A costa amalfitana

Sem dúvida, é um dos lugares mais bonitos do mundo e merece a fama que possui. Já fui à Itália várias vezes e, desde a primeira, em 1988, visitei Nápoles, Capri, Pompeia, os principais pontos turísticos daquela região. Dessa vez, pude fazer um passeio sempre elogiado, mas nunca realizado, a costa amalfitana, passando por Sorrento, a bela cidade do outro lado do golfo de Nápoles, passando por Positano, Praiano, até chegar a Amalfi, numa estrada estreita, construída sobre o penhasco à beira-mar e onde os carros se espremem e passam, milagrosamente. Confesso que, após ser conduzido pelo Marco, o motorista italiano do ônibus turístico que nos conduziu sãos e salvos naquele percurso impressionante, não tenho mais coragem de afirmar que sou motorista. A nossa sorte é que esse caminho foi feito em final de outubro, quando o movimento de verão já não mais existia. Durante os meses de junho a setembro, é praticamente impossível trafegar por ali com carro grande. Para nossa sorte, pegamos um belo dia de sol, uma temperatura agradável em torno de vinte graus e tivemos tempo suficiente para visitar os principais lugares sem muitos turistas, sem correria e sem filas. Começamos por Sorrento, e fomos até a Praça Tasso, coração da cidade, com a estátua do célebre literato, autor de “Jerusalém Libertada”. Dentre as igrejas visitadas, a principal é a Catedral e seu célebre campanário com relógio; depois, passamos pelo monumento  ao abade Santo Antônio, visitamos a igreja de S. francisco e seu claustro e caminhamos um pouco pelo centro histórico. Tiramos as fotos com o Vesúvio ao fundo, a marina e prosseguimos a viagem, aí sim, passando pela célebre “costiera amalfitana”, com seus cerca de 40 Km,até chegarmos a Positano, onde paramos para almoçar. Confesso que o melhor dessa viagem é a paisagem; cada curva, e são milhares, é um deslumbramento. As cidades são todas pequenas e encavaladas nos morros à beira-mar. Os moradores e turistas ali têm de descer e subir a pé, ficando os carros estacionados na já pequena estrada. Não sei como conseguem passar ali durante o verão. Nos pequenos terraços que sobram, plantam videiras, oliveiras e hortaliças, macieiras, pereiras e romãzeiras, aproveitando cada palmo de terra cultivado. Depois de Positano, passamos por Praiano e chegamos a Amalfi, a mais célebre cidade da região,e que teve tanta importância na Idade Média quanto Veneza, Gênova e Pisa, cidades-estado. Sua maior atração é a catedral de Santo André, padroeiro da cidade, toda decorada com painéis em cerâmica e sua escada impressionante que leva às portas de bronze trazidas de Constantinopla no século XI. Amalfi foi célebre no passado como centro produtor de papel. Hoje, vive do turismo e é uma joia da Itália, tombada pela Unesco como patrimônio da humanidade, bem como toda costa amalfitana. Confesso que saí com um gostinho de quero mais. Espero, ainda. um dia, voltar à costa amalfitana e poder passar pelo menos um final de semana por lá.

De Axum a Lalibela, na Etiópia

Pouco sabemos da história da ÁFRICA. Nossa informação é toda eurocêntrica e, tirando o Egito, não se estuda, na escola brasileira, a história dos povos e das etnias africanas que constituem grande parte da formação do povo brasileiro, já que Portugal manteve colônias lá por mais de 400 anos e de lá abastecia o continente americano com mão de obra escrava. Comecei a estudar sobre o reino de Axum, depois que li um livro sobre a rota das especiarias. Lá seria o suposto reino de Prestes João, que os portugueses buscavam no oriente, um reino cristão e que lhes daria suporte em suas conquistas, se encontrado fosse. O reino de Axum existiu por mais de mil anos e foi muito importante, pois controlava do planalto norte da Etiópia, com seus vales, lagos e terras férteis, ao estreito do mar Vermelho, que separava a península arábica da África até as terras do atual Yêmen. As ruínas de palácios, estelas funerárias ainda levantadas, tumbas milenares como as dos faraós podem ser visitadas na atual Axum, pequena cidade próxima à fronteira da Eritreia. Naquela região não se fala o amárico, mas o tigril, língua que se assemelha, foneticamente, ao árabe. Em Axum, há o templo de Santa Maria do Ziom que, segundo a tradição, guarda a arca da Aliança, levada de Jerusalém por Menelik, o filho da rainha de Sabá com Salomão. Vigiada por um único guardião até a morte, o “prisioneiro sagrado”, ninguém a pode ver, só o lugar onde está. À noite, quando a brisa refresca aquela região desértica, a população de Axum sai às ruas, para beber cerveja e comer carne, como aqui. Só que o boi fica morto, dependurado à frente das pessoas, que escolhem a carne de sua preferência, a pesam e assam nos braseiros postos à sua frente. No outro dia, pela manhã, passei pelo local, e vi o que sobrou do boi, sem qualquer refrigeração, para ser comido à noite por outros comensais, ou pelos mesmos. Bom apetite!

