Alicante, Cádiz, Málaga, o (des)encanto das cidades espanholas

É sempre um prazer voltar à Espanha, sobretudo às cidades à beira-mar, fora do verão, quando o clima está mais ameno e não há mais tantos turistas quanto no verão. O turismo em massa ficou insuportável e é necessário frear isso, com algumas regras de visitação. Veneza já o fez, quando proibiu a entrada na cidade de grandes navios de cruzeiro, mas eles, agora, aportam em Marghera, do outro lado de Veneza, ou em Trieste, um pouco mais distante e todos dão um jeito de ir a Veneza. A cidade instituiu taxas de visitação e creio que isso ocorrerá também em outras cidades como Roma, Florença, Milão e Nápoles. Parece que isso não resolveu a frequência à cidade, só contribuiu com uma receita maior para a sua manutenção.
As cidades espanholas também sofrem com o excesso de turistas, sobretudo Barcelona. Os locais fazem protestos contra os visitantes em massa, e não deixam de ter razão. Alicante é tranquila fora do verão, bem como Cádiz, ponto de encontro da Europa com a África. O problema é Málaga, terra do Picasso, uma cidade-museu, onde se pode vistar a herança romana, árabe e cristã, uma ao lado da outra. O teatro romano, a Alcazaba e a velha catedral estão próximas, e daria para visitá-los em um um dia, se não fossem as filas enormes, com milhares de turistas querendo fazer a mesma coisa. Ou seja, impossível. Há de se escolher uma e, se der por satisfeito, se conseguir. Optamos por uma visita à Catedral, mas não conseguimos. Havia vários navios de cruzeiro no porto, era domingo e filas de pessoas se aglomeravam à porta da catedral. Os guardas, carrancudos, de duas em duas horas, autorizavam algumas pessoas a entrar. Quem não conseguia teria de retornar duas horas depois. Tempo demais para quem já viveu muito e visitou centenas de catedrais tão grandiosas como aquela.
O jeito era visitar o museu Picasso, há dois na cidade, ou um dos tantos museus de Málaga, conhecida por ser a “Cidade dos Museus”, ou nenhum deles, e parar para tomar um vinho ou um chope, naquela cidade sempre calorenta. Optamos por um que anunciava “tapas a 3,90 euros”, o que nos parecia uma boa opção para acompanhar a bebida. Antigamente, admirávamos, na Espanha, o fato de a bebida ser acompanhada por uma tapa, sempre oferecida como cortesia. Sempre havia tortilha, azeitonas, presunto, croquetes, alguma coisa para “forrar o estômago”, enquanto se bebia. Achávamos esse hábito espanhol uma das coisas mais civilizadas da Espanha e, quando gostávamos do que era servido, repetíamos, claro, pagando o extra. Isso acabou. Em Alicante, o mesmo vinho que nos serviram, foi acompanhado de azeitonas para a mesa do lado. Para nós, nada. Em Málaga, as tais tapas de 3,90 eram uma porcaria. Dois croquetes sem gosto de nada ou duas tiras de presunto duro que nem pau. Arapuca para turista. Em Cádiz, chovia, a primeira chuva do ano, segundo o lojista, e não se podia caminhar pela cidade sem o risco de tomar um banho de chuva ou de uma poça de água jogada por algum carro. A imponente catedral estava fechada, em “lunes” não abre, e o jeito foi voltar para o navio, esperando melhor tempo, algum dia, se ainda por lá passarmos.

Em Cádiz, chovia, a primeira chuva do ano, segundo o lojista, e não se podia caminhar pela cidade sem o risco de tomar um banho de chuva ou de uma poça de água jogada por algum carro. A imponente catedral estava fechada, em “lunes” não abre, e o jeito foi voltar para o navio, esperando melhor tempo, algum dia, se ainda por lá passarmos.
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Lisboa, velha cidade…

