Corfu, a mais italiana das ilhas gregas

É sempre uma alegria voltar a Corfu, a mais italiana das ilhas gregas, apesar de ser muito forte o calor, no verão mediterrânico. É melhor uma temperatura mais amena, para fazer turismo, a menos que se esteja apenas interessado em curtir as belas praias da ilha, o que não era o nosso caso. Vivemos em uma bela praia no litoral brasileiro, onde há sol o ano inteiro; por isso, quando viajamos, procuramos conhecer o que não temos aqui. E Corfu oferece tudo isso e muito mais, não fosse ela a ilha preferida da Imperatriz Sissi, da Áustria, para passar os verões em seu palácio Aquileion, hoje, um dos mais belos lugares de Corfu para visitar.

   Corfu faz parte das ilhas Jônicas e sua capital é a cidade de Corfu, ou Kerkira, em grego. É muito perto do litoral da Albânia e de lá pode-se pegar um ferry para Sarande, bela praia da Albânia, indo e voltando no mesmo dia, se quiser. Dentre as atrações turísticas da ilha de Corfu, estão a sua herança cultural, que reflete a dominação, por muitos anos, de Venezianos, Franceses e Britânicos, até a sua unificação pela Grécia, em 1864. Na velha cidade de Corfu, cercada por velhas fortalezas venezianas, pode-se visitar a Igreja de Santo Spiridon, o Museu de Arte Asiática, o Grande Palácio de S. Miguel e S. Jorge.

   Para os que gostam de praias, há excelentes. Corfu é chamada de a “Ilha Esmeralda”, por sua paisagem verdejante de olivais e de ciprestes e por muita gente considerada a mais bela das ilhas gregas. Outros preferirão Mikonos, Santoniri, Creta, Rhodes ou outras menos badalada. Questão de gosto! Aos amantes de praias, sugiro a Paleokastritsa, um paraíso de águas cristalinas, o Canal D’Amour, a Agios Georgios (São Jorge), a praia do Porto Timoni, Barbati, dentre outras.  Para nós, o melhor de Corfu é passear por suas vielas, repletas de lojas de suvenires a preços bem acessíveis, para trazer para os amigos, depois, sentar-se em um dos vários bares da Spianada (palavra veneziana correspondente à nossa Esplanada), e tomar um vinho ou uma cerveja gelada, se estiver quente. Ali, os gregos são gentis com os turistas, diferente de Santorini ou Mikonos, onde a superlotação estressou os habitantes locais.  Se me pedirem indicação de uma ilha grega para ir sempre, minha resposta será, de imediato: Corfu.

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Malta, a ilha dos cavaleiros

Voltamos a Malta, após algum tempo, e, dessa vez, não ficamos só em Valeta. Pegamos o ônibus turístico e percorremos toda a ilha, nos dois circuitos, norte e sul. O problema é que Malta é o país mais quente da Europa, o calor passava de 30° C e a sensação térmica maior, pois o lugar é árido e seco. Foram quatro horas em cima do ônibus, sem descer uma vez. Insuportável! Valeu a experiência para percorrer toda a ilha, mas não é o tipo de passeio que nos agrada. Preferimos caminhar ou fazer um circuito menor, o que não pudemos fazer lá. Enfim, visitar Malta, a ilha dos cavaleiros medievais é sempre uma boa experiência.   A entrada do porto, com suas colunas medievais, é algo impressionante. Floriana é o nome do local onde os navios aportam. Saindo de lá, é só caminhar uns duzentos metros e pegar o elevador e sair nos jardins superiores de Baraka, continuar pelos jardins até a rua da República, virar à direita e se chegará à Catedral Católica de São João e Museu. Há uma outra Catedral Anglicana, a de São Paulo, um pouco mais distante.

Malta, além de ser o país mais quente da Europa, é, também, o mais religioso, com mais de noventa por cento da população professando o cristianismo. Há igreja por toda parte: de Nossa Senhora da Vitória, de Santa Catarina, de São Paulo, das Carmelitas, dos Jesuítas, de Santo Agostinho, de São Francisco e até de São Públio, que nunca tinha ouvido falar. Por seu papel de local de resistência à invasão muçulmana, na Idade Média, Malta foi um bastião do cristianismo no meio do Mar Mediterrâneo, entre Europa, Ásia e África. Também há muitos museus: de Arqueologia, dos grandes Mestres, da Guerra, de Arte, Postal, além das inúmeras referências aos cavaleiros que a dominaram por séculos. Valetta, cujo nome é derivado de um cavaleiro francês que a governou, Valette, é um museu a céu aberto, mas também é muito procurada por suas praias, em Marsaxlokk, em Marsascala, em Sliema, ou seja, por toda a ilha, há praias onde se pode refrescar do calor mediterrânico.

