Meteora, entre o céu e a terra.

Sempre gostei de visitar lugares místicos ou sagrados, onde o ser humano busca uma explicação além da científica ou material para sua existência ou, pelo menos, pessoas se reúnem para cultuar crenças religiosas ou espirituais em comum. Sei, pela Bíblia, que qualquer lugar pode ser um encontro com Deus, pois “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei entre eles”. (Mateus, 18: 20). No entanto, subir ao Convento da Penha junto de pessoas que comungam a mesma crença é uma emoção toda especial, da mesma maneira que nunca esquecerei a noite em que visitei o santuário de Lourdes, nos Pirineus franceses, há vinte e sete anos. A primeira vez que fui a Fátima e me emocionei, pois sentia fortemente a presença de meu pai, filho de portugueses, que me transmitiu a crença religiosa que possuo, ali junto comigo. Ou, ainda, quando subi por trás do altar de São Tiago, em Compostela, e senti que eu era somente mais um peregrino a percorrer o caminho que tantos fizeram, em busca de uma verdade, que não existia aqui ou ali, mas se encontrava no caminho. Visitei muitos outros lugares místicos, de diferentes religiões e crenças, desde que pus os pés fora do meu país, há quarenta anos: templos maias, incas e astecas; monólitos druidas; pagodes orientais; cidades inteiras cultuadas por diferentes religiões e crenças como Jerusalém, Benares, Macchu Picchu, Olímpia, Luxor, Angkor Wat, Borobodur, Khajuraho e tantos outros locais hoje visitados por milhares de turistas, cada qual com suas belezas e diferenças, mas a sensação única de que aquele é um lugar especial, eleito pela humanidade para cultuar uma força superior, um princípio criador de tudo e para nos ensinar a humildade de reconhecer que somos ínfimos diante da grandeza do universo.

Pela quinta vez, retorno à Grécia e, pela primeira vez, pude visitar Meteora, um desejo que tinha desde a primeira vez que fui a Atenas. No entanto, há tanto que visitar pelos arredores de Atenas, suas ilhas mais famosas, as ruínas de Corinto, Delfos, Epidauro, que Meteora, como fosse mais distante, foi ficando para trás. Enfim, chegou a hora, juntei os tostões antes da meteórica desvalorização do Real, pobres de nós! e me dei de presente de aniversário de sessenta anos uma viagem a Meteora. E valeu a pena ter esperado tanto tempo! Saímos de Volos, um porto comercial entre os montes Pélion e Olimpo, atravessamos as planícies antes férteis da Tessália, hoje áridas e abandonadas, em direção a Kalabaka, onde se situa Meteora. São duzentos quilômetros de estrada, passando próximo a Larissa, e pelo caminho se pode perceber a real crise grega, que não se vê em Atenas: campos abandonados, máquinas agrícolas e estufas sucateadas, aridez, desertificação. Chegando a Kalabaka, o deslumbramento: um bosque de rochas, com cerca de seiscentos metros de altura, onde os monges medievais ortodoxos fizeram cavernas e, mais tarde, mosteiros, na crença de se isolarem para ficarem mais perto de Deus. Antes, eram vinte e quatro; hoje, são apenas cinco, que podem ser visitados, lugares de culto e peregrinação de milhares de católicos ortodoxos e turistas que vêm de todas as partes do mundo para conhecer esse patrimônio histórico e cultural da humanidade. Visitamos o mosteiro da Transfiguração, o maior deles, onde tivemos uma aula magistral com a guia Natasha e o de Santo Estêvão, o único onde vivem monjas. Após as visitas, lauto almoço no Panorama, restaurante onde se come também com os olhos. Meteora significa “suspensa no ar” e é o que sentimos após visitá-la.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s