Singapura e o Grande Prêmio de Fórmula I

Desde a primeira vez que fui a Singapura, há vinte anos, surpreendeu-me aquela cidade-estado, tão pequena, tão moderna, tão civilizada. De lá para cá, a cidade só evoluiu, é um dos tigres asiáticos e um modelo para o mundo, de limpeza, de progresso e de civilização. É claro que tudo isso tem um preço: leis severas, repressão, liberdade restrita, alto custo de vida. Uma pequena infração lá pode custar anos de cadeia ou até a própria vida, como o tráfico de droga. Volto, agora, a Singapura, acompanhando um amigo que, de férias, foi visitar outros amigos, na Malásia. De lá, aproveitaríamos para ir assistir ao Grande Prêmio de Fórmula I de Singapura, o único a se realizar à noite, naquele ano. Atualmente, parece que o de Abu Dhabi também é noturno, por causa do calor. Singapura situa-se na linha do Equador e possui altas temperaturas. Não é fácil viver ali sem ar-condicionado. Por isso, a cidade é também arborizada e possui um dos melhores hortos florestais do mundo, tradição herdada dos ingleses, seus colonizadores.

 

Saímos de Johor Baru, na Malásia, depois do almoço e, uma hora depois, ou menos, estávamos na fronteira com Singapura. Antes, passamos num mercado de posto e compramos cerveja e alguma coisa para comermos durante a corrida, visto que tudo em Singapura é muito caro. Mal sabíamos nós que perderíamos tudo, pois a revista não deixa passar nada de comer ou beber lá dentro, exceto água. A entrada em Singapura foi tranquila, o visto é concedido na fronteira, sem burocracia, e logo estávamos estacionando no shopping onde se entregavam as credenciais compradas pela internet. Depois, era só atravessar a rua, e já se estava na fila para adentrar o recinto da corrida. Longa fila, mas logo chegou nossa vez, ficaram com nossas biritas e lá dentro tivemos de pagar dez dólares deles, mais ou menos uns vinte reais, por um copo de cerveja quente. Nosso ingresso dava direito a circular, não era lugar fixo. O pessoal achava mais divertido ficar correndo pra lá e pra cá, seguindo os barulhos dos roncos dos motores, mas eu não via nada, a não ser nos telões espalhados pela pista e sem o Galvão pra narrar. Um calor manauara, muita gente jovem e eu ali, sem entender nada do que acontecia, só curtindo aquele momento que nunca mais se repetirá. A cidade à noite é linda, o skyline de Singapura um dos mais belos do mundo, pareceu-me tudo uma atmosfera de sonho, ou pesadelo, pois todas as sensações se confundiam. Cansado de correr atrás dos jovens companheiros, bem mais novos do que eu, sentei-me a aguardei o fim da corrida, quando ocorre um espetáculo de luzes, para mim, o mais belo momento daquela noite. Já quase meia-noite, resolvemos comer alguma coisa, ali dentro mesmo, mas onde? Tudo lotado. Com dificuldade, conseguimos um lugar que nos servisse um sanduíche, mas, para nossa tristeza, um hambúrguer de carneiro horrivelmente apimentado. Como a fome era negra, mandei ver, molhando a pimenta com uma coca mais ou menos quente. Depois, pegamos o carro no estacionamento e nossos amigos nos deixaram no aeroporto, pois nosso voo para Yogiakarta seria na manhã seguinte. Passamos o resto da noite no banco do aeroporto até o dia amanhecer, quando conseguimos a surpresa de tomar um café da manhã continental por um dólar americano, coisa rara e difícil num país onde tudo é caro e estávamos prontos para voar pela Air Ásia, uma companhia de baixo custo, até a Indonésia, onde visitaríamos o templo budista  de Borobudur, um dos mais bonitos do mundo e patrimônio da humanidade.