Para os aventureiros, há, ainda, a Gruta Azul, onde se pode mergulhar e apreciar as belezas naturais marinhas. Malta oferece, ainda, lugares pré-históricos, catacumbas, parques e reservas naturais, aquários, espalhados em suas três ilhas principais, Malta, Gozo e Comino, aonde se pode ir de ferry-boats, bem como à Sicília. Resumindo, uma visita a Malta é imperdível, mas, se puder, fora do verão escaldante.

Mapa antigo do mundo. Onde estará a pequena ilha de Malta?

Em Palermo, na Sicília

Há uns trinta anos, fizemos uma visita pela Sicília, a maior ilha do Mediterrâneo, percorrendo seus principais sítios históricos, que são muitos. Em outros cruzeiros, visitamos Messina e Catânia. Desta vez, voltamos a Palermo, que mal conhecemos, na primeira vez, pois estávamos em excursão e tudo era visto do ônibus, com pequenas paradas para as fotos.. E a cidade tem muito a ser visto, pois sua origem data de 734 a. C, quando foi fundada como uma das colônias fenícias espalhadas pelo Mediterrâneo. Por sua posição estratégica, situada entre a Europa e a África, o ocidente e o oriente, Palermo sempre foi motivo de cobiça e dominada por muitos povos como gregos, cartagineses, romanos, árabes, normandos, franceses e espanhóis. Cada civilização deixou na cidade sua marca, o que resultou numa cidade, que é como uma caixa de tesouro de magníficas pedras preciosas. Seu centro histórico é riquíssimo e os “Quatro Cantos” são o coração da cidade antiga, datando do século XVII, época da dominação espanhola.

   Há muito o que ver e visitar em Palermo e um dia é pouco. Pegamos o ônibus turístico, para ganhar tempo, e poder parar nos principais pontos turísticos. Ele só faz seis paradas, que são o Teatro Politeama, o Palácio Steri, o Jardim Botânico, a Estação Central, o Palácio Real e Catedral e o Teatro Massimo. Custa só 15 euros e o recomendável é fazer o circuito todo e, depois, parar nas estações 4, 5 ou 6, para andar a pé. Foi o que fizemos e visitamos o famoso Mercado Ballaró, existente desde o domínio árabe; passamos pela Porta Nova e fomos ao Palácio Real e à Catedral com sua mistura de diferentes estilos arquitetônicos. Quem quiser pode pagar e visitar as tumbas reais, a cripta, o tesouro e a capela ou até caminhar por cima das arcadas da monumental igreja. Preferimos nos sentar, rezar e beber muita água para aguentar a caminhada num calor de quase 40° C. Palermo é uma das cidades mais quentes da Europa, situação que também passamos no dia anterior, em Cagliari e, no posterior, em Valeta.

   Saindo da Catedral, o melhor de Palermo é caminhar por suas ruas fechadas aos pedestres, repletas de turistas, mercados, ambulantes, bares e visitar o que mais lhe for agradável: praças, museus, teatros, galerias de arte ou igrejas. Há de tudo para todos os gostos e um dia é muito pouco para se conhecer tudo. Ao se cansar, sentar-se para tomar uma cerveja ou um vinho branco para se refrescar, experimentar algum prato da culinária local, num barzinho no meio da rua, e admirar o cenário. Afinal, o melhor que um viajante pode fazer em terras estrangeiras e com muita história como Palermo, é flanar.

Teatro Massimo
Catedral de Palermo
Jardins da Catedral de Palermo.

Em Cagliari, na Sardenha

Enfim, pudemos visitar essa famosa ilha italiana, a segunda em tamanho, após a Sicília. Sabia que era quente, mas, no verão, é quentíssima. A temperatura estava em torno de 35° C e, mesmo para nós, acostumados ao calor brasileiro, a sensação de abafamento é terrível. Por isso, a Sardenha é muito apreciada por suas belas praias. Para nós, que só tínhamos um dia em Cagliari, a capital, o negócio era bater perna para visitar o máximo que fosse possível numa breve parada de navio. Infelizmente, não conseguimos ir muito longe, pois além de muito quente, a parte antiga da cidade, o bairro chamado Castelo, é um morro só. Como a cidade é à beira-mar, para se defender dos ataques de inimigos no passado, foi construída morro acima. Haja pernas para subir ladeiras! 