De lá, fui pra Lalibela, a última cidade que iria visitar na Etiópia. Lalibela foi a segunda capital, após Axum, é famosa por seus templos construídos nas rochas,sobre altas montanhas, durante a idade Média, em torno do século XII. Era a época das guerras contra os muçulmanos e os reis cristãos etíopes construíram Lalibela como uma cidade sagrada para os cristãos que não mais poderiam visitar Jerusalém, tomada pelos turcos otomanos. Lalibela possui onze igrejas construídas sobre pedras, impressionantes obras de engenharia e de arquitetura, todas decoradas com afrescos, murais e repletas de tesouros acumulados em séculos de existência. Patrimônio da Humanidade, tombada pela UNESCO como uma das maravilhas da humanidade, Lalibela é visitada por turistas europeus, sobretudo alemães, que admiram as obras artísticas ao redor do mundo. Encontrei-os às centenas por lá, eu, o único brasileiro, povo não muito dado a visitas culturais. Estão todos shopeando em Miami ou chopeando nas praias do Nordeste.

O problema é que, na primeira igreja em que entrei, pisei num buraco, oculto sob um tapete e quebrei o pé esquerdo. Ouvi um estalo, senti uma dor muito forte, tive vômito e sensação de desmaio. Nunca havia quebrado nada antes, mas senti, claramente, que aquela tinha sido a primeira vez. No programa daquele dia, teria de visitar mais cinco igrejas e o fiz, mesmo sob intensa dor. Só após a visita, fui a um hospital público, o único aberto, pois era domingo. Fui bem atendido pelos jovens paramédicos etíopes, mas o obsoleto aparelho de raios-x não detectou a fratura. Só quatro dias depois, chegaria ao Brasil. Imagine a viagem de volta, 22 horas de voo e esperas em aeroporto. Sobrevivi para contar. Mas, valeu a pena. Espero, um dia, voltar à Etiópia e visitar os povos do vale do Omo, dentre outros.

Etiópia, berço da humanidade

Há pouco tempo, li o livro “Luzes da África”, de Haroldo Castro, que faz uma viagem com o filho da África do Sul ao Sudão, buscando mostrar o que a África tem de belo, interessante e importante para a humanidade. Fiquei impressionado com o parágrafo “Segundo os parâmetros do Banco Mundial, estou em um dos países mais pobres do mundo. Mas, se os indicadores artísticos e espirituais pudessem ser computados, a Etiópia seria considerada uma das nações mais ricas do planeta” (p.377). Foi  com essa referência na cabeça que fui para a Etiópia, uma viagem que só iria confirmar o que tinha lido, ainda que só tivesse conhecido a parte norte do país. Em primeiro lugar, a Etiópia é o berço da humanidade, pois ali foi o “Jardim do Éden”, segundo a Bíblia, o que tem sido confirmado pelos arqueólogos com a descoberta dos mais antigos hominídeos, dentre os quais a famosa Lucy, que podem ser visitados no Museu Arqueológico Nacional, em Addis Abeba.