Kuala Lumpur, na Malásia

Chegamos a Kuala Lumpur à noite, vindos dos Emirados Árabes. Nossos amigos brasileiros que lá trabalham nos esperavam no aeroporto. A Malásia é um país que está se modernizando rapidamente, é um dos atuais tigres asiáticos, e Kuala Lumpur uma metrópole. Embora a cidade conte com uma população de 1,5 milhão de habitantes, a área metropolitana é cinco vezes maior do que isso. Foi o que constatamos ao sairmos do aeroporto, pois nossos amigos, mesmo seguindo o GPS, demoraram a achar o caminho para o centro da cidade. Passamos por bairros periféricos que assustariam a qualquer turista, se isso ocorresse no Brasil. Ao chegarmos ao centro, fomos fazer um city tour noturno, visitando a principal atração e símbolo da cidade, as torres gêmeas Petronas, consideradas as maiores do mundo. Depois, fomos ao hotel ali perto, onde nos hospedamos os quatro num quarto, dois em cama, dois no chão. A janta foi delivery de pizza. No dia seguinte, levantamos cedo e, após um bom café da manhã, fomos passear pela cidade. Visitamos os principais pontos turísticos, palácio presidencial, catedral e mesquita, mas a parada principal foi nas cavernas Batu, a 17 km ao norte da capital. Essas cavernas são uma das maiores atrações turísticas e religiosas do país, juntamente com as torres Petronas, são datadas de 400 milhões de anos e sediam importantes templos hindus. A Malásia tem uma população muçulmana, budista, hindu e cristã, a minoria, fruto da colonização portuguesa em Malaca, hoje, Melaka. De longe, já se pode avistar a estátua do gigantesco deus Murugan, com 43 metros de altura e feita de 250 toneladas de barras de aço, 1.550 metros cúbicos de concreto e 300 litros de tinta dourada. Essas cavernas atraem milhares de pessoas seguidoras do hinduísmo, e turistas como nós. Durante o Festival Hindu de Thaipusam, mais de um milhão de devotos e turistas saem em procissão do centro de Kuala Lumpur em uma caminhada de oito horas até as Cavernas Batu. É o Círio de Nazaré deles. Para se chegar aos templos, há uma escada de centenas de degraus e dezenas de macacos esperando comida dos visitantes. Após a visita, almoçamos num restaurante chinês de um shopping de Kuala Lumpur, uma das melhores comidas orientais que já comi na vida. Depois, fizemos o percurso de cerca de 350 km de Kuala Lumpur a Johor Bahru, cidade situada ao sul da península malaia, onde viviam nossos amigos e bem próximo a Singapura, aonde iríamos na noite seguinte para assistir ao Grande Prêmio de Singapura, na quela linda cidade-estado. Uma autopista maravilhosa, passando por Melaka, a antiga Malaca dos portugueses, onde não paramos, pelo adiantado das horas, o que lamentei.

 

 

 

 

Emirados Árabes Unidos

Todo mundo só fala em Dubai, suas torres, shoppings e hotéis de luxo, mas os Emirados Árabes Unidos são sete: Abu Dhabi, Ajman, Al Fujairah, Sharjah, Dubai, Ra’s AL Khaymah e Umm Al Qaywayn. A capital é Abu Dhabi e se pode voar pra lá com a Emirates (direto a Dubai) ou com a Etihad (para Abu Dhabi). A distância entre Dubai e Abu Dhabi são cem quilômetros e se pode ir entre elas por uma moderna autopista em pouco mais de uma hora. O taxista me cobrou 120 dólares para ir e vir. Por sinal, é muito fácil andar de táxi nos Emirados, o preço é razoável e os motoristas confiáveis, ao contrário de Omã onde fui enrolado, pois o cara tratou um preço e cobrou outro. Já fui três vezes aos Emirados e, na primeira, fiz um cruzeiro pelo Golfo Pérsico, saindo de Dubai, parando em Ajman, Muscat, em Omã, Abu Dhabi e Bahrein, que é outro país. Em todos eles pode-se encontrar ruínas de antigos fortes portugueses, pois eles estiveram por lá por mais de cem anos, controlando o estreito de Ormuz, com fortes também no atual Irã. Os portugueses comercializavam pérolas de Bahrein e cavalos da Pérsia, levando-os para os marajás da Índia e trocando-os por especiarias.  Os dois fortes portugueses em Muscat são até hoje usados pelo exército de Omã. Mais tarde, os portugueses foram perdendo suas feitorias nas guerras contra os holandeses, ingleses e os muçulmanos de Omã. Só lhes restaram o Brasil, Angola, Moçambique e outras colônias africanas, o que já era muito.

