Anguilla e Saint-Barthèlemy, do Caribe!

Anguilla é uma pequena, serena, isolada e especial ilha do Caribe. Está a 8 km de St. Maarten  e tem somente 25 km de comprimento, com um território de 87 km².Por seu formato alongado, foi batizada, segundo consta, por Colombo, pois Anguilla significa enguia, em espanhol. Chove muito pouco na ilha, o solo é improdutivo, com árvores baixas e vegetação escassa, mas as praias de areia branca em volta da ilha são magníficas. Isso faz com que Anguilla seja um pequeno paraíso para os turistas endinheirados que podem passar temporada nos hotéis de luxo e resorts da ilha. Desde 1980, Anguilla é uma possessão inglesa com governo próprio. É um destino exclusivíssimo e seu desenvolvimento é controlado para que se mantenha com suas belezas naturais intocadas. Sua população gira em torno de vinte mil habitantes.

Fui a Anguilla de catamarã, saindo de Saint Maarten, num passeio de um dia, acompanhado de um casal de amigos que fiz lá. Ele, italiano, ela, baiana, mais um grupo de mulheres norte-americanas. A viagem, de pouco mais de uma hora, é puro prazer: bebida e frutas incluídas, mar azul, vento e sol do Caribe. Chega-se a Blowing Point, em Anguilla e de lá toma-se uma van até a praia, passando por The Valley, a pequena capital da ilha.Fomos para Meads Bay, a praia onde passamos o dia, almoçamos, voltando ao entardecer.Há  bares e restaurantes na praia, onde se pode beber e petiscar, se ficar cansado de estar naquela água limpa, morna e calma desse paraíso em forma de enguia.

Do outro lado da ilha de Saint-Maarten está Saint-Barthelèmy, mais conhecida por ser point de ricos e milionários mais espetaculosos do que os frequentadores de Anguilla. Seus moradores a chamam de St.Barths e dizem que foi batizada por Colombo, em 1493.É a única ilha do caribe com um toque sueco em sua maneira de ser e a própria capital, Gustavia, único vilarejo e porto da ilha, é uma homenagem ao rei sueco. Gustavia situa-se num porto protegido de furacões, tem construções pequenas e charmosas como casas de boneca. É a ilha dos ricos e famosos, tem a maior quantidade de iates por metro quadrado do mundo e pode-se encontrar por lá Tom Cruise, Gisele Bündchen, Harrison Ford ou qualquer outro nome famoso do Jet set internacional, principalmente em fevereiro, quando a ilha ferve. St.Barths pertence aos franceses desde 1878, após mais de cem anos de domínio sueco. É uma das poucas ilhas do Caribe em que a maioria da população é de origem caucasiana, e não negra. Os que lá vivem são negros vindos do Haiti e da República Dominicana para trabalhar nas mansões dos milionários ou nos hotéis e restaurantes.

Saí de Philipsburg, capital de Saint-Maarten pela manhã, numa lancha rápida que faz o trajeto até St.Barths em cerca de uma hora. Só que o mar ali é muito agitado e essa lancha rápida é um desconforto para quem enjoa com o mar. Eu, que tenho estômago bem resistente, sofri bastante com as batidas da lancha cruzando as altas ondas. Imagine quem não tem. Ao chegar a Gustavia, deslumbrei-me com os iates ancorados no porto e o belo visual da ilha, com suas mansões elegantes e casas de estilo normando do porto, hoje servindo como restaurantes, pequenos hotéis ou casas de comercio. Logo vi a placa indicando a praia, mas, antes de me dirigir ao lado direito, seguindo a seta, caminhei um pouco para a esquerda e fui até a um pequena enseada, onde havia uma pequena escola de navegação para jovens aprendizes de marinheiro. Não resisti, pois o calor estava forte, dei um pequeno mergulho, tendo encontrado um enorme búzio que fotografei e deixei onde estava. Depois, retornei e fui em direção à praia das conchas indicada pela seta, atravessando a pequena cidade de Gustavia. Lá, nunca tinha visto uma praia com tantas conchas, na verdade, não tinha areia, só conchas, a maioria quebrada pelas ondas. Procurei um refúgio entre as rochas, pois o sol estava muito forte e não havia sombra e me banhei um pouco, mas a sede e a fome apertaram. Belas moças européias faziam top-less. Voltei para o centro e, na esquina, encontrei um bar repleto de turistas e de gente jovem. Acho que era o único lugar barato da ilha, pois a cerveja Heineken estava sendo vendida a 1 euro e sanduíches com batata frita a 5 ou 6. Fazia-se o pedido e esperava-se um pouco, pois o bar estava lotado; depois, seu número era chamado e você ia receber o pedido. Não havia garçom. Bebi 3 ou 4 cervejas, comi meu sanduíche de fritas e aí deu uma lombeira danada, mas onde dormir? Voltei à praia, encontrei um cantinho com sombra e lá fiz minha siesta tranquil