Após uma pequena parada na capital, uma moderna cidade com uma cara árabe-africana e um clima belo-horizontino, fui para Bahir Dar, cidade turística às margens do lago Tana. De lá, pode-se atravessar o lago para visitar alguns dos mosteiros centenários à sua margem e, enquanto se navega em pequenas e seguras embarcações, vai-se encontrando, pelo caminho, pequenos barcos de junco com coletores de madeira que a comercializam na cidade. São barcos muito parecidos com os que vi no Titicaca, há muitos anos. Só não faz tanto frio, pois a altitude é menor, pouco menos de 2.000m. Desde o avião, pode-se ver como a Etiópia possui altas montanhas, algumas chegando a 4.500m como a Dashen, que também é nome de uma boa cerveja de lá, vales profundos, lagos, florestas selvagens e desertos. É um país africano bem diferente dos que eu já conhecia, principalmente por ser uma região muito montanhosa e fria. De Bahir Dar, fui até as cascatas do Nilo Azul, um percurso de 32 km, mas em uma estrada muito ruim, cheia de costelas. Jemal, o motorista, me disse que era uma “massagem africana”;  o pior era a poeira, pois estava muito seco e cada carro por que passávamos levantava uma nuvem de pó que tínhamos de engolir. Pelo caminho, muita gente pela estrada, pequenos pastores com seus rebanhos de carneiros, cabritos, jegues e vacas, a maioria vestida em lenços que, um dia, devem ter sido brancos. Meninos aravam a terra com charruas pré-históricas puxadas por bois, para plantar, quando chover, a comida de subsistência. Lá, uma decepção, pois o rio estava bem seco, a deslumbrante cascata da foto não passava de um filete d’água escorrendo nas pedras. Passamos por uma ponte de pedra feita pelos portugueses, há 400 anos, e outra recém-construída pelos suíços sobre o cânion por onde passa o esquálido rio que será, no Egito, o gigantesco Nilo.

No outro dia, seguimos, por terra, de Bahir Dahr a Gondar, a cidade dos castelos, um percurso de 180 km feito em menos de três horas, pois a estrada é boa, recém-pavimentada pelos chineses. Pelo caminho, passamos por pequenas cidades repletas de gentes coloridas, muitos rebanhos e pastores pelas estradas, mulheres vendendo galos garnisés, muita gente pedindo carona, uma profusão de cores e de sons proferidos numa língua tão antiga quanto o hebreu e o árabe, o amárico, de difícil aprendizado. “Olá”, para eles é “Tenayestellegne”; “Obrigado”, “Amesegnalehu”. Muito difícil para o turista! Por isso, todos estudam inglês, na escola, e as crianças vêm conversar com os “farangi”, para treinar a língua, e, quem sabe, ganhar alguma lembrança ou comida diferente. O etíope é um povo hospitaleiro, amistoso, orgulhoso de sua cultura e nem um pouco violento. Saí de lá encantado com o povo e o país.

Cuba, Venezuela, Brasil

A primeira vez que fui a Cuba foi em janeiro de 1986, num congresso de professores. O país era dependente da URSS e, mais do que as maravilhas que apregoavam ter feito na educação, o que senti mesmo foi a falta de liberdade do povo para dizer o que pensava do regime, a falta de tudo no mercado, exceto livros na principal livraria de Havana, e o medo que a todos contaminava. Um cara de fuinha me acompanhou o tempo todo e até hoje ainda tenho pesadelo com aquele perdigueiro estalinista. Voltei a Cuba, em 1993, a URSS tinha acabado e Cuba estava à beira do caos social e econômico. A válvula de escape foi a liberação do povo e milhares de cubanos escaparam da ilha-prisão, a maioria para os EUA. Nem livros encontrei mais em Havana. “La Moderna Poesía” tinha virado uma loja fantasma, como todas as outras da cidade. O escritor Pedro Juan Gutierrez deixou memoráveis narrativas daqueles tempos de miséria, em sua “trilogia suja de Havana”, em que as pessoas vendem charutos contrabandeados e a si mesmos aos turistas. Quando saímos de lá, eu e minha esposa paramos na Venezuela e foi um alívio encontrar comida, respirar liberdade, voltar à realidade conhecida por nós. A Venezuela era o país mais parecido com o Brasil, de todos os que já tinha visitado, pelo povo, pela cultura em geral, sobretudo a comida, pela miscigenação étnica, pelas diferenças sociais, pela sedução capitalista. Voltei a Cuba, em 1997, com meu filho, a caminho da Jamaica. São dois países muito diferentes, pelos modelos políticos que têm, mas muito parecidos na miséria em que vive o povo. Um, explorado pelo capitalismo, o outro iludido pela ladainha socialista. Há de se encontrar um meio termo e essa terceira via me parece a que alcançaram os países democratas com uma legislação socializante, como a dos escandinavos, sem ditadura de qualquer tipo. A liberdade de opinião, de crença, de ir e vir, devem ser a base de todo regime democrático. O contrário é a ditadura da opinião única, da vontade soberana, da imposição de ideias, da contestação à divergência.

