Cruzeiro em Cuba

Já fui a Cuba em diferentes ocasiões. A primeira vez foi em janeiro de 1986, para um Encontro de Professores para um Mundo Melhor. Naquela época, Cuba era totalmente dependente da URSS e pude comprovar isso em todos os lugares e ocasiões. Depois, voltei em 1994, quando o país passava por uma crise danada e mal tinha comida para servir aos turistas que haviam pagado por isso. Foi uma semana de aflições e até a volta para casa foi tumultuada, pois a agência não tinha confirmado nosso voo de volta e, quando chegamos ao aeroporto de Havana, milhares de pessoas disputavam a tapa o voo para Caracas. Tivemos de entrar na confusão e aos berros e empurrões conseguimos embarcar de volta. Ao chegarmos a Caracas, pudemos comer à vontade e nos sentirmos livres de novo. Agora, nem pensar em passar por Caracas. Tentei isso o ano passado, quando nosso navio parou em La Guaira, mas ninguém nos respondeu ir. A situação da Venezuela é um verdadeiro caos, político, econômico e social.

No ano passado, fui a Cuba de novo, para um cruzeiro que percorria toda a ilha, saindo de Havana, passando por diferentes lugares daquela ilha fantástica como Santiago de Cuba, a segunda maior cidade do país, terra do Fidel, Cienfuegos, uma cidade que é uma verdadeira joia, pois conserva o estilo art nouveau em que foi feita, de onde pudemos ir, de táxi, a Trinidad, cidade colonial, umas das sete mais antigas de Cuba e das Américas.  Foi uma viagem incrível, pois em Cuba voltamos ao passado. Os carros antigos, as casas, a impossibilidade de usar a internet e de saber as notícias do mundo, tudo é como se aquela ilha, a maior do caribe, tivesse parado no tempo. O povo cubano é amável, a comida é boa, tudo lembra a Bahia. As praias são espetaculares e há cadeias de hotéis internacionais nos principais balneários. No entanto, tudo tem  de ser encarado ao jeito cubano, pois lá eles não têm pressa, não estão acostumados com a concorrência, não conhecem o estresse da vida capitalista.

Havana por si só já vale a visita. É uma das cidades mais interessantes do mundo, por sua arquitetura única, herança do colonialismo espanhol. É claro que muita coisa está em ruínas, o Capitólio estava em restauração e tudo lá é muito devagar, ao ritmo cubano. É um dos povos mais musicais do mundo e por toda parte, pode-se encontrar gente tocando, cantando, dançando, tentando se virar nos trinta para ganhar alguns trocados do turista. E esse me parece o maior problema do país, pois em sua passagem do comunismo soviético para o capitalismo, tudo é valor de troca, tudo é oferecido aos turistas, incluindo as belas e os belos cubanos. Não se espantem com a pouca luminosidade das cidades, a escuridão das ruas, o assédio constante. É um país sem violência. É claro que não se pode dar mole, pois furto há em todas as partes, mas nada comparado ao que vivemos por aqui.

PS: As fotos do post anterior também são de Cuba.

 

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