amente, sem me preocupar com nada. À tarde, fui para o centro e lá havia banheiros públicos com chuveiros; banhei-me, tirei a água de sal e ainda fui fazer algumas comprinhas no supermercado e nas lojas de lembrancinhas. Na volta, assisti a um dos mais belos pores de sol a que jamais tinha visto. Na verdade, posso escrever vários crônicas sobre pôr de sol, alguns inesquecíveis como o de Kuta Beach, em Bali, o de Jaisalmer, no deserto de Thar, o do Vale da Lua, no Deserto de Atacama ou esse de Gustavia, em St. Barths. A volta foi mais tranquilla, embora o ar condicionado da lancha estivesse muito frio, para quem tinha passado o dia todo na praia, mas voltei de St. Barths certo de que tinha conhecido um dos lugares mais bonitos e exclusivos do mundo.

 

Albânia: adeus ao passado comunista

Minha maior curiosidade por tudo que iria visitar, na viagem que fiz, pelo leste europeu, era a Albânia. Afinal, ela ficara fechada ao turismo por 45 anos. Quanto mais nos aproximávamos da fronteira Montenegro-Albânia, mais meus olhos percorriam os dois lados da pequena e sinuosa estrada que nos levava ao desconhecido. Saímos da pista bastante razoável do belíssimo litoral montenegrino, logo após a cidade de Bar, e nosso ônibus dobrou à esquerda, sem que percebêssemos qualquer sinalização indicando a Albânia. Começamos a subir por uma estrada cheia de curvas e que mal dava para um veículo. Quanto mais subíamos, mais estreita era a pista e, quando vinha outro veículo, era uma ginástica para passarem os dois. Felizmente, nosso motorista croata, o Marian, era experiente e muito calmo. A paisagem era bucólica e cenas pré-históricas nos mostravam bois arando como há dois mil anos, famílias inteiras cortando e armazenando feno, vacas com chocalhos no pescoço, cabritos e carneiros sendo pastoreados por mulheres que teciam em antigos teares. À medida que nos aproximávamos da fronteira, víamos dezenas de casamatas ou bunkers construídos no meio do nada. Disse-nos o guia, o simpático e competente croata Daniel, que existiam cerca de 700 mil deles construídos pelo ditador Enver Hodja, um paronoico que dominou a Albânia de 1944 a 1985 e a fechou para o mundo. Com isso, a Albânia, tão perto da Itália e da Grécia, se tornou um país pré-histórico, sem estradas para carros, já que só tinha cavalos e carroças. Com o fim do domínio comunista, em 1989, e a volta da democracia, em 1991, tudo mudou e os milhares de albaneses espalhados pelo mundo começaram a enviar dinheiro para reconstruir o país. Hoje, vivem uma febre consumista sem tamanho.

Entramos pela fronteira por Skhoda, uma cidade situada à margem do lago Escutari, uma região montanhosa, e tudo foi muito tranquilo. Nem visto nos foi exigido. Esperamos os passaportes trazidos pelo guia, num restaurante, tomando café e experimentando o bom conhaque local, já dentro da Albânia. Daí até chegarmos a Tirana, a capital,foram umas três horas de viagem, passando por cidades habitadas por ciganos, outras com fortalezas construídas desde os tempos dos ilírios, indústrias abandonadas do período comunista e, mais perto da capital, as pequenas estradas carroçáveis estão sendo reconstruídas para dar passagem às possantes Mercedes que invadem o país. A Albânia é um país de grandes contrastes e as carroças estão sendo substituídas por Mercedes de última geração enviadas por albaneses que trabalham no exterior. O pior é que os atuais motoristas são os ex-carroceiros, que desconhecem qualquer lei de trânsito. É um salve-se quem puder! Nos últimos 20 anos, o país entrou num capitalismo selvagem da pior espécie possível e o capital internacional é bem-vindo de todas as formas. Por todo lado, abrem-se postos de combustível e lava a jato, para atender à febre automobilística que dominou o país.

Albanês não usa mais a sainha plissada, à moda grega, nem o fez, o chapeuzinho à moda turca. Agora, todos querem roupa de grife e, não podendo usar a original, usam as falsificadas pela Camorra, a máfia italiana, de que são os principais operários. A juventude é igual à do mundo todo, fala inglês, come fast-food, ouve e dança Lady Gaga. O país de origem de Madre Teresa de Calcutá, pois, embora tenha nascido em Skopje, na Macedônia, era albanesa, e autoproclamado o primeiro país ateu do mundo, na época do comunismo, dá adeus à pobreza e à miséria do passado, assumiu o materialismo consumista dos tempos hipermodernos, sem ter passado pelo moderno, e quer lavar toda a poeira do passado,  nas dezenas de lava a jato, a desperdiçar água, como os que vimos em todo o país até  a fronteira com a Macedônia.