Tendo sua economia baseada no petróleo, os Emirados tornaram-se um dos maiores centros turísticos e financeiros do mundo. Com arranha-céus modernos e arrojados, inclusive uma das maiores torres do mundo, a Burj Khalifa,  Dubai é o atual centro turístico do país e não para de erguer prédios. São atrações, centros de compra recheados de lojas de grife, hotéis, restaurantes, condomínios de luxo e até ilhas artificiais espalhados por largas avenidas. Dois exemplos desta megalomania são o shopping Mall of the Emirates, que concentra aproximadamente 400 lojas, e o Ski Dubai, uma gigantesca e perfeita pista de ski indoor. O maior dos emirados, contudo, é  Abu Dhabi, talvez a cidade mais dividida entre a tradição e a modernidade. Nos últimos anos, foram feitos muitos investimentos ali para tentar atrair a atenção do mundo. Bonitas praias, muitas construções imponentes e serviços de qualidade recebem turistas do mundo inteiro. Se a pedida for um passeio cultural, é de cair o queixo a magnífica Grande Mesquita Sheikh Zayed, toda adornada por dentro e com um exterior absolutamente monumental. Também tem a Yas Island, onde está a pista de corrida de Fórmula 1 e o parque da Ferrari, com uma das mais rápidas montanha-russa do mundo (fui e não recomendo aos hipertensos como eu). Em Dubai, pode-se subir a Burj Khalifa, mas é caro para ver deserto, visitar o Burj Al Arab, hotel em forma de vela de navio e o Dubai Creek ( passeios de barcos típicos na baía). É um país artificial, onde tudo é bonito, pois os pobres que constroem aquelas riquezas ficam escondidos. Um país das mil e uma noites dos nossos dias.

Colombo, no Sri Lanka

Sri Lanka, a ilha em forma de pérola, ao sul da Índia, o antigo Ceilão, é, novamente, um dos lugares turísticos da moda. Turistas do mundo todo ali vão em busca de suas praias, de suas belezas naturais, de sua história, de sua diversidade cultural. É um país tranquilo, sem violência, pacificado agora após uma guerra interminável entre tamis e hindus. Visitei Colombo, sua maior cidade, mas que não é a única capital política do país. Essa é dividida com Sri Jayawardenapura-Kotte,  cidade geminada a Colombo, sem qualquer atrativo para turistas, mas que abriga a sede do poder legislativo, o congresso nacional, desde 1977. Os portugueses é que deram esse nome à cidade em homenagem ao descobridor das Américas e foram eles que exploraram a cultura da canela ali por mais de cem anos. É o principal centro financeiroeconômico e cultural do país. É uma cidade histórica e portuária, e está localizada na costa oeste da ilha. Colombo é também a capital administrativa da Província Ocidental e distrito de Colombo. É muitas vezes referida como a capital, haja vista que Sri-Jayawardenapura Kotte é uma cidade da região metropolitana de Colombo. Colombo é um lugar movimentado, com uma mistura de vida moderna, edifícios coloniais e ruínas. Tem uma população de cerca de 750 mil habitantes e mais de dois milhões na área metropolitana. Colombo foi uma possessão portuguesa entre 1518 e 1524 e entre 1554 e1656. Os portugueses estabeleceram um Forte na cidade, usando-o contra invasores, conforme havia sido firmado com o rei Parakramabahu VIII. Após os portugueses, passou a ser dominada pelos holandeses, que intensificaram algumas políticas coloniais na cidade. A partir do fim do século XVIII, sofreu domínio britânico, que influenciou grandemente na arquitetura da cidade, até o país obter independência deste de forma pacífica, em 1947. Os ingleses ensinaram-lhes o cultivo do chá, divulgando-o no mundo todo. Hoje, o Sri Lanka é, também, um grande produtor de roupas e de produtos eletrônicos, visto que grandes marcas instalaram ali suas fábricas, tendo em vista a mão de obra barata. A moeda do país é muito desvalorizada, um dólar vale cerca de 150 rúpias cingalesas, o que faz do país um local barato para visitar, sobretudo os viajantes mais alternativos, surfistas, iogues e revendedores de roupas. Em Colombo, visitei o templo budista mais famoso do país, o Gangaramaya, o templo hindu Sri Kailawasanathar Swami Devasthanam Knil (que nome!), as igrejas católicas de Santo Antônio e Santa Luzia, o Palácio Presidencial, a estação de trem  e vi uma praia com alguns banhistas, mas que não me deu vontade de parar, embora fizesse um calor cingalês. No Sri Lanka, convivem harmoniosamente budistas, cristãos e hindus.