   Saímos do porto, atravessamos o trânsito caótico da beira-mar, creio que o italiano seja o povo mais maluco para dirigir, e fomos em direção à Catedral de Santa Maria Assunta, construída no enclave medieval do bairro Castelo. Não tem a imponência das catedrais góticas alemãs, espanholas ou francesas, mas é uma joia com sua arquitetura eclética, com aspectos medievais, renascentistas e barrocas, cuja construção é do século XIII, há quase mil anos. Para chegar lá, subimos o Bastião de Saint Remy, mais de cem escadas que matam os veios, para chegarmos à esplanada, de onde se vislumbra uma bela vista da cidade e do porto de Cagliari. Mais acima está a Torre do Elefante, a Catedral, o Palácio Real e o Museu Arqueológico.  Daí pra frente, não conseguimos ir mais. Para os que têm mais tempo e melhores pernas, valeria a pena ir ao Mercado de São Benedito e à Basílica de Bonaria, local de peregrinação, desde o século XIV, por seu patrono ter protegido um navio espanhol de uma tempestade.

   Para os que ficam mais tempo na Sardenha, recomenda-se uma visita ao sítio arqueológico de Nora, a mais velha cidade da ilha. Também é imperdível uma visita à igreja barroca de Santo Eufésio, o mártir da ilha, a quem a população recorreu durante a devastação provocada pela peste, em 1650. Caglliari foi fundada no século VII a. C, como colônia fenícia e de lá para cá, sofreu muitas conquistas de diferentes povos, traços que refletem em seu povo, hoje hospitaleiro e acolhedor aos novos conquistadores, a horda de turistas de cruzeiros. Para nós, após essa árdua caminhada, só deu tempo para uma cervejinha gelada e umas comprinhas dos bons produtos locais, como vinho e azeite.

Ushuaia, a terra do fim do mundo

   Estivemos pela segunda vez em Ushuaia, a terra do fim do mundo, como dizem. A cidade cresceu muito, desde que lá aportamos, em 2006. E é muito bonita, com as montanhas geladas ao fundo, um clima sempre frio, o céu muito azul, no verão, e um mar lindo, quando sereno. É a cidade mais austral do continente americano, por isso, se diz do fim do mundo, mas a última é a pequena Porto William, pertencente ao Chile, mais ao sul ainda. De Ushuaia (os argentinos pronunciam Usuaia) , pode-se pegar um barco e fazer um passeio de bate e volta a Porto Williams, na entrada do Canal de Beagle. Os aventureiros adoram.

   Ushuaia está na moda. Alguns até a consideram “a cidade mais bonita do mundo”. Exagero! Localizada em uma colina íngreme e sujeita a ventos muito fortes, cidade está espremida entre a Cordilheira Martial e o Estreito de Beagle. Está a apenas 6m. acima do nível do mar e pode ser inundada a qualquer momento pelo derretimento dos glaciares fruto do aquecimento global. Ushuaia é a base dos navios de cruzeiro que vão à Antártica e dos pequenos passeios às ilhas repletas de pinguins no Canal de Beagle. Os argentinos a consideram a capital das Malvinas, nome que dão às Falklands situadas a 400 km dali.

   Há muito o que se fazer em Ushuaia, fora da cidade, minúscula e inadequada para caminhar, exceto a pequena orla. A segunda rua acima da beira-mar é a mais comercial, com lojas de suvenires, bares e restaurantes, mas a maioria dos turistas que vão a Ushuaia procuram a sua beleza natural, que são muitas. Sua região foi habitada pelo ser humano há milhares de anos, e foi colonizada por europeus a partir de meados do século XIX, que instalaram missões para catequização dos indígenas. Esses, porém, desapareceram sob o impacto da aculturação e da devastação causada por epidemias trazidas pelos colonizadores. A cidade cresceu lentamente ao longo da primeira metade do século XX, organizando-se em torno da instalação de um grande presídio, que trouxe muitos funcionários administrativos e atraiu novos colonos, mas também fez com que se formasse uma impressão sombria sobre o local. A partir da metade do século XX, o presídio foi extinto, a cultura se diversificou e o progresso se deu mais rápido, com a instalação de diversos serviços, a melhoria na infraestrutura urbana e a criação de incentivos governamentais para a fixação de novos residentes.