Ilha da Páscoa, a ilha do fim do mundo

Hoje, 05 de junho, dia mundial do Meio Ambiente, é o momento certo para refletirmos sobre o que estamos fazendo com a nossa casa, o belo e maltratado planeta Terra. É hora de começarmos a agir como o beija-flor da fábula, que tenta apagar o incêndio da floresta: é preciso que cada um faça a sua parte, por menor que seja, se já não for tarde demais para salvar o planeta.

Há vários casos, mundo afora, da morte de uma cultura, da extinção de um povo, por desastre ambiental. Agora, no entanto, corremos o risco da destruição total da raça humana e de todas as espécies do planeta Terra. Será que o conhecimento de algum dos erros do passado não servirá para nos propiciar alguma aprendizagem? Dentre os casos mais conhecidos de fim de uma cultura e de quase extermínio de um povo por destruição ecológica, conta-se o da Ilha da Páscoa, a mais isolada ilha habitada do mundo. Situa-se a 3.760km a oeste do Chile, o país a que pertence desde 1888. Tem 163 quilômetros quadrados e seus antigos habitantes a chamavam de Te Pito o Te Heuna, “umbigo do mundo”, embora seja mais conhecida, sobretudo após o filme de Kevin Coastner, de Rapa Nui, “ilha grande”, expressão usada para designar a população e a língua dos pascoenses.

A Ilha da Páscoa ficou mundialmente conhecida por seus “moais” -nome dado às grandes estátuas feitas com pedra vulcânica, algumas com mais de dez metros de altura- espalhados por toda a ilha. Existem cerca de mil, alguns em pé, outros caídos e muitos abandonados no local onde eram construídos. O que significavam essas estátuas para uma cultura que prosperou há mais de mil anos e estava em quase completa extinção quando foi contatada pelos ocidentais no século XVIII? Não se sabe, precisamente. O que é certo é que a ilha foi colonizada por navegantes polinésios desde 300 d.C. Era fértil e coberta de uma madeira chamada “toromino”, de tronco avermelhado, como o nosso pau-brasil. Assim como este, foi explorada até sua total extinção. Praticantes de queimadas, como os nativos brasileiros, os pascoenses destruíram a vegetação original da il

ha, suas florestas de palmeiras e de coníferas, além da vegetação rasteira. A ilha tornou-se árida, inóspita, sem água potável e sem vida.

Hoje, a Ilha da Páscoa sobrevive do turismo, das lendas, do misticismo de sua cultura original, de suas tabuletas ainda não decifradas, de seus moais contemplando o mar à espera de deuses que virão, quando e de onde? Só Deus sabe. Muitos viajantes aventureiros, como eu, vão a essa ilha do fim do mundo, em busca dos seus mistérios, de suas histórias, para aprendê-las e contá-las. Talvez elas nos sirvam para ensinar algo: a cuidar melhor do nosso planeta, a Mãe Terra, enquanto houver água e vida.

Austrália e Nova Zelândia

Enfim consigo realizar a viagem sonhada há tanto tempo: Austrália e Nova Zelândia. Há muitas dificuldades para nós, brasileiros, chegarmos lá. Primeiro, a distância. São países do outro lado do planeta e uma viagem até lá leva mais de vinte e quatro horas, se contarmos o tempo de escalas, esperas em aeroportos e conexões. Nossa maratona começou em Vitória até Guarulhos, São Paulo. De lá, fomos para Buenos Aires, visto que tinha comprado o bilhete mais barato pela Aerolineas Argentinas. De Buenos Aires, pegamos um voo para Sydney, com escala em Auckland, na Nova Zelândia. O primeiro trecho leva quatorze horas de voo e o segundo, duas. Portanto, são dezesseis horas voando, em seguida, sem contar os trechos já voados de Vitória a Buenos Aires. É muito tempo, sem contar o desconforto do avião, na classe econômica, o mau serviço da companhia escolhida e as horas intermináveis de voo. Para nosso azar, havia várias crianças a bordo e uma delas, um garoto oriental, de uns três anos, chorou a viagem toda, sem que os pais fizessem nada. O pai pegou a criança mais nova, de colo, e foi procurar um assento vago lá atrás, longe do manhoso; a mãe dormia, placidamente, com a paciência dos orientais. Na escala em Auckland, o menino brincava, como se não tivesse incomodado ninguém durante quatorze horas, ou seja, chorava pelo mesmo motivo por que estávamos incomodados: o longo voo e a vontade de sair daquela tortura. Só dormiu nas duas horas finais, quando ninguém conseguiu mais.

