Astana, capital do Cazaquistão, cidade da Paz

Depois de um longo voo do Brasil até Istambul, e daí até Astana (fala-se Astaná), chegamos ao Cazaquistão. Um senhor muito elegante nos pegou no aeroporto para nos levar ao hotel. Só que ele só falava russo e cazaco. Essa foi a nossa primeira surpresa, no país. O inglês, língua universal de comunicação, não é utilizado nos três países da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas a que fomos, com exceção nos hotéis das grandes redes americanas. A solução para se comunicar é o Google translator. Todos o usam com facilidade. O hotel era muito bem localizado, muito próximo à Ópera, um edifício imenso, em estilo clássico, no coração da cidade.

Astana é uma cidade ampla, planejada para ser a nova capital do país, em franco desenvolvimento, em substituição a Almaty, a antiga capital, antes chamada Alma-Ata, cidade montanhosa e quase na fronteira com o Quirguistão. Passou a ser a capital do Cazaquistão em 1997, e ogo se tornou a segunda maior cidade do país, o nono maior do mundo em extensão. Localizada no norte do país, às margens do rio Ishim, destaca-se por sua arquitetura futurista e por ser uma das capitais mais jovens e de crescimento mais rápido do mundo. Possui uma arquitetura futurista, toda planejada pelo arquiteto japonês Kisho Kurokawa, e a paisagem urbana é dominada por prédios modernos, arranha-céus. Monumentos colossais e grande áreas verdes. Seu principal símbolo é o Baiterek, uma torre de observação que oferece vistas panorâmicas de toda a capital.

Depois de um breve descanso pela manhã, e logo pudemos sentir a hospitalidade do povo, pois nos foi permitido check-in antecipado e café da manhã sem custo adicional, fomos conhecer os arredores do hotel. Primeiro, a ópera, considerada a terceira maior do mundo, com 1.500 lugares. Foi inaugurada em 2013, a um custo de 300 milhões de dólares. Emprega cerca de mil pessoas, dentre corpo de baile, músicos e funcionários diversos. Dali, fomos a um shopping nos arredores, onde trocamos dinheiro para a moeda local, o tengue, no câmbio de 1 dólar=470 tengues. Não é um país caro. Pode-se comer razoavelmente por dez dólares. Há de se tomar cuidado com os entregadores de comida, essa febre mundial. Circulam por todo lado, nas vias de pedestres, juntamente com os andadores de patinete, a toda velocidade. Não vimos as perigosas bicicletas elétricas, que tantos acidentes provocam por aqui, mas devem estar a caminho.

Mais uma vez fomos salvos pelo tradutor do Google, pois fomos almoçar em um restaurante no shopping, cujo cardápio era em russo. Logo, a atendente o fotografou e o converteu em inglês, facilitando-nos a escolha do prato. O problema é que queríamos beber uma cerveja ou vinho e não se vende bebida alcoólica em bares e restaurantes populares. Como era em um shopping, fui ao supermercado embaixo, comprei um vinho da Geórgia e pudemos bebê-lo sem problema, se a garrafa não ficar à vista. Consideram crime expor álcool a muçulmanos, sobretudo a mulheres e crianças. Saciados, fomos circular pelo shopping. Entrei numa loja que vendia caviar, 80 dólares um vidrinho de 50g do negro, de ovas de esturjão. O de salmão é mais barato, mas menos apreciado. Degustei, mas não comprei. Daí, fomos ao shopping Khan Shatyr, construído em forma de tenda, lotado pelos locais.

No outro dia, pela manhã, chegou a guia Rigina Syssoyeva, uma professora na Faculdade de Relações Internacionais, fluente também em espanhol. Casada com um padre ortodoxo, tinha uma filhinha de 11 meses, que levou no jantar de despedida, por não ter com quem a deixar. Nesse primeiro dia, começamos com uma caminhada às margens do rio Ishim, que corta a cidade, dividindo-a em duas partes. Astana se localiza no centro do país, numa estepe muito plana e semiárida, daí a importância do rio Ishim. Os bairros mais antigos ficam ao norte do rio e os mais novos, ao sul. Quinze pontes unem as duas partes, algumas delas bem futuristas. Depois, fomos à torre Baiterek, de onde se pode avistar os principais edifícios, a Praça da Independência, o Palácio do Governo e o Parlamento. Fomos a uma das maiores mesquitas da Ásia Central, a Hazret Sultan, a uma outra mais central e à igreja ortodoxa da Ascensão. Almoçamos e, à tarde, visitamos o Palácio da Paz e da Concórdia, construído em forma de pirâmide, uma obra-prima do arquiteto inglês Norman Foster. Jantamos com a guia, em um restaurante, onde experimentamos os pratos locais. Astana é chamada “Cidade da Paz” e, para mim, uma das capitais mais bonitas do mundo.

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