   Os principais pontos de interesse turístico em Ushuaia são as atividades ao ar livre, os passeios, os museus e a generosidade da natureza. Na cidade, aproveite para subir o Glaciar Martial, com uma vista lindíssima, e fazer um passeio para conhecer a Pinguinera, local para onde os pinguins migram no verão. Para conhecer as redondezas, pode-se fazer um passeio que leve aos lagos Fagnano e Escondido; para entender melhor a história desse curioso lugar, é indispensável uma visita ao Museu Marítimo e ao presídio. Recomenda-se, também, uma excursão ao Parque Nacional Terra do Fogo com um passeio no trem do presídio; a trilha da laguna Esmeralda e um passeio de barco pelo Canal de Beagle para ver pinguins. Na cidade, pode-se fazer um city-tour de uma hora num antigo ônibus estilo inglês e, depois, comer um delicioso cordeiro patagônico ou centolla  em algum dos restaurantes locais.   

Punta Arenas, porta do Estreito de Magalhães

circum-navegação do planeta. Na verdade, a segunda, pois, na segunda vez em que estivemos lá, em 2016,  o tempo fechou e tivemos de voltar às pressas para o navio, para nossa sorte, pois cerca de dois mil passageiros tinham ido fazer passeios e ficaram em terra até poderem regressar. Um sufoco! A história daquele Canal é uma saga de muitos sofrimentos. Não à toa, o principal ponto de atração da cidade é o cemitério. Como muitos morreram nessa tentativa de travessia, ficaram ali enterrados em suntuosos túmulos patrocinados por ricos familiares. Além deles, a principal atração do cemitério é a sepultura humilde de um indígena, tido pelos locais como milagreiro.

   A travessia do Canal é algo de espetacular! Montanhas com gelo de um lado e outro, por entre a chamada Terra do Fogo, pois, no passado, os povos originários sinalizavam a passagem com fogueiras, o que chamou a atenção dos primeiros navegadores. Por muitos anos, tentou-se a passagem pelos oceanos do ocidente para o oriente, em busca das almejadas especiarias, até que Vasco da Gama a descobriu, em 1498, contornando o sul da África. Depois, foi a vez de Fernão de Magalhães, outro português. Em busca de uma nova rota para chegar às Índias, terras das preciosas especiarias, Magalhães, a serviço da Espanha, traçou um plano para fazer essa viagem pelo Oeste, atravessando as Américas, em 1519. Depois de muitos percalços, ele descobriu que era possível acessar o Oceano Pacífico passando por um Canal, o atualmente chamado Estreito de Magalhães, batizado em sua homenagem por essa façanha. Mesmo sem conseguir sobreviver à aventura, pois foi morto nas Filipinas, pouco tempo depois, o explorador português ficou conhecido por ser o idealizador da primeira circum-navegação registrada, que também é chamada de a primeira “volta ao mundo” conhecida.

   Há muito o que se fazer em Punta Arenas, além de passear no cemitério. Recomendo a visita ao Museu dos Salesianos, uma excelente mostra do trabalho feito por eles de recolha de objetos dos povos originários e da fauna e da flora patagônicas. Os Salesianos estão lá há mais de cem anos, cristianizaram os antigos moradores da reunião e preservaram um tanto de sua memória. Após a visita ao Museu, que custa 10 US$, pode-se fazer visita a pinguins em ilhas do canal, a estâncias, onde se pratica a criação de ovelhas, ou a um antigo forte. Ou então, ficar passeando pela cidade, após três dias balançando no mar nada Pacífico, parar num bom restaurante local e saborear a excelente comida patagônica, à base de carnes ou de pescados, acompanhada dos maravilhosos vinhos chilenos, muito baratos ali. Torcer pra pegar um bom tempo e poder continuar a viagem, em paz. Naquela região, o tempo muda a todo instante, e o fator sorte é essencial. Salud!

Em Stanley, nas Falklands

Pela segunda vez, retorno a Porto Stanley, capital das Falklands, arquipélago inglês situado entre a Antártica e o continente Sul-americano, bem mais perto da Argentina do que da Inglaterra, país que a ocupa desde o século0 XIX, há uns duzentos anos. Os primeiros colonizadores foram os franceses, que ali chegaram em 1764, mas foram os ingleses que instalaram em Porto Stanley, desde 1845, um local para reparar navios que atravessavam o Estreito de Magalhães, durante a corrida do ouro, na Califórnia. Os argentinos sempre a chamaram de Malvinas e reivindicam a sua propriedade, mas nunca estiveram ali, permanentemente. As Falklands são inglesas, sem sombra de dúvida. E é assim que é vista, uma pequena  vila inglesa, no extremo sul do planeta, um lugar inóspito, sujeito a tormentas e a mudanças climáticas buscas, um vento frio do cão, que, mesmo no verão, quando fomos, o termômetro marcando 8º C, um vento frio dói até na alma.

