repressão, liberdade restrita, alto custo de vida. Uma pequena infração lá pode custar anos de cadeia ou até a própria vida, como o tráfico de droga. Volto, agora, a Singapura, acompanhando um amigo que, de férias, foi visitar outros amigos, na Malásia. De lá, aproveitaríamos para ir assistir ao Grande Prêmio de Fórmula I de Singapura, o único a se realizar à noite, naquele ano. Atualmente, parece que o de Abu Dhabi também é noturno, por causa do calor. Singapura situa-se na linha do Equador e possui altas temperaturas. Não é fácil viver ali sem ar-condicionado. Por isso, a cidade é também arborizada e possui um dos melhores hortos florestais do mundo, tradição herdada dos ingleses, seus colonizadores.

 

Saímos de Johor Baru, na Malásia, depois do almoço e, uma hora depois, ou menos, estávamos na fronteira com Singapura. Antes, passamos num mercado de posto e compramos cerveja e alguma coisa para comermos durante a corrida, visto que tudo em Singapura é muito caro. Mal sabíamos nós que perderíamos tudo, pois a revista não deixa passar nada de comer ou beber lá dentro, exceto água. A entrada em Singapura foi tranquila, o visto é concedido na fronteira, sem burocracia, e logo estávamos estacionando no shopping onde se entregavam as credenciais compradas pela internet. Depois, era só atravessar a rua, e já se estava na fila para adentrar o recinto da corrida. Longa fila, mas logo chegou nossa vez, ficaram com nossas biritas e lá dentro tivemos de pagar dez dólares deles, mais ou menos uns vinte reais, por um copo de cerveja quente. Nosso ingresso dava direito a circular, não era lugar fixo. O pessoal achava mais divertido ficar correndo pra lá e pra cá, seguindo os barulhos dos roncos dos motores, mas eu não via nada, a não ser nos telões espalhados pela pista e sem o Galvão pra narrar. Um calor manauara, muita gente jovem e eu ali, sem entender nada do que acontecia, só curtindo aquele momento que nunca mais se repetirá. A cidade à noite é linda, o skyline de Singapura um dos mais belos do mundo, pareceu-me tudo uma atmosfera de sonho, ou pesadelo, pois todas as sensações se confundiam. Cansado de correr atrás dos jovens companheiros, bem mais novos do que eu, sentei-me a aguardei o fim da corrida, quando ocorre um espetáculo de luzes, para mim, o mais belo momento daquela noite. Já quase meia-noite, resolvemos comer alguma coisa, ali dentro mesmo, mas onde? Tudo lotado. Com dificuldade, conseguimos um lugar que nos servisse um sanduíche, mas, para nossa tristeza, um hambúrguer de carneiro horrivelmente apimentado. Como a fome era negra, mandei ver, molhando a pimenta com uma coca mais ou menos quente. Depois, pegamos o carro no estacionamento e nossos amigos nos deixaram no aeroporto, pois nosso voo para Yogiakarta seria na manhã seguinte. Passamos o resto da noite no banco do aeroporto até o dia amanhecer, quando conseguimos a surpresa de tomar um café da manhã continental por um dólar americano, coisa rara e difícil num país onde tudo é caro e estávamos prontos para voar pela Air Ásia, uma companhia de baixo custo, até a Indonésia, onde visitaríamos o templo budista  de Borobudur, um dos mais bonitos do mundo e patrimônio da humanidade.