Ao entardecer, vi um belo pôr do sol na laguna ao lado do aeroporto ligado a Colombo  por uma moderna autopista e fiquei com vontade de voltar e conhecer o interior desse país tão lendário.

Malé, capital das Maldivas

Sempre ouvi dizer que as Maldivas, arquipélago no meio do Oceano Índico, era um dos paraísos na terra. Lugar de destino para os afortunados em lua de mel, via as fotos dos resorts em ilhas e resorts paradisíacos e ficava a imaginar quando poderia ir lá. A oportunidade apareceu e consegui uma passagem de milha até Malé, a capital das maldivas. Só que não imaginava ser uma cidade tão feia, suja, poluída, sem graça. É claro que as ilhas-atóis continuam sendo os paraísos dos casais em lua de mel, mas só conheci a capital, Malé, e não a recomendo para visitar, pois é um lugar com poucas atrações. Embora seja uma ilha, não tem praia e é altamente habitada. Ruas estreitas, sujas, construções acanhadas, o que encontrei lá para fotografar foi o Centro Islâmico e a mesquita nova, o principal monumento da cidade, o Palácio Presidencial, antiga residência do sultão e o Museu Nacional, financiado pela China, com uma mostra bem acanhada da cultura local. O povo é feio, são quase todos muçulmanos, o país não permite entrada de bebida alcoólica e de cães. Há uma série de restrições, mostrada logo no cartão de entrada. O visto é tirado no aeroporto, sem problema, desde que você esteja com o cartão de febre amarela em dia. O aeroporto é acanhado e fica numa ilha ao lado da ilha principal onde se localiza Malé. Tem-se de tomar um barco para ir à cidade ou pequenos aviões ou barcos para as ilhas com

resorts. Um dólar vale 17 moedas deles, a rúpia maldívia,  e se pode ir a qualquer lugar de táxi, na ilha, por 25 rúpias. O difícil é conseguir um, pois todos os usam, na ausência de transporte coletivo. Como a cidade é muito apertada, não há automóveis, quase, apenas essas pequenas motos que vêm de todos os lados. Um horror atravessar a rua, lá. As Maldivas têm cerca de trezentos mil habitantes, mas cerca da metade vive em Malé. O restante está espalhado nas suas mais de duzentas ilhas habitadas, das mais de mil que constituem o arquipélago. É um país que vive do turismo, embora seja classificado como o sétimo que mais persegue cristãos no mundo. Confesso que, se tivesse grana para passar a lua de mel lá, iria para Fernando Noronha, bem mais perto, tão bonito quanto e bem mais interessante. Só a viagem para chegar lá é uma eternidade. Como não há voo direto, tem-se de fazer uma escala em Dubai ou Abu Dhabi, gastando-se dois dias e quase vinte horas de voo. Não vale a pena.

Veneza, a Sereníssima República

A Itália tem lindas cidades, com histórias incríveis e uma das mais impressionantes é Veneza, a Sereníssima República dos doges e das gôndolas. Já estive quatro vezes em Veneza e cada uma delas é tão boa quanto a outra. A entrada em Veneza ou saída dela, pelo mar, de navio, é um dos maiores espetáculos da terra, quando se passa rente à Praça São Marcos, com suas imponentes torres, palácios e prédios históricos. Veneza é uma das cidades mais visitadas do mundo e tem uma luz especial, sobretudo ao entardecer, quando o sol se põe atrás das montanhas nevadas e sua luz dourada dá um colorido especial à cidade e às águas do Adriático sobre a qual foi fundada. Dizem que a cidade está afundando e tem pouco tempo de vida; talvez por isso tantos a procuram, para ver suas belezas antes que desapareçam.

Embora pareça desagradável ficar no meio de tanta gente que a fotografa de todos os ângulos, Veneza é uma cidade que só pode ser percorrida a pé ou de barco, por seus canais. Há os que pagam cem euros para um passeio de uma  hora de gôndola, o que ainda não fiz, mas admiro os que o podem fazer.