A chegada a Sydney foi tranquila; como já tínhamos visto de turista, nenhuma pergunta foi feita, nenhum aborrecimento. A dificuldade foi só entender o inglês australiano, o que começou com o taxista; dali pra frente percebi que a comunicação não seria tão fácil. O hotel escolhido pela internet, Castlereagh, era bom e bem localizado, no centro comercial de Sydney. Dali, pudemos andar a pé por todos os locais turísticos, a torre, a ponte, igrejas, museus, shoppings, sem nenhum problema. O australiano é um povo simpático, bem informal, a cidade é absolutamente segura e linda, uma das mais belas do mundo, pela harmonia entre construções e a natureza. Passamos um domingo na Ópera de Sydney e caminhando pelo Jardim Botânico; depois, assistimos ao campeonato mundial de rugby, quando os australianos perderam para os neozelandeses. Creio que só nós e mais um torcedor isolado torcíamos pelos all backs que venceriam o campeonato, derrotando a França, na partida seguinte. Não sei por que o Brasil não tem uma boa equipe de rugby, visto que é um esporte coletivo, em que os jogadores usam pés e mãos, força e agilidade. Creio ser até mais interessante que o nosso futebol; embora eu não entenda muito as regras do rugby, assisti a duas partidas da fase final e me amarrei nesse esporte, sobretudo ao jogo do time neozelandês, mestiço como os brasileiros e o show de dança maori, no início.

Saímos de Sydney numa segunda-feira para um cruzeiro de duas semanas pela Nova Zelândia e, apesar do mau tempo dos dois primeiros dias, o que nos impediu de fazer a travessia pelos fiordes, chegamos a Dunedin, nossa primeira parada, com o tempo começando a melhorar. Ainda chovia e fazia frio, nessa primeira parada, mas o que não impediu de conhecermos essa bela cidade da ilha do sul, sua charmosa estação ferroviária centenária e o simpático centrinho. Em Aikaroa, já pegamos um tempo excelente, para curtirmos esse pequeno balneário, tipo Búzios, De lá, podia-se ir a Christchurch, para ver os estragos do terremoto do início do ano, mas preferimos ficar por ali mesmo, passeando naquela bucólica cidadezinha. A terceira parada foi em Wellington, a capital do país, cidade muito bonita e com um maravilhoso jardim botânico, onde caminhamos por toda a manhã. A quarta parada foi em Auckland, a maior cidade do país. Lembra Sydney, mas não é tão bonita. Está tomada por orientais. A quinta parada foi em Napier, cidade charmosa, toda reconstruída em estilo art déco, da década de 1930, após ter sido destruída por um terremoto. A sexta parada foi na baía de Tauranga, já bem ao norte do país e a última em Bay of Islands, o lugar onde foi firmado o armistício entre ingleses e maoris, em 1840. A Nova Zelândia é um país lindo, superdesenvolvido, que preserva suas belezas naturais, apesar do progresso que se revela em todas suas construções. É, hoje, um centro de intercâmbios de jovens que vão para lá não só para aprender o idioma, mas também para aprender a conviver, pacificamente, com as diferenças étnicas e culturais. Um belo país que, junto com a Austrália, merece ser visitado mais vezes. Pena que sejam tão distantes para nós.

A caminho da Jordânia

Antes de nos dirigirmos para a Jordânia, voltamos a Damasco e ainda pudemos retornar ao seu grande e milenar mercado, para apreciar uma de suas artes ali realizadas: a da perfumaria. Os perfumistas sírios reproduzem qualquer essência francesa, com uma técnica de longos aprendizados. Só não têm o segredo do fixador, como os franceses, mas o aroma é similar ao dos originais. No dia seguinte, saímos em direção à Jordânia, avistando, bem próximo de Damasco, as colinas de Golan, ainda ocupadas por tropas israelenses, um dos pontos nevrálgicos da guerra entre eles. O dia estava fresco e agradável, mas havia, no ar, a tensão de passar a fronteira.

A saída da Síria nos revelou o grande espetáculo do teatro romano de Bozra, que a guia, Nada, nos apresentou como uma sobremesa de seu país. Segundo ela, tudo o que vimos na Síria, museus, palácios, mesquitas, mosteiros, fortalezas, ruínas de antigas civilizações, equivaleu às várias entradas da tradicional comida síria, apreciada no mundo todo. Aleppo e Palmira foram os pratos principais. O magnífico teatro romano de Bozra, já bem na fronteira com a Jordânia, é o maior e mais bem preservado do mundo, e fechou com chave-de-ouro nossa visita à Síria, esse país de tantas riquezas milenares, mas ainda pouco turístico.

Não fosse o nosso motorista, gordinho e esperto, teria sido maior o suplício de atravessar a fronteira de dois países situados numa região tão belicosa, mas ele, só com gestos, pois só falava árabe, nos indicava o que fazer, resolvendo tudo com muita eficiência e agilidade. Quando nos identificamos como turistas brasileiros, que vínhamos de tão longe para conhecer as maravilhas da Jordânia, sobretudo de Petra, o guarda da fronteira revistou, rápida e parcialmente, as malas, nos desejou as boas-vindas e nos liberou logo, desejando feliz estada em seu país, o reino hashemita da Jordânia. Às vezes, é bom ter passaporte brasileiro.