Há 37 anos vou a Lisboa, esporadicamente, a passeio, uma cidade europeia que sempre me encanta pelos laços ancestrais que nos unem. Meu avô era português, veio do Amarante para o Brasil, no início do século XX, aqui se casou, deixou alguns filhos e netos chamados Francisco, dentro os quais eu me incluo. A primeira vez que fui a Lisboa, em 1988, a cidade era ainda bem provinciana, parecia uma Ouro Preto à beira-mar ou rio Tejo e os portugueses me pareciam tristes ou melancólicos, se comparados aos alegres e barulhentos brasileiros. Tudo mudou, nesses quase quarenta anos em que a visito. Atualmente, Lisboa é uma das cidades mais vibrantes das capitais europeias, está repleta de turistas, o ano todo, que pra lá se dirigem em busca de cenários instagramáveis para suas selfies, de um patrimônio histórico diferenciado de tudo o que se vê na Europa, de uma comida maravilhosa, em que o bacalhau é soberano, e de um povo que, apesar de tudo, é colhedor, se o compararmos a outros europeus, franceses e espanhóis, por exemplo.
Mas, o turismo em massa tem um preço. A cidade ficou cara para os brasileiros que a visitam e atraente para os milhares que para lá se dirigem para trabalhar e ganhar em euro, moeda seis vezes mais valiosa que o nosso enfraquecido real. Bons tempos em que o real valia mais de cem escudos ou era cotado um por um, na época da criação do euro. Enfim, o que resta é procurar hotéis mais em conta, o que não é fácil, e comida em lugares mais populares. Sempre os há, mas haja sola de tênis para caminhar. E, por falar em caminhar, Lisboa é uma cidade ótima para se andar a pé, subindo e descendo ladeiras, sempre tendo a gigantesca Praça do Comércio como rumo.
Dessa vez, optei por um hotel na baixa pombalina, bem no centrão de Lisboa, para evitar táxi, caro e pouco confiável, como na maioria dos lugares turísticos. Bem ao lado do Rossio, pude acompanhar a “fervida lisboeta”, como era comum em Madri, nos anos oitenta, a chamada “fervida madrileña. Aos finais de semana, a população se aglomera nas praças e nas ruas em torno do Rossio, nos inúmeros bares turísticos da Rua Augusta, da Rua das Portas de Santo Antão, da Praça da Figueira e arredores. Há sempre um bolinho de bacalhau de aperitivo, um bacalhau ao Brás, a lagareiro ou com natas para saborear e o delicioso pastel de natas de sobremesa, sempre acompanhados de um vinho tinto ou branco “da casa”, mais barato e leve para acompanhar uma refeição.
Para passear, a moda, agora, é alugar um tuc-tuc elétrico, que virou uma epidemia em Lisboa, sempre conduzidos por simpáticos brasileiros, que para lá se foram para “tentar a sorte”. O nosso “driver” foi o Roberto Jr., um simpático piauiense, que nos levou a lugares aonde não conseguiríamos ir, sem a sua preciosa ajuda e valente condução. Havíamos subido a escadaria do Carmo para ir até à igreja de São Roque, visitar a capela de S. João Batista, considerada uma das mais ricas da Europa, por seu valor artístico e, ao sairmos, o encontramos na praça em frente à igreja. Simpaticíssimo, falante e agradável como são os nordestinos, de modo geral, nos mostrou três opções de roteiros, a oitenta euros por hora. Escolhemos o que nos levava à Capela do Monte, onde se tem uma vista deslumbrante de Lisboa, e a São Vicente de Fora, onde está o Panteão dos Bragança e dos Patriarcas de Lisboa. Na volta, nos deixou na Praça do Comércio, de onde partimos em busca de um lugar tranquilo para almoçar.
Além dos condutores de tuc, como dizem, os brasileiros também são maioria nos restaurantes, como garçons ou trabalhando na cozinha e nos hotéis. Lisboa não teria como atender à multidão de turistas que a invade, se não fossem os imigrantes. As arrumadeiras de quarto são carbo-verdianas, as atendentes de loja, angolanas ou moçambicanas, os garçons, brasileiros ou hindus, de Bangladesh ou do Nepal, enfim, Lisboa é uma babel de imigrantes, onde a língua que mais se fala não é o português, mas o inglês. Confesso que tive de solicitar um garçom que falasse português para explicar o cardápio. A todos que perguntei se falavam português, respondiam: “um pouco”, mas a comunicação não fluía. Enfim, creio que, se continuar assim, o português lusitano deixará de existir, e só existirá o brasileiro, porque aqui o inglês nunca vai passar de “more or less” rs

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Stavros, o taxista de Pireus

Voltar a Atenas é sempre uma alegria, apesar dos voos longos, caros, lotados e das conexões demoradas. Já foi bem mais agradável viajar do Brasil para a Europa. Atenas é uma cidade que encanta, por sua história, passado tão estudo nos livros didáticos, por sua culinária, pela beleza natural de suas praias e, principalmente, pelo povo, ainda receptivo ao turista, sem o qual o país não vive, paciente, gentil, tolerante e sentimental. Paris é linda, mas aguentar a arrogância dos franceses e a sua pouca gentileza é osso. Os italianos são ríspidos com os turistas e é melhor evitar as cidades superlotadas como Roma e Veneza. Os gregos são diferentes, como aconteceu conosco com um taxista na estação marítima de Pireus.

