Enfim, chegamos a Samarcanda, a cidade mítica do imaginário de tantos que a viam em fotos e relatos de tantos visitantes de todas as épocas. Chegamos à moderna estação ferroviária, após confortável viagem de trem rápido vindo de Tashkent, e Shock, nosso guia, logo chamou o taxista que iria nos conduzir aos lugares de visitação. A estação de trem não fica localizada no centro de Samarcanda, mas em uma cidade vizinha, a alguns quilômetros. Fomos em seguida visitar o mausoléu de Guri Emir, a Tumba de Tamerlão, dos séculos XIV e XV, e a famosa Praça Registan, uma das mais famosas do mundo, com as suas madrassas (ou madraças) de Ulughbek, do século XV, de Shir-Dor, do século XVII, de Tila-Kon, do século XVII, a Mesquita de Bibi-Khonum e o Bazar Siab. Madrassas são escolas ou casas de estudo. Embora a palavra vinda do árabe ‘madrash’ designe qualquer tipo de instituição de ensino, a maioria se refere a escolas islâmicas para estudo do Corão. Muitas delas se converteram em universidades e a base curricular de uma madrassa (ou madraça) é o estudo do árabe, do direito islâmico ( a xaria), da interpretação do Alcorão (o tafsir), das narrações do profeta Maomé (o hadith), da lógica (o mantiq) e da história do Islão. O conjunto arquitetônico de madraças da Praça Registan, tombado como Patrimônio Mundial da Unesco, é um dos mais bonitos do mundo e encanta todo visitante por sua beleza, harmonia e grandiosidade.
Almoçamos uma comida deliciosa, em um restaurante situado em uma praça cujo monumento principal é o do personagem popular Nasruddin Hodja (1208-1284), famoso em todo Oriente Médio, Turquia e Ásia Central, como um “sábio tolo”, tipo o Pedro Malasartes do folclore luso-brasileiro, ou o Chicó. Suas histórias curtas usam o humor para ensinar lições de filosofia de vida e de moralidade. Geralmente, é retratado com o burrinho e suas fábulas são contadas há séculos, desde a época da Rota da Seda. Claro que quis tirar uma foto com ele e seu burrinho; pena que não consegui comprar-lhe uma imagem para colocar em minha biblioteca. Após o almoço, visitamos o observatório de Ulughbeck, do século XV e o Museu da cidade antiga de Afrosyab. Terminamos o dia com a visita ao complexo arquitetônico Shaki-Zinda, dos séculos IX ao XV, onde estão enterradas pessoas importantes do passado milenar de Samarcanda. Ao anoitecer, bem cansados, pois estava muito quente, fomos para o hotel Kohinur, um Spa, bem central e perfeito para descansar e relaxar após um dia exaustivo. No dia seguinte, após lauto café da manhã, até caviar havia no bufê, fomos para a estação ferroviária para embarque para Bukhara, a 290km de distância.
Após uma viagem de pouco mais de uma hora, no trem rápido, chegamos a Bukhara, para começar as visitas. Não tínhamos muito tempo e havia muito o que visitar. Como nosso hotel era dentro da parte antiga, deixamos a mochila lá e iniciamos o passeio com uma visita ao Mausoléu de Samani, à Fonte Sagrada de Chasmai Ayub, à Mesquita Bolo Hauz e à Cidadela Ark, onde viviam os emires. Como na parte antiga não se pode circular de automóvel, alugamos um tuk-tuk, que nos conduziu o dia todo por um módico preço. Vimos muitas coisas grandiosas como o Minarete Kalyan, a Mesquita Poi Kalyan, a Madrassa Miri Arab, a Cúpula Toki Zagaron, o Complexo Arquitetônico Lyab Hauz e Coro Menor. Almoçamos em um restaurante turístico com muitos europeus, sobretudo espanhóis, que falam muito e alto, e após o almoço ainda visitamos mais mesquitas, cúpulas, aproveitando para comprar alguns suvenires pois a viagem chegava ao penúltimo dia. Bijuterias de lápis lázuli e granada são muito bonitas, bem como a bela e colorida cerâmica local. Lenços e bolsas agradam as mulheres, são bonitos e fáceis de carregar. O peso era a nossa maior preocupação, pois só viajávamos com mala de bordo. À noite, jantamos em um bom restaurante perto do hotel a boa comida local.
No dia seguinte, após o café da manhã no hotel, ainda visitamos o túmulo da mãe de Bahouddin Nakshbandi (1318-1389), estudioso muçulmano descendente de Maomé, o Mausoléu de Chor Bakr, do século X e o palácio de verão do Emir de Bukhara, Sitorai-Mokhgi-Hossa, do século XIX, um lugar muito agradável, onde o último emir de Bokhara passava os dias quentes de verão, entre árvores e pavões reais. Após essa última visita, fomos almoçar o famoso Plov, o prato tradicional do país, feito de arroz, verduras e carne, tipo paella. Saímos do almoço e fomos para a estação, onde pegamos o trem de volta a Tashkent, com parada em Samarcanda. Chegamos à noite e tivemos um jantar de despedida do Uzbequistão, num restaurante de comida europeia, no centro da cidade. Cansados, mas felizes, saímos desse belo país, o Uzbequistão, com um passado milenar, que atrai a atenção do mundo todo.

Praça de Registan

Em Samarcanda

Samarcanda, cidade cultural

Na Praça de Registan, em Smarcanda, um sonho realizado

Praça de Registan, em Smarcanda, Patrimônio da Humanidade.

Samarcanda

Escolares visitam as riquezas de Samarcanda

Estação de Smarcanda, a melhor maneira de viajar pelo Uzbequistão.

O difícil é saber os destinos, sem não ler cirílico.

Bukhara

Bukhara

No palácio de verão do emir de Bukhara

Mesquita de madeira em Bukhara

Eu, Nazrudin e o burro, em Bukhara

Praça com fonte, em Bukhara.

Beleza nos detalhes dos interiores.

Fortaleza de Bukhara