   Diferente da primeira vez, Stanley está bem mais preparada para o turismo. Há centro de informações, ônibus indo e vindo para visitar pinguins, supermercado bem sortido, lojas boas de artesanato, bares e restaurantes poucos, mas funcionando, e o Museu muito mais bem organizado. Hoje, se pode fazer passeios para visitar os campos de batalha da guerra de 1982 e as colônias de pinguim, sem riscos de ser explodido por uma mina. Parece que a ilha está limpa, depois de um longo trabalho de busca dessas máquinas mortíferas.

   A ilha possui apenas três mil habitantes, muito educados, como é comum entre descendentes de ingleses; no entanto, é moradia para milhares de ovelhas, pinguins, focas e leões-marinhos. Em pouco tempo, pode-se fazer um passeio pela pequena Stanley, cujas principais atrações são a Catedral anglicana, a mais ao sul do planeta, com seu arco de ossos de baleia; a igreja católica e o museu histórico Dockyard, com bela exposição da história da cidade mas, e principalmente, com importantes documentos, fotos e objetos da Guerra de 1982 contra os argentinos. A Inglaterra venceu o conflito em apenas 76 dias e ali se encontra o memorial com a relação dos mortos ingleses, um terço do contingente argentino. Nas Falklands, há um cemitério com centenas de soldados argentinos mortos, jovens que perderam a vida levados pela estupidez da junta militar no poder. Há de se tomar cuidado para que a história não se repita, com um desequilibrado mental no poder.

   Creio que a maior atração para os que vão a Stanley, seja visitar os pinguins. Os mais fáceis de ver são os da Bluff Cove, aonde se pode ir de ônibus, pagando 20US$, ida e volta. Há um pequeno observatório e de lá caminha-se pela praia um bom pedaço para se chegar até a colônia. Recomenda-se roupa e sapatos adequados para caminhar na areia. Há outros pontos de observação de pinguins mais distantes, em Rockhopper e Volunteer point, aonde só se chega em veículo 4 x 4, não recomendável para idosos ou para os que têm qualquer problema de locomoção ou de coluna. Se quiser ver os leões-marinhos, deverá ir até o Kelp Point, a 1,5 hora de Stanley. Para os aficcionados por guerra, há passeios aos campos de batalha, onde se pode ver os bunkers, buracos de raposa, roupas descartadas, munições não usadas e minas não explodidas. Prefiro o que vi no museu, e já foi suficiente para comprovar o quanto são estúpidas e insensatas todas as guerras.

Pela segunda vez, retorno a Porto Stanley, capital das Falklands, arquipélago inglês situado entre a Antártica e o continente Sul-americano, bem mais perto da Argentina do que da Inglaterra, país que a ocupa desde o século0 XIX, há uns duzentos anos. Os primeiros colonizadores foram os franceses, que ali chegaram em 1764, mas foram os ingleses que instalaram em Porto Stanley, desde 1845, um local para reparar navios que atravessavam o Estreito de Magalhães, durante a corrida do ouro, na Califórnia. Os argentinos sempre a chamaram de Malvinas e reivindicam a sua propriedade, mas nunca estiveram ali, permanentemente. As Falklands são inglesas, sem sombra de dúvida. E é assim que é vista, uma pequena  vila inglesa, no extremo sul do planeta, um lugar inóspito, sujeito a tormentas e a mudanças climáticas buscas, um vento frio do cão, que, mesmo no verão, quando fomos, o termômetro marcando 8º C, um vento frio dói até na alma.

   Diferente da primeira vez, Stanley está bem mais preparada para o turismo. Há centro de informações, ônibus indo e vindo para visitar pinguins, supermercado bem sortido, lojas boas de artesanato, bares e restaurantes poucos, mas funcionando, e o Museu muito mais bem organizado. Hoje, se pode fazer passeios para visitar os campos de batalha da guerra de 1982 e as colônias de pinguim, sem riscos de ser explodido por uma mina. Parece que a ilha está limpa, depois de um longo trabalho de busca dessas máquinas mortíferas.