A partir daí, tudo mudou. País novo, bastante ocidentalizado, cheio de turistas, sobretudo depois da escolha de Petra como umas sete maravilhas do mundo (só perdeu o 1º. lugar para as muralhas da China), também possui muitos lugares interessantes para visitar. O primeiro é Jirash, cidade romana bem conservada, com suas ruas, templos e uma boa infraestrutura para o turista. Amman, a capital, é uma cidade moderna, mas também possui a parte antiga, da herança romana. É uma das cidades mais limpas e seguras do mundo árabe. Com uma alta renda per capita, a moeda jordaniana, o dinar, equivale ao euro, o que torna o país caro para nós. Imperdível passeio é ir ao Mar Morto, cuja água é tão salgada e oleosa que nada vive ali, mas de sua lama e de seus minerais se fazem produtos medicinais e cosméticos de fama mundial. Ao seu redor, os lugares bíblicos: Betânia, onde Cristo foi batizado, Jericó, a cidade mais antiga do mundo, o Monte Nebo, de onde Moisés avistou a Terra Prometida, Madaba, capital do mosaico, desde os tempos bizantinos, e tantos outros. Toda essa terra é santa, nos disse o guia, e não apenas o lado de lá do Jordão. E ele está certo! Para os que acreditam em Cristo, ou na Bíblia, a Jordânia é tão importante para visitar quanto Israel. Mas ainda era longo o caminho até Petra, nosso principal objetivo.

O que vi na África

Animais. Ainda há muitos animais selvagens na África, vivendo em reservas a eles destinadas. A maior delas, na África do Sul, é o Parque Kruger; criado no final do século XIX, possui uma área maior do que a do estado do Sergipe. No entanto, mesmo nas reservas, os animais de grande porte correm perigo de extinção, pois a sanha dos caçadores legais e ilegais é inesgotável. Pagam uma fortuna para matar um leão, um elefante, um búfalo ou um rinoceronte. Este está ainda mais ameaçado, pois a máfia chinesa os caça por causa do seu chifre, valiosíssimo pela crença estúpida no seu poder afrodisíaco. Uma curiosidade: os animais mais perigosos aos seres humanos, por sua agressividade, são o crocodilo, o rinoceronte e o búfalo. São os que mais matam os humanos. Há pouco tempo, um crocodilo devorou um famoso canoísta no rio Limpopo, cena filmada por seu amigo e passada nas tevês mundiais.

Bebidas. Há muito controle no consumo de álcool, devido à tradição puritana dos ingleses. É proibido beber em áreas públicas e não se vende bebida alcoólica após as 13h de sábado. Há mais salões de beleza do que bares nas cidades africanas. Após as seis horas da tarde, o comércio fecha e só alguns restaurantes ficam abertos, até as nove.

Cabelos. Há muito cuidado com os penteados, principalmente pelas mulheres. Essa preocupação que o Neymar tem com o cabelo, dentre outros jovens artistas e jogadores brasileiros, sobretudo os de origem negra, pode ser uma herança africana. Vi fotos antigas, no museu da Namíbia, de belos cabelos adornados, desde o século XIX. Há uma etnia, a dos hereros, cujas mulheres capricham no visual, combinando roupa, sapato e adereço de cabeça, como as baianas do carnaval brasileiro, só que coloridas. Eles têm preferência pelas cores azul (o índigo), o vermelho e o preto. É comum ver, nas ruas de Windhoek, capital da Namíbia, mulheres jovens, elegantemente vestidas de vermelho, com sapatos e bolsas pretos. Ou jovens, com a roupa preta, blazer e sapatos ou tênis de marca vermelhos. Povo muito elegante! No museu de Cape Town, há uma seção dedicada à moda africana. Imperdível!

Dentes. Há algum tempo, tinha ouvido falar, por um antropólogo amigo meu, um fato que confirmei agora. Muitos jovens arrancam os dentes da frente, os incisivos centrais, tão bonitos e fortes na raça negra!, para obter melhor desempenho sexual na prática do sexo oral. Em visita a uma vinícola, observei isso num jovem guia e tive coragem de lhe perguntar. Ele me confirmou essa versão. O guia brasileiro, que mora lá há muitos anos, reconfirmou: é uma prática comum entre os jovens. Tomara essa moda não chegue por aqui! Já temos banguelas de sobra.

Capitais. A África do Sul é o único país do mundo que possui 3 capitais: Pretória (administrativa), Cape Town (legislativa) e Bloemfontein (judiciária). Johanesburg é a maior cidade e centro financeiro, mas não é a capital do país. A Namíbia é um país desértico e divide o Kalahari com Botswana. Há poucas cidades grandes, ficou independente há 20 anos e sua capital, Windhoek, é muito tranquila, limpa e moderna. O país é pouco povoado, tem alta renda per capita e sua moeda, o dólar namibiano, tem o mesmo valor do rand sul-africano. Ambas circulam livremente. É forte a influência alemã e dos pioneiros africâneres, descendentes de holandeses, franceses e ingleses. As distâncias entre as cidades são longas e o país tem os mais belos pores do sol do mundo, que me desculpem os colatinenses.

