A caminho da Jordânia

Antes de nos dirigirmos para a Jordânia, voltamos a Damasco e ainda pudemos retornar ao seu grande e milenar mercado, para apreciar uma de suas artes ali realizadas: a da perfumaria. Os perfumistas sírios reproduzem qualquer essência francesa, com uma técnica de longos aprendizados. Só não têm o segredo do fixador, como os franceses, mas o aroma é similar ao dos originais. No dia seguinte, saímos em direção à Jordânia, avistando, bem próximo de Damasco, as colinas de Golan, ainda ocupadas por tropas israelenses, um dos pontos nevrálgicos da guerra entre eles. O dia estava fresco e agradável, mas havia, no ar, a tensão de passar a fronteira.

A saída da Síria nos revelou o grande espetáculo do teatro romano de Bozra, que a guia, Nada, nos apresentou como uma sobremesa de seu país. Segundo ela, tudo o que vimos na Síria, museus, palácios, mesquitas, mosteiros, fortalezas, ruínas de antigas civilizações, equivaleu às várias entradas da tradicional comida síria, apreciada no mundo todo. Aleppo e Palmira foram os pratos principais. O magnífico teatro romano de Bozra, já bem na fronteira com a Jordânia, é o maior e mais bem preservado do mundo, e fechou com chave-de-ouro nossa visita à Síria, esse país de tantas riquezas milenares, mas ainda pouco turístico.

Não fosse o nosso motorista, gordinho e esperto, teria sido maior o suplício de atravessar a fronteira de dois países situados numa região tão belicosa, mas ele, só com gestos, pois só falava árabe, nos indicava o que fazer, resolvendo tudo com muita eficiência e agilidade. Quando nos identificamos como turistas brasileiros, que vínhamos de tão longe para conhecer as maravilhas da Jordânia, sobretudo de Petra, o guarda da fronteira revistou, rápida e parcialmente, as malas, nos desejou as boas-vindas e nos liberou logo, desejando feliz estada em seu país, o reino hashemita da Jordânia. Às vezes, é bom ter passaporte brasileiro.

A partir daí, tudo mudou. País novo, bastante ocidentalizado, cheio de turistas, sobretudo depois da escolha de Petra como umas sete maravilhas do mundo (só perdeu o 1º. lugar para as muralhas da China), também possui muitos lugares interessantes para visitar. O primeiro é Jirash, cidade romana bem conservada, com suas ruas, templos e uma boa infraestrutura para o turista. Amman, a capital, é uma cidade moderna, mas também possui a parte antiga, da herança romana. É uma das cidades mais limpas e seguras do mundo árabe. Com uma alta renda per capita, a moeda jordaniana, o dinar, equivale ao euro, o que torna o país caro para nós. Imperdível passeio é ir ao Mar Morto, cuja água é tão salgada e oleosa que nada vive ali, mas de sua lama e de seus minerais se fazem produtos medicinais e cosméticos de fama mundial. Ao seu redor, os lugares bíblicos: Betânia, onde Cristo foi batizado, Jericó, a cidade mais antiga do mundo, o Monte Nebo, de onde Moisés avistou a Terra Prometida, Madaba, capital do mosaico, desde os tempos bizantinos, e tantos outros. Toda essa terra é santa, nos disse o guia, e não apenas o lado de lá do Jordão. E ele está certo! Para os que acreditam em Cristo, ou na Bíblia, a Jordânia é tão importante para visitar quanto Israel. Mas ainda era longo o caminho até Petra, nosso principal objetivo.

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