   A ilha possui apenas três mil habitantes, muito educados, como é comum entre descendentes de ingleses; no entanto, é moradia para milhares de ovelhas, pinguins, focas e leões-marinhos. Em pouco tempo, pode-se fazer um passeio pela pequena Stanley, cujas principais atrações são a Catedral anglicana, a mais ao sul do planeta, com seu arco de ossos de baleia; a igreja católica e o museu histórico Dockyard, com bela exposição da história da cidade mas, e principalmente, com importantes documentos, fotos e objetos da Guerra de 1982 contra os argentinos. A Inglaterra venceu o conflito em apenas 76 dias e ali se encontra o memorial com a relação dos mortos ingleses, um terço do contingente argentino. Nas Falklands, há um cemitério com centenas de soldados argentinos mortos, jovens que perderam a vida levados pela estupidez da junta militar no poder. Há de se tomar cuidado para que a história não se repita, com um desequilibrado mental no poder.

   Creio que a maior atração para os que vão a Stanley, seja visitar os pinguins. Os mais fáceis de ver são os da Bluff Cove, aonde se pode ir de ônibus, pagando 20US$, ida e volta. Há um pequeno observatório e de lá caminha-se pela praia um bom pedaço para se chegar até a colônia. Recomenda-se roupa e sapatos adequados para caminhar na areia. Há outros pontos de observação de pinguins mais distantes, em Rockhopper e Volunteer point, aonde só se chega em veículo 4 x 4, não recomendável para idosos ou para os que têm qualquer problema de locomoção ou de coluna. Se quiser ver os leões-marinhos, deverá ir até o Kelp Point, a 1,5 hora de Stanley. Para os aficcionados por guerra, há passeios aos campos de batalha, onde se pode ver os bunkers, buracos de raposa, roupas descartadas, munições não usadas e minas não explodidas. Prefiro o que vi no museu, e já foi suficiente para comprovar o quanto são estúpidas e insensatas todas as guerras.

Antártica, reserva natural da humanidade

Acabo de fazer uma viagem incrível ao único continente a que não tinha visitado, a Antártica, ou Antártida, um dos seis continentes que formam o planeta Terra. Prefiro o primeiro nome, por estar em oposição ao Ártico, que visitei no ano passado. Estive num cruzeiro que saiu de Ushuaia, passou pelo terrível canal Drake, onde se encontram as águas dos Oceanos Atlântico e Pacífico e o movimento das placas tectônicas provoca ondas enormes e um mar muito agitado. Nossa primeira paisagem da Antártica, mal avistada, foi  o iceberg A23a, considerado o maior do mundo; depois, passamos pela ilha Elefante e nos dirigimos à Baía do Almirantado, onde passamos toda a manhã.  Ela possui cerca de 8km na costa sudeste da Ilha do Rei George, a cerca de 16 km das ilhas Shetland do Sul. Levantei cedo e fui contemplar o sol nascer. Estava um dia lindo, um frio gostoso de -3°C e uma neve muito fina. Sobre nós, voavam pássaros predadores, os mandriões, e, no mar, avistamos baleias dormindo na superfície, alguns golfinhos e leões-marinhos. Um espetáculo! Nessa baía, se encontram duas estações científicas de pesquisa, a polonesa e a brasileira, a Comandante Ferraz.

   Dali, nos dirigimos à Baía Charlote e à Baía Guilhermina, por entre montanhas de gelo de um lado a outro do caminho e inúmeros icebergs, alguns maiores que os maiores edifícios de nossas cidades. O dia estava esplêndido, um gostoso sol de verão antártico e uma temperatura em torno de 0°C. Pelo caminho, víamos baleias, golfinhos e algumas aves sobrevoando o navio. No entanto, a presença, cada vez maior, de navios de cruzeiro e de barcos de pesca acaba trazendo consigo o maior perigo à vida marinha: a poluição dos plásticos. Por mais cuidado que se tenha, a contaminação de resíduos não biodegradáveis também chegou à Antártica. Pesquisas estão sendo feitas, mostrando como o plástico, apesar das fortes correntes marítimas, também chegou ao continente mais deserto do mundo e afeta todo o ecossistema antártico.