De Axum a Lalibela, na Etiópia

Pouco sabemos da história da ÁFRICA. Nossa informação é toda eurocêntrica e, tirando o Egito, não se estuda, na escola brasileira, a história dos povos e das etnias africanas que constituem grande parte da formação do povo brasileiro, já que Portugal manteve colônias lá por mais de 400 anos e de lá abastecia o continente americano com mão de obra escrava. Comecei a estudar sobre o reino de Axum, depois que li um livro sobre a rota das especiarias. Lá seria o suposto reino de Prestes João, que os portugueses buscavam no oriente, um reino cristão e que lhes daria suporte em suas conquistas, se encontrado fosse. O reino de Axum existiu por mais de mil anos e foi muito importante, pois controlava do planalto norte da Etiópia, com seus vales, lagos e terras férteis, ao estreito do mar Vermelho, que separava a península arábica da África até as terras do atual Yêmen. As ruínas de palácios, estelas funerárias ainda levantadas, tumbas milenares como as dos faraós podem ser visitadas na atual Axum, pequena cidade próxima à fronteira da Eritreia. Naquela região não se fala o amárico, mas o tigril, língua que se assemelha, foneticamente, ao árabe. Em Axum, há o templo de Santa Maria do Ziom que, segundo a tradição, guarda a arca da Aliança, levada de Jerusalém por Menelik, o filho da rainha de Sabá com Salomão. Vigiada por um único guardião até a morte, o “prisioneiro sagrado”, ninguém a pode ver, só o lugar onde está. À noite, quando a brisa refresca aquela região desértica, a população de Axum sai às ruas, para beber cerveja e comer carne, como aqui. Só que o boi fica morto, dependurado à frente das pessoas, que escolhem a carne de sua preferência, a pesam e assam nos braseiros postos à sua frente. No outro dia, pela manhã, passei pelo local, e vi o que sobrou do boi, sem qualquer refrigeração, para ser comido à noite por outros comensais, ou pelos mesmos. Bom apetite!

De lá, fui pra Lalibela, a última cidade que iria visitar na Etiópia. Lalibela foi a segunda capital, após Axum, é famosa por seus templos construídos nas rochas,sobre altas montanhas, durante a idade Média, em torno do século XII. Era a época das guerras contra os muçulmanos e os reis cristãos etíopes construíram Lalibela como uma cidade sagrada para os cristãos que não mais poderiam visitar Jerusalém, tomada pelos turcos otomanos. Lalibela possui onze igrejas construídas sobre pedras, impressionantes obras de engenharia e de arquitetura, todas decoradas com afrescos, murais e repletas de tesouros acumulados em séculos de existência. Patrimônio da Humanidade, tombada pela UNESCO como uma das maravilhas da humanidade, Lalibela é visitada por turistas europeus, sobretudo alemães, que admiram as obras artísticas ao redor do mundo. Encontrei-os às centenas por lá, eu, o único brasileiro, povo não muito dado a visitas culturais. Estão todos shopeando em Miami ou chopeando nas praias do Nordeste.

O problema é que, na primeira igreja em que entrei, pisei num buraco, oculto sob um tapete e quebrei o pé esquerdo. Ouvi um estalo, senti uma dor muito forte, tive vômito e sensação de desmaio. Nunca havia quebrado nenhum osso antes, mas senti, claramente, que aquela tinha sido a primeira vez. No programa daquele dia, teria de visitar mais cinco igrejas e o fiz, mesmo sob intensa dor. Só após a visita, fui a um hospital público, o único aberto, pois era domingo. Fui bem atendido pelos jovens paramédicos etíopes, mas o obsoleto aparelho de raios-x não detectou a fratura. Só quatro dias depois, chegaria ao Brasil. Imagine a viagem de volta, 22 horas de voo e longas esperas em aeroporto, o pé parecendo uma pata de elefante e uma dor danada. Sobrevivi para contar.

Geórgia, país caucasiano

No dia 13 de junho de 2015, a Geórgia foi notícia no mundo todo. Houve uma inundação no zoológico de Tblisi, a capital do país, e vários animais fugiram, dentre os quais tigres, ursos, lobos e hipopótamos. Alguns foram mortos, outros recapturados e correu mundo a imagem de um hipopótamo sendo reconduzido ao zoológico, após ter sido entorpecido por dardos tranquilizantes. No “Fantástico” do dia seguinte saiu a reportagem da fuga dos animais, mas, na hora, nem me dei conta de que se tratava do país que iria visitar daí a três dias. Pela chamada, achei que se tratasse da Geórgia, o estado norte-americano, imortalizado por Ray Charles no clássico “Georgia on my mind”. Afinal, nunca tinha lido nada sobre a Geórgia, um pequeno país do Cáucaso, lá onde a Europa termina e a Ásia começa. Muito menos me lembrava de qualquer notícia sobre esse país, uma das antigas repúblicas socialistas soviéticas e que tinha conseguido sua independência, recentemente, em 1991.