 Em Veneza, não circulam ônibus de turismo, táxis, nenhum veículo de quatro rodas. O jeito é entrar na multidão, percorrer suas ruelas e admirar-se com suas igrejas, a cada esquina. Fazer o percurso Rialto-São Marcos, ou vice-versa, apenas seguindo as setas, é um ritual de todo turista. No caminho, parada para fotos, para compras de artesanato e de ‘recuerdos’, a preços bem razoáveis. Pode-se comprar brincos, pulseiras, objetos diversos de vidro de Murano a partir de um euro. Depende da qualidade e do acabamento do produto. Também é imperdível a visita à catedral de S. Marcos, que não se paga, e ao museu com suas preciosas relíquias de santos e objetos litúrgicos de várias épocas; para esta há uma taxa. Também se pode sentar em um dos restaurantes à beira-mar, ou às margens dos canais, para alguma refeição ligeira, uma “birra”(cerveja) ou uma copa de vinho, enquanto se aprecia o movimento. Quanto mais perto do mar, mais caro, mas nada que empobreça o turista que sai com o dinheiro contado. Também se pode visitar os museus e galerias de arte espalhados pela cidade, mas acho que Veneza por si só já é um museu a céu aberto e nenhuma obra exposta é mais bela do que essa cidade e seu esplendor.

Koper e o litoral da Eslovênia

A Eslovênia é um pequeno país europeu, cujas fronteiras vão do pequeno litoral Adriático aos Alpes austríacos e tem como principal e único porto Koper, na baía de Trieste, também chamada Capodistria, em italiano. Como pertenceu ao império austro-húngaro dos Habsburgos, ali também se fala alemão. Koper situa-se na região de Ístria, a aproximadamente cinco quilômetros da fronteira com a Itália e é considerado um importante recurso natural nacional. Com apenas um por cento da Eslovênia tendo um litoral, o Porto de Koper também é um fator para incrementar o turismo na região. A cidade é um destino em várias linhas de cruzeiro no Mediterrâneo. Em 2016, a cidade recebeu 65 chegadas de cruzeiros e como é muito pequena, aproveita-se o dia ali para conhecer as outras cidades litorâneas como Izola, Piran e Portoroz.

A parte histórica de Koper é pequena e bem conservada. Pode-se sair do porto, atravessar a rua, tomar o elevador panorâmico e já se está no centro antigo, com a bela catedral e a torre do relógio. A cidade de Koper é oficialmente bilíngue, com o esloveno e o italiano como línguas oficiais. As atrações turísticas de Koper incluem o Palácio Pretoriano do século XV e a Loggia em estilo gótico veneziano, a igreja Carmine Rotunda do século XII e a Catedral de St Nazarius, com a sua torre do século XIV. O Palácio Pretoriano está localizado na praça da cidade. Foi construído a partir de duas casas mais antigas do século XIII que foram conectadas por uma loggia, reconstruída muitas vezes, e depois terminou como um palácio gótico veneziano. Hoje, é o escritório de turismo de Koper. A Catedral da Assunção foi construída na segunda metade do século XII e tem um dos mais antigos sinos da Eslovênia (de 1333), feito pelo mestre Jakob, de Veneza. O terraço superior é periodicamente aberto e oferece uma excelente vista da  baía de Trieste. No meio dela está a pintura sacra de 1516, considerada uma das melhores pinturas renascentistas na Eslovênia, feita por Vitorio Carpaccio. Por sinal, havia uma exposição desse famoso pintor italiano na cidade, pois se comemoravam os 500 anos dessa pintura.

De Koper, pode-se ir a Trieste, na Itália ou a Liubljana, a capital, de carro ou de trem, mas preferimos visitar Pirán, a mais famosa cidade do litoral, passando por Izola, na ida, e Portoroz, na volta. Em Pirán, visitamos a igreja e o museu de São Jorge, no alto da colina da bela cidade com forte influência austríaca. A temperatura estava deliciosa, caminhamos pelas ruas estreitas até à beira-mar, onde paramos para almoçar num aconchegante restaurante de comida caseira, tomando o vinho local. Comemos e bebemos bem (presunto e pão caseiros, sardinha com molho caseiro), gastamos pouco e conhecemos a hospitalidade eslovena, muito parecida com a dos italianos sem o estresse das grandes cidades. Eslovênia é o único país do mundo que tem “Love” no nome, disse nossa simpática guia, um amor para se visitar.

