Chegamos a Tashkent à noite, vindos de Bishkek, e fomos recepcionados no aeroporto pelo guia Shok Athakanov, que falava espanhol muito bem, pois vivera na Espanha, como jogador de futebol da segunda divisão. Deu-nos uma sacola com lembrancinhas de seu país, num gesto de simpatia e boas-vindas e nos conduziu ao carro. Falava o tempo todo em russo com o motorista, que conduzia perigosamente, em alta velocidade, pelas ruas movimentadas da cidade. Tashkent é uma cidade grande, uma das maiores da Ásia Central, com quase três milhões de habitantes, situa-se a nordeste do país, próximo ao Cazaquistão. Foi um centro próspero e importante, na época da Rota da Seda, devido a sua localização estratégica e meio caminho entre a Europa e a China e a quarta maior cidade da URSS, após Moscou, Leningrado e Kiev. O Uzbequistão possui mais de 38 milhões de habitantes, o idioma oficial é o uzbesque, mas quase todos falam também o russo, e a moeda local é o som.
Jantamos no hotel e,no outro dia, aguardamos o guia para o citytour. O motorista atrasou, pois sofreu um acidente de trânsito, o que previ, pela forma apressada com que dirigia. Aproveitei para dizer ao guia que isso nos incomodava, bem como sua conversa em russo com ele, o tempo todo. Ele nos atendeu e passou para trás, ao meu lado, enquanto meu companheiro ia à frente com o motorista imprudente. Passeamos pela cidade, muito bonita e limpa, e fomos até o complexo arquitetônico Hasti Imam, onde visitamos as Madraças Barak Khan, Kafal Shohi, Kudesdash e o Bazar Chorsu com dezenas de tendas a vender os produtos da região. Passamos pela Praça da Independência e da Eternidade, a Praça Amir Temur, o famoso Tamerlão, a Praça da Ópera e do Balé e o Monumento ao terremoto de 1966, que destruiu quase toda a cidade antiga. Ela foi inteiramente reconstruída pelos soviéticos, com fontes e monumentos modernos. Almoçamos uma comida saborosa em um dos restaurantes turísticos da cidade e voltamos ao hotel, ao entardecer. Resolvemos caminhar até a Torre de TV da cidade, uma das mais altas do mundo, com 375m de altura, a estrutura mais alta da Ásia Central. Ela possui um deck de observação a 97 m e um restaurante giratório a 120m. Infelizmente, não conseguimos jantar lá, pois não tínhamos feito reserva e estava lotado. Descemos e fomos caminhando em direção ao hotel, procurando um lugar para comer. Achamos uma burgueria, mas queríamos tomar uma cerveja. Impossível, pois não vendem bebida alcoólica fora de lugares turísticos. Conseguimos um lugar que vendia cerveja para levar, não para tomar lá. Voltamos para o hotel e chegamos cansados, pois andamos mais de 5km, ida e volta.
No outro dia, deixamos a maleta no hotel e saímos só com a mochila, tomamos um café da manhã reforçado e fomos para a estação ferroviária pegar o trem para Samarcanda. O trem é de alta velocidade, faz 220 km por hora, o Afrosyab, e é superconfortável, com ferromoças simpáticas servindo lanches pagos e um incluído no preço, um sanduíche e uma fruta ou barrinha de cereal. A distância de cerca de 410 km, normalmente percorrida de carro em 5h, é feita de trem em 2h e 20m. Pelo caminho, não se passa em nenhuma grande cidade, somente por vilarejos e paisagem típica de estepes da Ásia Central. Pelo caminho, veem-se algumas indústrias da época soviética; atualmente, o país é grande produtor de algodão, de ouro, de urânio e de gás natural, além de grande produtor produtor também de produtos químicos e de maquinarias. Na agricultura, além do algodão, produz cenoura, damasco, melancia, feijão e pepino e, na pecuária, está na lista dos vinte maiores produtores de carne bovina e de leite e entre os quinze maiores produtores de lã. Não se veem moradores de rua, nem pobres pedindo esmolas. A impressão que se tem é de um país sem tantas diferenças sociais e com boas oportunidades de trabalho, enquanto no período soviético era um dos mais pobres dentre as quinze repúblicas. A independência, em 1991, fez muito bem a eles, embora ainda mantenham forte ligação com a Rússia. É um dos países que mais recebem turistas, na Ásia Central, que vêm do mundo todo para conhecer seus sítios históricos, a maioria localizada nas três cidades mais famosas da Rota da Seda: Samarcanda, Bukhara e Khiva.

Complexo arquitetônico Hasti Imam

Complexo arquitetônico Hasti Imam

Praça da Independência e o monumento ao terremoto de 1966

Complexo arquitetônico Hasti Imam

Bazar Chorsu

Interior do Bazar Chorsu

Com a gentil ferromoça no trem Taskent- Smarcanda. A mão no coração é um gesto de agradecimento.