Chegamos a Tblisi no dia 2 de junho de madrugada, uma semana após o desastre do zoológico e ninguém mais falava no assunto, nem mesmo eles. No hotel em que nos hospedamos, um belo hotel design, jovens da Letônia e de Israel também estavam hospedados e ainda bebiam no saguão, quando chegamos, ao amanhecer do dia. Sem qualquer burocracia, exigência de visto ou fila, entramos tranquilamente no país, após uma longa viagem de mais de vinte e quatro horas de voo. Saímos de Vitória para o Rio e de lá para Lisboa, via Paris. Dormimos uma noite em Lisboa e, no dia seguinte, nos integramos a um grupo de portugueses para fazer o programa “O melhor do Cáucaso”. Saímos de Lisboa para Tblisi, com escala em Istambul, onde encontramos aquela que seria a acompanhante do grupo em todo o percurso, uma húngara chamada Verônica, falante de um português com carregado sotaque lusitano e acento magiar. Em Tblisi, já nos esperava Tamara, nossa guia, excelente profissional e que iria nos apresentar, em extensos dois dias, um pouco da história de seu país milenar, de sua cultura e os principais pontos de interesse de Tblisi e de alguns arredores por nós visitados.

A primeira impressão que se tem da Geórgia é a de um país tranquilo, com uma gente que já passou por tantas lutas para existir, que nada mais a surpreende. Povo bonito, sério, com afotos cáucaso 068s mulheres vestidas de preto, preferencialmente, que pouco sorri, mas gentil com os turistas que começam a chegar. Parece o povo italiano do interior. Têm como patrono São Jorge e foram cristianizados desde o século IV. Mtsheta, antiga capital e patrimônio da humanidade tombada pela Unesco, está a poucos quilômetros de Tblisi e é o centro da peregrinação dos cristão ortodoxos da Geórgia, para conhecer a catedral de Svetiskhaveli, em português,“o pilar da vida” e onde se supõe enterrada a túnica de Cristo. As antigas igrejas medievais tornaram-se famosas e grandiosas pelas famas de suas relíquias. Era uma forma de ter sempre mais visitantes e de crescer com suas doações.

Também visitamos Gori, terra natal de Stalin, o ditador sanguinário e que mandou construir um imponente museu em sua cidade natal, para celebrar-lhe a memória. Os georgianos, sempre temerosos dos russos, conservam-no para mostrar aos turistas, mas é visível o mal-estar que sentem por cultuar a memória de um de seus nacionais e que se tornou o líder máximo de um povo que sempre os subjugou. Ainda hoje, têm duas regiões ocupadas por eles: a Ossétia do Sul e a Abcássia. Uma visita ao Museu Nacional da História do país é imperdível para conhecer a história desse país milenar e de sua sobrevivência. Bela surpresa a Geórgia, esse país que passou a ser visitado por quem já andou por “Ceca e Meca” e ainda não sossegou.

Palmira, a rainha do deserto

É difícil imaginar que, há quase 2000 anos, tenha existido uma civilização, o reino de Palmira, entre os dois maiores impérios da época, o persa e o romano, num lugar como esse, no meio do deserto, e, por algum tempo, os tenha desafiado em pé de igualdade! Pois é, isso aconteceu entre o século I e II d. C, e, de 167 a 171, uma rainha, Zenóbia, tornou-se a mulher reinante mais famosa de sua época, cuja fama perdura até os nossos dias como a de outras não menos importantes como a rainha de Sabá, a faraona Hatshepsut, Cleópatra, Catarina de Médicis, Isabel de Castela, Elizabeth I e tantas outras.

Palmira é um oásis, no caminho da antiga rota da seda e das caravanas que ligava o oriente ao ocidente, daí sua riqueza, no passado. Hoje, nos confins da Síria, a 150 km da fronteira com o Iraque, guarda a memória daqueles tempos nas ruínas de sua cidade, com ruas, templos, tumbas e monumentos. Milhares de turistas do mundo todo lá acorrem para visitar o que restou do antigo reino de Palmira, fundado por selêucidas, descendentes de Alexandre Magno, da Macedônia.

Hoje, patrimônio da humanidade, Palmira continua um oásis de paz entre as guerras contemporâneas. Após sua destruição por terremotos, por invasores e por seus últimos conquistadores, árabes, turcos otomanos e ingleses, as ruínas de Palmira são um lugar mágico, seja refletidas pelos holofotes ou pela lua cheia, seja pelos reflexos do sol que a tudo incendeiam. Dizem que, no passado, o templo de Júpiter era coberto de bronze e, de longe, as caravanas se impressionavam com o seu brilho ao sol, ofuscando-se ao poder de Palmira. Hoje, no lugar do bronze, retirados para a fabricação de armas, ficaram buracos onde os pássaros que ali sobrevivem fazem seus ninhos, recriando a vida.