   Chegamos a Atenas com um casal de amigos, estreantes na Grécia, mas super acostumados a viajar para a Europa, sobretudo a França. Do aeroporto ao hotel, no centro, perto da Praça Syntagma, com uma maravilhosa vista para a Acrópole, pegamos dois táxis, por causa da bagagem, duas malas para cada um, uma despachada e outra de bordo. Não havia uma van e nem um táxi grande que levasse os quatro. O preço foi o mesmo para cada um, 45 euros e mais a gorjeta, 50. No hotel, modesto e bem localizado, tudo funcionou muito bem: gentileza na chegada, quartos limpos, café da manhã farto e variado. Proximidade de tudo para andar a pé e visitar os principais pontos turísticos, perto de excelentes restaurantes, inclusive um com excelente comida grega. O souvlaki, churrasquinho de porco ou de frango, podia ser comido a 5 euros, enrolado no pão pita, ou a 12, no prato com salada e batata. Excelente!

   No dia seguinte ao da chegada, pegamos o ônibus turístico, cujo valor, 20 euros, dava direito a 48h de uso, com 3 roteiros a percorrer. Fizemos o primeiro e, após completarmos o circuito, descemos na Plaka, percorremos suas ruas lotadas de lojinhas de suvenires, muita coisa a 1 Euro, como sabonetes, bolsinhas, ímãs de geladeira, lembrancinhas para a família. Há muitos restaurantes por ali e pode-se almoçar por 10 a 15 euros por pessoa, sem as bebidas, claro. A cerveja grega é boa, se estiver quente e o vinho também, se não escolher o mais barato. Vinho bom é caro em qualquer lugar que o produz, pois demanda tempo e aperfeiçoamento.

   No outro dia, fizemos o outro roteiro, visitamos a Acrópole me cancelamos o roteiro das praias por estar frio e ventando. Nunca havíamos sentido tanto frio em Atenas, 12 a 13oC, pois é uma cidade geralmente quente, cujo calor é insuportável no verão. Agosto, lá, é insuportável! À tarde, visitamos o museu arqueológico, bom, mas incomparável aos principais museus europeus, onde se encontram as principais relíquias gregas.   Muita peça já foi devolvida, mas as principais ainda estão no Louvre, no Britânico ou no de Berlim. Os gregos exigem a sua devolução.

   Três dias depois, pegamos um táxi até a estação marítima de Pireus e, como o bagageiro era grande, coube todas as nossas malas. O taxista, de pouca conversa, mas gentil, voou, pois era feriado, o trânsito estava tranquilo e ele tinha pressa. Em poucos minutos percorremos o trajeto de 30km e o valor da corrida foi só 30 Euros. Demos-lhe 40 e ele ficou muito agradecido. Embarcamos, quase sem esperar. Check-in rápido, mas tivemos de carregar as malas até o navio, pois era Dia do Trabalho e todos os maleteiros e demais trabalhadores estavam de folga, inclusive os do rebocador, o que atrasou a saída do navio e a chegada em alguns itinerários, coisa pouca. O cruzeiro foi ótimo, mar de almirante, lugares lindos, tudo perfeito.

   Ao desembarcarmos no Pireus, uma semana depois, fomos pegar o táxi para o aeroporto, uma distância de 50 km ou mais. Queríamos um único táxi, como o da vinda, mas o primeiro da fila recusou, pois no bagageiro não cabia tanta mala; imediatamente, apareceu o Stavros, um senhorzinho de 64 anos, muito parecido com o pai da personagem do filme “O casamento grego”. Disse que nos levava ao aeroporto e que, se as malas não coubessem no bagageiro, amarraria a tampa do porta-malas com uma cordinha, que já trazias nas mãos. Sem esperar resposta, já foi pegando as malas e as arrumando no bagageiro. Já sabia a técnica, mas, claro, a tampa não fechava. Amarrou a porta no para-choque e lá fomos nós.