   No dia seguinte, passamos pelo Canal Neumayer e chegamos a Port Lockroy, onde alguns pesquisadores vieram a bordo para vender suvenires. De lá, se pode mandar postais para o resto do mundo, o último lugar do planeta onde se pode fazer isso, mas alguns poucos privilegiados conseguiram comprar selos, no navio, para essa rara experiência. Passamos o resto do dia, contemplando aquela paisagem maravilhosa: de um lado, montanhas de até quatro mil metros de altura, do outro, ilhas, baías, icebergs, toda uma fauna marinha, hoje, preservada. Até meados do século XX, havia uma intensas caça às baleias e isso quase as exterminou. Países como a Noruega e o Japão, que até hoje ainda permitem a  caça a esses animais, disputavam aquela região para exercer essa prática abominável.  No último dia na Antártica, passamos pela Ilha da Decepção, que leva esse nome, pois antigos navegadores acreditavam ali piratas terem escondido ouro, onde há praias repletas de pinguins de várias espécies, focas e leões-marinhos. A ilha é formada por um vulcão, cuja erupção, em 1967, provocou estragos nas estações de pesquisa argentinas, chilenas e britânicas, eternos rivais na disputa pelo controle dessa área. Voltamos pelo famigerado Canal Drake, que fez o navio mexer bastante, diferente da ida, até chegarmos a Stanley, capital das Falklands, ou Malvinas, para os argentinos.

   Apesar de ter condições atmosféricas extremas, como frio intenso e persistente, ventos fortes, tempestades de neve e umidade do ar baixíssima, sendo considerada o maior deserto do mundo, a Antártica é a maior reserva de água doce do Planeta. Possui uma população temporária entre mil pessoas, no inverno, e  quatro mil, no verão, formada, em sua maioria, por pesquisadores que atuam na exploração científica da região. A atividade de pesquisa e a gestão do espaço físico do continente são feitas mediante o Sistema do Tratado da Antártica, criado em 1959 e conta, atualmente, com 56 países signatários. O cumprimento dos acordos previstos no documento e assinados posteriormente é de fundamental importância para a manutenção do continente, também ameaçado por problemas ambientais, como o aquecimento global. É necessário destacar que existem reivindicações territoriais por diferentes países sobre o continente antártico. Embora haja uma divisão informal, essas áreas reclamadas não são oficialmente reconhecidas pela comunidade internacional. A Antártica é, ou deveria ser, pela primeira vez, na história da humanidade, uma terra de todos e, talvez, quando tudo estiver destruído no restante do Planeta, será a última morada dos remanescentes terráqueos.

Blankenberge, na Bélgica

   Blankenberge, na Bélgica, fica próxima a Brugges, a mais famosa cidade turística da Bélgica. De lá, pode-se ir de trem ou de ônibus, em meia-hora, a Brugges, e os navios de cruzeiro param na vizinha Zeebrugge. Situa-se na província de Flandres Ocidental e tem uma população de cerca de vinte mil habitantes. Possui uma praia arenosa e feia, com uma estrutura única ao longo da costa belga, um píer de 350 metros de extensão, construído em 1933. Em Blankenberge, nasceu Adolf E. Fick, o inventor das lentes de contato, e o pintor flamengo Frans Masereel (1889).

   Como já fomos a Brugges três vezes, na primeira, dormimos na cidade e nos perdemos à noite, na neblina, sem conseguirmos achar o hotel, a poucos passos de nós. Na época, não havia telefone celular com GPS e rodávamos em círculo, sem encontrar uma vivalma que nos indicasse o caminho a seguir. Para nossa sorte, Nossa Senhora dos Aflitos, protetora dos turistas desorientados, nos colocou no caminho alguns amigos brasileiros, que estavam conosco, e se dirigiam ao hotel, após uma noite alegrada pela deliciosa cerveja belga. Juntamo-nos a eles, sem dizer que estávamos perdidos há  um tempão, e logo avistamos o hotel. Ufa! Em outras viagens, caminhamos pela cidade medieval, visitamos igrejas e museus, passeamos de barco por seus canais, fizemos o que todo bom turista deve fazer.

   Dessa vez, resolvemos ficar em Blankenberge, a pequena e simpática cidade belga à beira-mar, para fazer compras para filhos e netos, saborear o delicioso chocolate belga, ou uma cerveja, comer alguma coisa local, o mais famoso é “moules et frites”,  mexilhão com batata-frita, e simplesmente descansar para enfrentar a longa volta para casa.  Esqueça a praia! É horrível, em comparação com as praias brasileiras. E o tempo nunca ajuda. Chove muito nessa região. Ou faz frio. Por isso, as grandes lojas são calafetadas ou têm lâmpadas muito quentes. A gente entra todo encapotado da friagem lá fora e, dentro, começa a suar, enquanto procura o que comprar. O jeito é tirar os agasalhos para, depois, colocar tudo de novo. Um saco!