Volto, agora, à Venezuela, e mal consigo entrar no país. A antes bela cidade de Caracas, crescida num vale entre montanhas e que antes só perdia a beleza para as suas mulheres, sempre finalistas nos concursos de “Miss Universo”, tornou-se uma das cidades mais perigosas do mundo, totalmente favelizada, suja, decadente, dominada por marginais e por gente que vive de subsídios do governo, e não trabalha; por isso, rouba, assalta, mata. O país está politicamente dividido, como aqui, e pouco mais da metade da população legitima, nas urnas, a república bolivariana implantada por Chávez, há vinte anos, sustentada por uma intensa propaganda ideológica e uma divisão criada entre os venezuelanos entre “nós”, os que apoiam o governo” e os “outros”, os que são contra. Conversei com venezuelanos da classe média, que me contaram sobre as filas para se conseguir produtos básicos de sobrevivência, como o óleo de cozinha, o feijão, a carne, sobre a desvalorização do bolívar e sobre as milícias criadas pelo governo para se autossustentar. Em todo país, há monumentos dedicados a Chávez, dizeres como “Antes, lacaios do imperialismo; hoje, líderes do Mercosul”, fotos de Chávez com Lula e Dilma e apologias ao regime que implantaram lá. O povo venezuelano está até sem papel higiênico, produto raríssimo no país. Tão raro que o vi numa loja do free shopping de La Gayra. Corríamos o risco de o Brasil virar uma nova Cuba e Venezuela.  e de nosso verde e amarelo  ser substituído pelo vermelho bolivariano. Parece que, por enquanto, estamos salvos do pesadelo petista. Foi o que mostraram as urnas nas últimas eleições. (As fotos abaixo são de Havana, em 2015)

Puerto Valarta, México

O México é sempre um país muito agradável para visitar. Os norte-americanos são os maiores impulsionadores do turismo mexicano e foram eles que deram visibilidade mundial, negativa e positivamente, à cultura mexicana e aos seus estereótipos. Quem não se lembra dos filmes que celebraram Acapulco como destino ideal de férias de verão e os personagens mexicanos como bandidos nos  filmes de western? Mas o México é muito mais do que isso e vejo muita aproximação entre mexicanos e brasileiros. São  povos de cultura mestiça, embora lá não exista tanta influência negra como aqui. Há a forte presença do catolicismo, em ambos, e uma base étnica e cultural nativa forte nops dois países.

Estive nos México algumas vezes. A primeira vez foi em Cancun, o paraíso turístico criado pela indústria turística na península de Yucatã, uma das sedes do poderoso império maia, antes da chegada dos colonizadores espanhóis. Cancun é um dos lugares de praia mais lindos do mundo, por suas praias, pela proximidade da herança maia ainda presente nas ruínas de Chichén-Itza e Tulum, pelos hoteis e restaurantes sensacionais da península, pela alegria do povo mexicano, por tudo enfim. É sempre uma delícia passar uma semana ali, visitar Cozumel, Xel-Rá e outros paraísos naturais e artificiais ali existentes para deleite dos milhares de turistas que ali estão o ano todo. Há o perigo dos tufões, sobretudo na segunda metade do ano, mas perigo há em toda parte e ninguém deixa de viajar por isso. O que seria das viagens sem os imprevistos. ocasionalmente? Eles dão sabor de aventura a roteiros previamente planejados.

Há muitos cruzeiros que vão ao México, tanto passando pela costa leste, onde está Cancún, quanto pela costa oeste, onde se situa Acapulco, hoje um tanto decadente, e outros destinos de férias sobretudo de norte-americanos. Visitei um desses paraísos, Puerto Vallarta, uma cidade muito bonita, muito agradável, com belas praias, bons restaurantes, boa infraestrutura para conhecer um pouco do México e apreciar a gentileza mexicana. Veja as imagens e por que vale a pena conhecer esse paraíso turístico mexicano.

 

Paracas, Pisco, Peru

O Peru não é só Lima e Macchu Picchu. É um país encantador e tanto se pode conhecer suas belezas e atrações turísticas na parte alta do país, na cordilheira dos Andes, quanto as que se situam no litoral do Pacífico. A primeira vez que fomos ao Peru, em 1986, visitamos Lima e de lá fomos a Cuzco e Macchu Picchu.  Percorremos o Vale Sagrado, conhecendo algumas das dezenas de ruínas pré-espanholas e visitamos algumas aldeias incas ao redor. O Peru vivia um período muito difícil, com guerrilhas e ditadura militar. Saímos de Cuzco para Puno, às margens do Titicaca, passando por Águas Calientes e outras aldeias das montanhas, de trem. Era um visual incrível. Lhamas, cholitos e cholitas (o povo nativo), alpacas, os cumes nevados e a água translúcida do lago Titicaca, que atravessamos até a Bolívia.

