Mindelo, capital cultural de Cabo Verde

Após mais de uma semana navegando, desde que saímos de Santos, SP, só vendo céu e mar, o coração se enche de jubilo ao avistarmos as ilhas do arquipélago de Cabo Verde, no meio do Oceano Atlântico. Das dez ilhas que compõem país, chegamos a São Vicente, onde se localiza Mindelo, uma simpática cidade de colonização portuguesa, famosa pela cultura pujante, como a música, as artes plásticas e o artesanato,é a terra natal de Cesária Évora, a mais famosa cantora local, que divulgou o ritmo da “morna” pelo mundo. Mindelo inaugurou, recentemente, um novo terminal de cruzeiro, infelizmente, ainda com pouca infraestrutura para atender o turismo. Faltam lojas de artesanato, bares, lojas de suvenires, dentre outras coisas.

Mindelo é uma cidade pequena, embora seja a segunda maior do país, só atrás de Praia, a capital. Possui cerca de 75 mil habitantes em uma área de 67Km quadrados. Não possui muitas atrações, sendo a praia da Laginha, a preferida dos visitantes e dos locais, por estar bem no centro da cidade. Pode-se ir a pé, do navio, num trajeto de pouco mais de 1km. As atrações da cidade são o Palácio do Governador, a Câmara Municipal, a Pracinha da Igreja o berço da cidade, onde foram construídas as primeiras casas e ruas. Na Avenida Marginal, existe a réplica da Torre de Belém de Lisboa – hoje um pequeno museu marítimo – o Fortim d’el-Rei, donde se avista toda a cidade e a baía, e a Alfândega Velha, atualmente, o Centro Nacional de Artesanato.

Infelizmente, chegamos a Mindelo num domingo e tudo estava fechado. Percorremos a Avenida Marginal, admiramos os moradores darem banho nos cachorros, no mar, compramos lembrancinhas com os poucos vendedores nas ruas, a maioria do Senegal e resolvemos passar o resto do dia na praia. Por cinco euros, o taxista nos deixou no Caravela, um restaurante bem situado na Praia da Laginha. Não é a praia mais bonita do arquipélago, nem da ilha, mas é a mais acessível. Fomos muito bem atendidos, o povo cabo-verdiano é muito simpático e acolhedor, parecido com o brasileiro. Gosta de conversar e tem uma culinária parecida com a nossa. Naquele dia, o prato do dia no restaurante era a feijoada brasileira e os locais a degustavam com prazer, por 700 escudos cabo-verdianos, uns 8 euros. Optamos por um prato mais leve, camarões grelhados, acompanhados de uma gostosa cerveja local, que tomam bem fria como gostamos nós, os brasileiros.

A praia da Laginha possui águas azuis e transparentes, a areia é branca e fina, um convite, em dias de calor, o que sempre ocorre na ilha. Resolvi dar um mergulho e tive uma surpresa. A água é muito fria, deveria estar uns 15° C, enquanto estamos acostumados com uma água bem mais quentinha no Brasil, e a praia é de tombo, ou seja, a onda quebra sempre no mesmo lugar, formando uma depressão. Ao entrar, caí num buraco e água foi até o pescoço, gelando o corpo todo. Nadei um pouco, mas não aguentei ficar muito tempo. Resolvi secar-me e voltar pro bar, para mais uma cerveja e regressar ao navio. Fomos a pé, numa caminhada agradável à beira-mar, de vez em quando, parando para conversar com os locais. Sentimo-nos em casa, com se estivéssemos numa praia do nordeste brasileiro e Cabo Verde nos pareceu uma parte nossa, com um povo irmão. Pena não podermos ficar mais tempo para ir à ilha de Santo Antão, maior e ao lado. Quem sabe, um dia.

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