 

Korcula, a ilha de Marco Polo

O litoral da Croácia tem várias ilhas, cada uma mais encantadora do que a outra. Dessa vez, conhecemos Korcula (pronuncia-se “Kortchula”), uma ilha que disputa com Veneza  ser o local de nascimento de Marco Polo. Como Veneza tem muitas atrações e é uma das cidades mais visitadas do mundo, deixemos à pequena Korcula essa primazia, que só lhes faz bem. Andar pelo Centro Histórico de Korcula (ou Old Town, como dizem) faz você se sentir parte de um filme medieval. As casas, igrejas e palácios são feitos de pedra e têm telhados alaranjados, compondo um cenário digno de filme. A caminhada é suave e pode ser feita em apenas um turno, mesmo que você tenha o hábito de parar para tirar muitas fotos e contemplar a vista. O passeio começa quando cruzamos o Land Gate, a porta da cidade, que até hoje é envolta por muralhas do século XIII, muito bem conservadas. Em cima dela está a Torre Veliki Revelin, na qual é possível subir para se ter uma vista panorâmica da cidade. O interessante é que Korcula foi projetada para não receber tanto os ventos do mar. Nada que a torne quente e desagradável. Mesmo no verão, quando recebe milhares de turistas, a cidade é fresca e agradável.

Ainda na Cidade Antiga está localizada a Catedral de São Marcos, construída em estilo gótico-renascentista com pedras calcárias extraídas da ilha entre os séculos XV e XVI. Do lado de fora é possível notar a representação de Adão e Eva nus. No seu interior estão as obras Pietà, de Ivan Meštrović (renomado escultor croata), e Anunciação, atribuída a Tintoretto (consagrado pintor italiano). A estátua de São Braz é outra obra de Meštrović que pode ser vista dentro da igreja, bem como uma pintura de Jacopo Bassano, artista italiano. A cúpula, por fim, foi brilhantemente esculpida por Marko Andrijić. Assistimos a uma missa dominical com a comunidade local e a igreja estava repleta. É impressionante como são belos os hinos religiosos, mesmos cantados numa língua tão difícil para nós e como são devotos os croatas, mesmo após anos de dominação comunista.

Localizado em frente à catedral de São Marcos, o Museu da Cidade de Korcula exibe exposições de artistas locais e conta um pouco da história da ilha. Além disso, você encontra uma arquitetura renascentista sem igual e a exposição dos famosos brasões de Korcula. Ainda você pode ver o estatuto da ilha, os primeiros regulamentos e conjuntos de leis que constituem uma parte importante da história. Também não se pode deixar a casa onde se supõe ter nascido marco Polo. O resto do tempo, caminhe pelas ruelas, sente-se em algum dos bares para experimentar o vinho e a comida locais e aprecie a paisagem, que é imperdível!

Dubrovnik, a pérola do Adriático e Cavtat, quase em Montenegro

Dubrovnik é uma das mais belas e visitadas cidades do mar Adriático. Por sua beleza natural e urbanística, e pelo que representa para a história, Dubrovnik é conhecida como “a pérola do Adriático”  ou  a “Atenas eslava”, devido aos seus antigos habitantes a distinguirem como única numa região onde imperava a barbárie e por nela terem proliferado grandes figuras das humanidades e das artes. Dubrovnik é uma cidade rodeada de muralhas e fortificações, no sopé do monte de São Sérgio, que cai a pique sobre as águas do Mediterrâneo. Desde 1979 que o recinto amuralhado está classificado como Patrimônio Mundial pela UNESCO. As imponentes e bem conservadas muralhas, a arquitetura medieval, renascentista e barroca, a paisagem do Adriático, os cafés e restaurantes fazem de Dubrovnik um destino turístico único. A parte antiga é dividida ao meio pela Placa ou Stradun, o passeio público, com cafés e restaurantes, além de diversos monumentos e edifícios históricos. A prosperidade da cidade sempre foi baseada no comércio marítimo. Na Idade Média foi a capital da República de Ragusa, a única cidade-estado no Adriático oriental a rivalizar com Veneza, atingindo o seu apogeu nos séculos XV e XVI. Em 1991 foi cercada e bombardeada por forças militares da Sérvia e Montenegro na sequência da fragmentação da Jugoslávia, o que provocou grandes estragos.