Trinta anos depois, voltamos ao Peru, de navio. A primeira parada foi em Paracas, a cerca de 250 km de Lima. De lá, pode-se visitar as cidades de Ica, Pisco, bem próximas, ou ficar em Paracas e ir às Ilhas Ballestas, a principal atração turística local. Essas ilhas são refúgio de aves marinhas, leões marinhos, focas, tartarugas e outros animais e constituem o principal Parque Marinho do Peru, que pode ser visitado de barco, que sai de Paracas ou de Pisco duas ou três vezes ao dia. É uma viagem de cerca de uma hora e além de ver a fauna marinha, sem poder descer do barco, também se veem as formações rochosas, dentre as quais está a mais famosa, a Catedral, parcialmente destruída no terremoto de 2007. Também se avista do mar uma inscrição na rocha chamada “Candelabro”, que se assemelha às inscrições de Nazca, mas não se sabe se foi feito pelo mesmo povo.

O navio parou a cerca de vinte minutos de Paracas e para se chegar lá atravessa-se o deserto, que é uma extensão do deserto de Atacama e vai até o mar. É uma região parecida com a costa da Namíbia, que é também refúgio de aves marinhas. É um lugar muito frio à noite e muito quente e seco de dia. Portanto, tem-se de estar muito bem fisicamente e bem agasalhado para aguentar a variação de temperatura. Na pequena cidade de Paracas, visitamos o pequeno museu, que conta a história daquela região, vimos inúmeros pelicanos junto com os poucos veranistas locais que passavam o dia lá. Paracas é uma boa cidade para se conhecer um lado diferente do Peru, para se experimentar o Pisco, a bebida local, o ceviche ou o linguado, pratos típicos daquela região. Interessante é que “pizco”, na língua quéchua, que era falada pelos incas, significa pássaro. É o que mais vimos por ali, desde a nossa chegada, pela manhã. E ainda assistimos às comemorações do Dia Nacional da cidade de Paracas, com banda, discurso, desfile militar e brinde com pisco.

Coquimbo e La Serena, no Chile

Normalmente, quem vai ao Chile visita Santiago e as cidades gêmeas de Valparaíso e Viña Del Mar, mais próximas da capital. Faz passeios às vinícolas, ao Vale Nevado e, se ficar mais alguns dias por lá, estica até os lagos chilenos, ao sul do país, visitando Puerto Mont e Puerto Varas. Numa segunda viagem, os que gostam de deserto visitam o Atacama, uma das regiões mais belas do mundo para se fotografar. Os que gostam de neve procuram Chilán e outras estações de esqui. O Chile tem de tudo e para todos os gostos. É um dos países mais amados pelos brasileiros; poucos, no entanto, visitam a região de praia de Coquimbo e La Serena, mesmo porque as águas do Pacífico são muito frias pra nós. La Serena é muito apreciada pelos veranistas locais, é a Búzios ou a Guarapari dos chilenos. Situa-se na província de Elqui, na região de Coquimbo, ao norte de Valparaíso.

La Serena é a capital da região de Coquimbo e tem uma população de cerca de 220 mil habitantes. É uma região turística muito importante para o país, sobretudo no verão, por suas extensas praias. La Serena é a segunda cidade mais antiga do Chile, pois foi fundada em 1544, após Santiago. Essa informação é uma surpresa porque, geralmente, se acha que Valparaíso é a mais antiga. Elas são mais ou menos da mesma época, mas Valparaíso demorou mais a se tornar uma cidade pelos constantes ataques dos piratas ingleses. Em Coquimbo, fica o porto de La Serena. Os taxistas cobram vinte dólares para levar 4 pessoas à cidade, que vale a pena ser visitada pelo seu centro histórico bem preservado, com um arquitetura neocolonial caracterizada por casas com varandas, praças bem ajardinadas e igrejas de pedra. La Serena também é um centro universitário e, após o verão, os estudantes da Universidade de La Serena é que dão vida à cidade.