   Além das compras, o que ver em Blankenberge? Muito pouco. Há o quarteirão “belle époque”, com casas e prédios da primeira metade do século XX, que não foram destruídos nas grandes guerras, a bela igreja de Santo Antônio e a de Nossa Senhora e, talvez, mais alguma coisa fora do centro. Não procuramos, pois o que desejávamos era fazer compras e sentar para apreciar os sabores locais. Em paz! O belga é extremamente educado, solícito, com a finesse que os franceses não têm mais com os turistas, ou nunca tiveram, falam diferentes línguas e procuram  entender as que não falam. Fiquei surpreso com os preços dos vinhos no supermercado: com 3 euros se compra vinho de qualidade e com 10, um reserva, de diferentes países. No navio, o vinho mais barato custava 47 dólares, ou seja, quase 250 reais. Pena que não se pode trazer, pois o transtorno, o excesso de peso e o risco são grandes. Hoje, fazer turismo em pequenas cidades é muito mais agradável do que nas grandes. O ‘overturismo’  tornou Roma, Paris, Londres, Nova Iorque, insuportáveis, em determinadas épocas do ano.  Daí, cidades como Blankenberge se tornaram boas opções para quem não quiser se estressar em viagens.

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Os fiordes da Noruega

Como viajante contumaz, pois já visitei cerca de 130 países no mundo, as pessoas me perguntam qual é o mais bonito. A resposta depende de uma série de fatores: belezas naturais, construções arquitetônicas, passado histórico ou até o seu estado emocional. Às vezes, vamos a lugares lindos, famosos, mas não estamos bem, emocionalmente, ou temos uma companhia que não compartilha os mesmos gostos que a gente, e tudo desanda. Ou então, é a época, o tempo meteorológico, o excesso de turistas em alguns lugares, tudo pode estragar uma viagem tão sonhada. Visitar grandes cidades como Londres, Paris, Roma, Nova Iorque, em época de férias escolares ou no verão é pedir para sofrer. Gosto de caminhar e com ruas repletas de gente fica impossível. Verão na Europa é um horror.  Mesmo nós que estamos acostumados ao calor do Brasil, sofremos muito com o calor no hemisfério norte. Ir à Espanha, Itália ou Grécia, em agosto, é experiência que nunca mais quero ter. Por outro lado, o frio intenso no Canadá, no Alasca ou na Escandinávia impossibilita qualquer prazer de viajar por esses país.

   A melhor época para viajar é na primavera e no outono, desde que se escolha bem o roteiro. No entanto, para se ir aos lugares frios acima citados, o verão é uma boa. Tive a oportunidade de visitar, no final do último verão, a Noruega e posso afirmar, com toda certeza, que um dos lugares mais belos do mundo são os fiordes daquele país. Fiordes são grandes entradas do mar entre altas montanhas rochosas, originadas por erosão causada pelo gelo de antigo glaciar. Os fiordes ocorrem, principalmente, nas costas da Noruega, mas também ocorrem na Groelândia, Chile e Nova Zelândia, dentre outros países. Exceto a Groelândia, que ainda não visitei, os demais são países belíssimos, com belezas naturais dentre as mais belas do mundo.

   A Noruega é conhecida como a “terra dos fiordes”, que se originaram devido à ação de gelo, os chamados glaciares, ou geleiras, que se movimentam rumo ao mar como se fossem grandes rios congelados. Os fiordes só existem em regiões costeiras montanhosas onde o clima é suficientemente frio para permitir a formação de glaciares abaixo do nível atual do mar. Já visitei glaciares no Chile, no Alasca e na Noruega. Infelizmente, eles estão sofrendo com o aquecimento global e podem vir a desaparecer, o que será catastrófico para a humanidade. Em seus 25 mil quilômetros de costa, a Noruega possui mais de mil fiordes, sendo os maiores os de Sogn, Trondheim e Oslo. O Sognefjord é considerado o maior do mundo, o “rei dos fiordes”, com mais de 200km de extensão, cerca de 1.300 metros de profundidade e paredões que podem chegar a 1.700 metros de altura. Pode ser visitado a partir de Bergen, considerada a “cidade dos fiordes”. A palavra norueguesa “fjord” é uma das poucas dessa língua incorporada ao vocabulário universal, como samba, favela e caipirinha, do Brasil.

   Passei duas semanas percorrendo alguns desses maravilhosos fiordes, contemplando as mais belas paisagens do mundo e posso afirmar que é um cenário de indescritível beleza. Seguem algumas fotos para ilustrar.