Essa foi a quarta vez que visitei Dubrovnik e, a cada vez, está mais bela e movimentada. A cidade cresceu muito, mantendo inalterada a parte histórica onde está a igreja onde São Brás foi bispo e suas relíquias veneradas. Protetor da garganta, sempre vou lá pedir proteção a ele, já que, como professor, sempre dependi da garganta para viver. Mas, como já conheço bastante a história da cidade e seus monumentos, aproveitei dessa vez para fazer uma visita guiada à cidade de Cavtat (pronuncia-se ‘Saltash’), a quinze quilômetros dali. Nosso guia era um professor de história e deu uma aula sobre a Croácia, a guerra da independência e a luta contra os montenegrinos pela posse daquela região, uma guerra feroz terminada em 1996. Cavtat está quase na fronteira com Montenegro e bem próxima ao aeroporto de Dubrovnik e vale a pena ser visitada, por sua história, pelo belo cenário, por seus monumentos e praias. É um roteiro alternativo e mais barato para os que desejam visitar Dubrovnik e ficar num local mais tranquilo. Vale a pena conhecê-la, fazendo a caminhada que passa atrás da igreja dos franciscanos e termina na entrada da cidade com a bela vista do mar Adriático em todo o percurso de meia hora.

Kotor, pérola do Adriático

Montenegro é um pequeno país dos que vieram a ser independentes após a desintegração da Iugoslávia e um dos mais bonitos da costa adriática. É um país montanhoso, com montanhas escuras que dão nome ao país e que chegam até o mar. Já o havia visitado antes, há poucos anos, numa viagem inesquecível feita pela Croácia, Albânia, Macedônia e Kosovo, passando por Montenegro até a Croácia, de novo. Agora, pudemos conhecer um pouco mais a bela cidade-fortaleza de Kotor e outras situadas na bela baía de Kotor como Perast.

Kotor é uma pérola e está situada num fiorde, pois sua baía  está cercada de altas montanhas, em cujos picos há neve quase o ano todo. A água da baía é de um azul turquesa e ilhotas com antigos mosteiros dão ao cenário uma beleza inigualável. O centro histórico de Kotor é considerado “patrimônio da humanidade” pela Unesco e é uma delícia percorrer suas ruas estreitas, entrar nas centenárias igrejas românicas ou percorrer suas muralhas. Para os mais corajosos, subir os inúmeros degraus até o alto da montanha é um programão, para se tirar belas fotos da baía e da cidade embaixo. Há um museu lá em cima e igreja. Eu não me arrisquei. A idade recomenda prudência e já sei o que é quebrar ou torcer o pé em viagem. Passei por isso em Lalibela, na Etiópia e não quero repetir a experiência.

Após visitar a catedral de São Tryphon (Trifon ? nunca tinha ouvi falar desse santo) , de 1166, e seu museu de relíquias, no andar superior, e percorrer as ruas medievais da cidade histórica , que já pertenceu a gregos, ilírios, romanos, visigodos, bizantinos, venezianos, austríacos, russos, franceses, iugoslavos, e hoje, após a independência do país em 2006, um dos melhores destinos turísticos do litoral adriático, recomendo fazer um passeio no ônibus turístico pela baía de Kotor. Logo na entrada da cidade, belos rapazes e moças estarão vendendo tíquetes do ônibus que oferece os seguintes serviços por vinte euros: Vai-se até Risan, para visitar um museu de mosaicos do período romano, conquistadores do ilírios, que ali viviam, passando pela magnífica baía de Kotor, um percurso de meia-hora com explicações em várias línguas; depois, para-se em Perast, outra cidade medieval, por até uma hora. Ali, se pode almoçar em um dos belos restaurantes com cadeiras e sombrinhas às margens da baía ou, então, como fizemos, comprar lanches e vinhos locais no supermercado e fazer um piquenique à beira-mar, apreciando aquele magnífico cenário. Quem quiser, pode pegar um barco e ir até a ilhota onde está a igreja de Nossa Senhora da Penha ( “Our Lady of the Rocks” ) ou, então, visitar a pequena cidade considerada a mais bem preservada em estilo barroco de Montenegro. Confesso que, após visitar o pequeno museu local à entrada da cidade e ir ao banheiro,  só queria ficar olhando para a baía e curtir aquele momento, o belo dia de  sol outonal, o delicioso vinho da região comprado a módicos dois euros a garrafa pequena e gravar na retina a lembrança daquele dia maravilhoso, num dos cenários mais lindos de tantos que já visitei no mundo. E, claro, dar “gracias a la vida, que me dado tanto”