Antes dos espanhóis, a região era habitada pelos diaguitas e um pouco de sua história pode ser conhecida no pequeno museu da cidade. Os nativos resistiram bravamente à colonização espanhola, matando todos eles em 1549, numa revolta, mas foram vencidos pelo capitão Francisco de Aguirre que a refundou com o nome de São Bartolomeu de La Serena. Em 1552, o rei Carlos I concedeu-lhe o título de cidade. O Chile é sempre uma boa surpresa e La Serena/Coquimbo foram mais uma delas.

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Valparaíso, capital cultural e legislativa do Chile

Valparaíso, o maior porto do Chile e sede de sua respeitada armada, vencedora de tantas guerras no passado, é a sede do Congresso nacional chileno. Situa-se a cerca de 120 km da capital, Santiago, percurso que é feito em uma hora por uma moderna rodovia que corta grandes vales de vinhedos, a principal riqueza do Chile. Alguns podem dizer que é o cobre; prefiro os vinhos. Valparaíso é a terceira cidade mais populosa do Chile, atrás de Valparaíso e La Concepción, e a Grande Valparaíso possui cerca de um milhão de habitantes. A cidade tem grande importância histórica, política e cultural para o país, pois é a sede do poder legislativo, possui o comando da Armada, o Serviço Nacional de Aduanas e o Conselho Nacional da Cultura e das Artes. Se não bastasse tudo isso, a área histórica de Valparaíso foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade, em 2003.

Já visitei Valparaíso algumas vezes. A primeira foi em 1986, quando fui com minha esposa e fizemos um percurso histórico pela cidade antiga e depois fomos para Viña Del Mar, famosa pelo Festival da Canção e pelos restaurantes de peixes e frutos do mar. Alguns anos depois, estive lá com meus filhos e fizemos o mesmo percurso, tirando a foto clássica em frente ao relógio de flores da cidade de Viña Del Mar. Outra vez, só passei pelo porto, para embarcar no navio Regal Princess, em janeiro de 2006, e fazer, pela primeira vez, a travessia do Estreito de Magalhães, até chegar a Buenos Aires. Foi uma viagem tão maravilhosa, que resolvemos repeti-la dez anos depois, em janeiro de 2016. Mas, cada viagem é uma história, e a desta vez foi completamente diferente, como já contei em um dos posts anteriores.  Em 2015, tomamos outro navio, o Ruby Princess, em Valparaíso e fomos até Los Angeles, uma viagem maravilhosa de quase três semanas. Além do roteiro sensacional, estávamos acompanhados de um casal amigo que só nos acrescenta e ainda tivemos no Chile a ajuda inestimável do guia Alex, uma pessoa que só engrandece o Chile e os Chilenos.

Nicarágua, país de lagos e vulcões

Sempre quis ir à Nicarágua, o maior país da América Central, mas era difícil incluir esse país em algum roteiro, assim como ainda não fui a El Salvador, o único da América Central que ainda não visitei. Certa vez, indo pra Guatemala, o avião fez uma escala em Manágua e fiquei consternado com a pobreza da cidade vista de cima, pois o terremoto de 1972, com a magnitude de 6,2, destruiu quase completamente a capital, Manágua. Quando passei por lá, o que vi foram milhares de casas rudimentares, com teto de folha de zinco, comuns em nossas favelas. Em 2014, houve um segundo terremoto com a mesma intensidade na Nicarágua, mas com menos destruição. Hoje, a Nicarágua é um país que cresce para o turismo. Os norte-americanos, que, durante muitos anos, foram impedidos de ir a esse país, estão adorando fazer turismo por lá, por suas belezas naturais, sua paralisação no tempo. A Nicarágua,depois que foi tomada pela revolução sandinista, em 1979, se alinhou com a URSS,seguindo Cuba, até que ela se desintegrou, no início da década de 1990. Desde 2007, o ex-guerrilheiro Daniel Ortega é o Presidente da Nicarágua e o culto a ele se assemelha ao de Fidel, em Cuba. Por toda parte se veem cartazes enaltecendo suas obras e sua esposa como os grandes beneficiários do povo. No entanto, o país continua pobre, ainda que não se vejam miseráveis e pedintes como por aqui.