Palmira não é só um lugar de visita; é, sobretudo, uma pausa para reflexão. De um lado, judeus e palestinos, filhos do mesmo pai, se matam, irracionalmente, pois não podem dividir o mesmo chão; do outro, turcos e curdos não se reconhecem no mesmo território; muito perto dali, xiitas e sunitas, invadidos por norte-americanos, ameaçam a paz mundial. Os homens se esquecem de que a vida é breve, para viver em guerra; só a arte é longa. Por causa de toda a barbárie e de tantas guerras, e, apesar de tanto poder no passado, pouco restou dos grandes impérios. Sobraram, apenas, ruínas, colunas, fragmentos de mosaicos, restos de arte como testemunha de um tempo, que já se foi, como também se foram os grandes reinos destruídos pela soberba, o maior dos pecados humanos, e que destrói a todos dominados por ela, inexoravelmente.

(Esta crônica foi escrita em 2010, quando estive em Palmira. Republico-a, em homenagem a sua reconquista pelos sírios, após ter sido retomada do Exército Islâmico, há poucos dias).

Meteora, entre o céu e a terra.

Sempre gostei de visitar lugares místicos ou sagrados, onde o ser humano busca uma explicação além da científica ou material para sua existência ou, pelo menos, pessoas se reúnem para cultuar crenças religiosas ou espirituais em comum. Sei, pela Bíblia, que qualquer lugar pode ser um encontro com Deus, pois “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei entre eles”. (Mateus, 18: 20). No entanto, subir ao Convento da Penha junto de pessoas que comungam a mesma crença é uma emoção toda especial, da mesma maneira que nunca esquecerei a noite em que visitei o santuário de Lourdes, nos Pirineus franceses, há vinte e sete anos. A primeira vez que fui a Fátima e me emocionei, pois sentia fortemente a presença de meu pai, filho de portugueses, que me transmitiu a crença religiosa que possuo, ali junto comigo. Ou, ainda, quando subi por trás do altar de São Tiago, em Compostela, e senti que eu era somente mais um peregrino a percorrer o caminho que tantos fizeram, em busca de uma verdade, que não existia aqui ou ali, mas se encontrava no caminho. Visitei muitos outros lugares místicos, de diferentes religiões e crenças, desde que pus os pés fora do meu país, há quarenta anos: templos maias, incas e astecas; monólitos druidas; pagodes orientais; cidades inteiras cultuadas por diferentes religiões e crenças como Jerusalém, Benares, Macchu Picchu, Olímpia, Luxor, Angkor Wat, Borobodur, Khajuraho e tantos outros locais hoje visitados por milhares de turistas, cada qual com suas belezas e diferenças, mas a sensação única de que aquele é um lugar especial, eleito pela humanidade para cultuar uma força superior, um princípio criador de tudo e para nos ensinar a humildade de reconhecer que somos ínfimos diante da grandeza do universo.

Pela quinta vez, retorno à Grécia e, pela primeira vez, pude visitar Meteora, um desejo que tinha desde a primeira vez que fui a Atenas. No entanto, há tanto que visitar pelos arredores de Atenas, suas ilhas mais famosas, as ruínas de Corinto, Delfos, Epidauro, que Meteora, como fosse mais distante, foi ficando para trás. Enfim, chegou a hora, juntei os tostões antes da meteórica desvalorização do Real, pobres de nós! e me dei de presente de aniversário de sessenta anos uma viagem a Meteora. E valeu a pena ter esperado tanto tempo! Saímos de Volos, um porto comercial entre os montes Pélion e Olimpo, atravessamos as planícies antes férteis da Tessália, hoje áridas e abandonadas, em direção a Kalabaka, onde se situa Meteora. São duzentos quilômetros de estrada, passando próximo a Larissa, e pelo caminho se pode perceber a real crise grega, que não se vê em Atenas: campos abandonados, máquinas agrícolas e estufas sucateadas, aridez, desertificação. Chegando a Kalabaka, o deslumbramento: um bosque de rochas, com cerca de seiscentos metros de altura, onde os monges medievais ortodoxos fizeram cavernas e, mais tarde, mosteiros, na crença de se isolarem para ficarem mais perto de Deus. Antes, eram vinte e quatro; hoje, são apenas cinco, que podem ser visitados, lugares de culto e peregrinação de milhares de católicos ortodoxos e turistas que vêm de todas as partes do mundo para conhecer esse patrimônio histórico e cultural da humanidade. Visitamos o mosteiro da Transfiguração, o maior deles, onde tivemos uma aula magistral com a guia Natasha e o de Santo Estêvão, o único onde vivem monjas. Após as visitas, lauto almoço no Panorama, restaurante onde se come também com os olhos. Meteora significa “suspensa no ar” e é o que sentimos após visitá-la.