Chegamos ao porto de San Juan Del Sur e contratamos um táxi para nos levar até a capital Manágua, a 200 quilômetros dali, mas o motorista não tinha permissão para entrar na capital. Assim, nos sugeriu conhecer a cidade histórica de Granada, passando por outros lugares turísticos, como o grande lago da Nicarágua. Foi um dia muito agradável, o motorista era muito simpático e compartilhava tudo o que lhe oferecíamos, até a água. No caminho, parava para comprarmos a cerveja local, nos falava da vegetação, dos lugares de interesse e da política do país. Adorava o Ortega e dizia que não poderia haver outro líder melhor, por isso não o substituíam.Fidel, Ortega, Lula, Chávez rezam na mesma cartilha. Mas o ponto alto da visita à Nicarágua foi a cidade de Granada, de que nunca tínhamos ouvido falar até então.

Granada é uma espécie de Ouro Preto da Nicarágua. Localiza-se às margens do lago Cocibolca, na costa oeste do país. É a capital do departamento de mesmo nome, tem cerca de 120 mil habitantes e foi fundada por Francisco Hernandes de Córdoba, em 1524. Foi uma das primeiras cidades fora do litoral fundadas por europeus no continente americano e é considerada um dos vinte e cinco lugares do mundo que não se deve deixar de visitar. Sua arquitetura colonial e neoclássica é bela e bem conservada e vale a pena se perder pelas ruas antigas, parar nas barraquinhas de comida, experimentar os pratos locais, além de visitar o mercado de ‘artesanias’ locais repleto de boas recordações para se trazer de uma cidade tão bonita e de um povo tão gentil.

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Costa Rica, terra dos vulcões

A Costa Rica é um pequeno país da América Central, mas um dos mais interessantes países para visitar, pois contém, em seu pequeno território, uma diversidade de florestas, praias e vulcões, com uma infraestrutura turística bem montada e uma população amável e acolhedora. Estive na Costa Rica, pela primeira vez, em 1997, para um Congresso, juntamente com minha amiga Ester Abreu. Foi uma semana de passeios em San José, a simpática capital e arredores e uma excursão ao vulcão Arenal, onde tomamos banho nas águas calientes e sulfurosas que só nos fizeram bem. Ester é excelente companheira de viagem, pois, embora já tenha idade bem avançada, topa tudo. É companheira para todos os atropelos de uma viagem por países desconhecidos e uma conhecedora profunda da língua, da literatura e da cultura hispânica. A comida da Costa Rica é muito saborosa, parecida com a nossa, e o país é um dos mais pacíficos do mundo, pois nem exército possui.

Em 2015, estive na Costa Rica, novamente, de passagem, num navio de cruzeiro, que fez uma parada lá, no caminho para Los Angeles. Éramos quatro e nos agregamos a outros oito brasileiros mais para alugarmos uma van que nos levasse até San José, com uma parada no vulcão Azur, o mais próximo da capital. A condutora e seu filho, Roberto Carlos, em homenagem ao cantor capixaba, faziam esse serviço, mas não conheciam bem o caminho. Foram muitas idas e vindas até chegarmos ao parque nacional do vulcão Azur. Saímos do litoral com uma temperatura de 30ºC e chegamos lá, a mais de 2 mil metros de altitude, com uma temperatura em torno de 10ºC e uma sensação térmica de menor temperatura, pelo vento. Para nossa surpresa e decepção, ao chegarmos à cratera do vulcão imenso, tudo estava coberto por uma névoa e nada se via. Foi uma decepção geral, mas o filho da motorista viu pela internet do celular, que o tempo se abriria em poucos minutos. Alguns não resistiram ao frio, pois estavam mal agasalhados, mas nós ficamos e pudemos apreciar, por alguns segundos, um dos maiores espetáculos da terra: um imenso lago azul, ao lado do fogo do vulcão em atividade. Vejam as fotos.

Fizemos um lanche na lanchonete do parque e prosseguimos viagem para San Josè, chegando até o aeroporto, bem próximo do centro. O trânsito estava muito congestionado, pois outro vulcão, o Vila Rica, tinha entrado em erupção e o acesso a San José estava bloqueado, devido à fumaça expelida pelo vulcão. Essa fumaça emite gases tóxicos e só se poderia entrar na cidade com máscaras apropriadas, o que não tínhamos. Já era tarde, o caminho de volta era longo, embora bem mais rápido, o navio zarparia às seis. Só tivemos tempo para tomar uma gelada no pequeno porto de Puntarenas, comprar algumas lembrancinhas e zarpar, mas a imagem dos cafezais da Costa Rica, das plantações de Teca, madeira usada na construção e da cratera do vulcão ficarão para sempre gravadas em nosso memória.