   Estava um calor infernal, o trânsito muito congestionado, os quatro apertados ali dentro e eu à frente com o Stavros, que falava sem parar, misturando grego, italiano, inglês. Falava de tudo, da crise econômica grega, da alta do preço dos alimentos, nos mostrava oliveiras, dizendo que o óleo de oliva, que antes era barato, agora custava os olhos da cara. Estávamos na época do conclave, para eleger o novo papa em Roma. Stavros xingou os cardeais de “maffiosi”, o luxo das igrejas, dizendo que Cristo não fundou igreja e nem a riqueza delas. Uma hora para chegar ao aeroporto, eu me divertindo com o Stavros, mas o pessoal de trás dormitava, embalados pelo calor e pelo palavrório do grego. Quando chegamos, nos cobrou 80 Euros, pelo excesso de malas. Demos-lhe 100 e ele quase morreu de alegria. Nos abraçava, beijava e lambujou minha cara toda. Era mais novo que nós, mas parecia nosso pai. Enfim, saímos da Grécia com a certeza de que é um destino a que se deve ir sempre, pois além da beleza das ilhas gregas, de seus monumentos históricos, há um povo sofrido e encantador, como o Stavros, taxista de Pireus.  

Veneza e o turismo de massa

   A primeira vez que fui a Veneza foi em 1988, numa excursão em grupo de turistas latino-americanos. Saímos de Madri, percorrermos a Espanha, França, Bélgica, Holanda, Inglaterra, Suíça, Alemanha e chegamos à Itália, atravessando os Alpes e acompanhando as Dolomitas. Nos hospedamos em Mestre, vizinho a Veneza, pois a cidade não recebia grupos de turistas. Nunca vou esquecer a primeira ida à Praça São Marcos, de vaporetto, a condução típica da cidade. Foi um deslumbramento! Era abril e o sol de primavera tingia de vários tons de amarelo as cúpulas das casas e das igrejas, dos palácios e dos museus, da cidade que já foi uma das mais importantes na Idade Média, por sua atividade comercia e, agora, por ser uma das principais atrações turísticas do mundo. Construída sobre ilhas, Veneza não possui jardins com flores, praças como as demais cidades, chafarizes, carros, nada que a identifique com outros lugares. Veneza é única! Inteiramente construída pelo homem sobre as águas, ela resiste ao tempo, por milênios, mas, até quando?

   Voltei a Veneza outras cinco ou seis vezes, sempre de navio, que atracava na Estação Marítima, próximo à Piazzale Roma. Era deslumbrante passar em frente à Praça São Marcos, na ida e na volta, espetáculo que enchia os olhos de todos que se debruçavam na amurada dos navios para se deliciar com a paisagem. Até que, na tentativa de proteger a cidade, que, a cada dia mais se afunda no mar, os navios de cruzeiro foram proibidos de passar pelo Grande Canal e os turistas ficaram privados desse êxtase visual. Agora, eles atracam em Marghera, em um porto industrial do outro lado da baía e a ida a Veneza é uma odisseia. Pega-se um ônibus ou um aquatáxi até a Estação Marítima, de lá um trenzinho até a Piazzale Roma e, depois, o vaporetto ou se caminha até a Praça São Marcos. Gastamos mais de duas horas para fazer esse percurso e, quando chegamos à Praça São Marcos lotada de gente, já era hora de voltar. Com as filas para descer, subir, entrar, sair, gasta-se um tempão e não se tem tempo para visitar nada. Ou seja, ir a Veneza, num bate-e-volta, ficou inviável. Por isso, o governo instituiu uma taxa de visitação para turistas que não ficam na cidade por mais tempo. Tira-se na internet e deve ser levada em mãos, impressa ou no celular, pois, a todo instante, jovens uniformizados ficam checando se a taxa foi paga.

   Milhares de pessoas inundam as vielas, passando pelas pontes e canais de Veneza, da Piazzalle Roma à Praça São Marcos, percurso que fizemos a pé e gastamos mais de uma hora. Quanto mais perto da Praça São Marcos, mais gente. O mundo inteiro vai a Veneza e quer tirar fotos, passear de gôndola, visitar igrejas e museus, sentar-se em restaurantes para comer ou beber, mas a cidade não cabe mais. Veneza está saturada e pede socorro. Talvez se tenha de limitar o número de visitantes diário. Não sei o que deve ser feito, mas sei que a atração irresistível aos olhos, que tanto encantou artistas e escritores no passado e os turistas do presente, não se esgotou, embora a cidade não suporte mais tanta gente.

Salerno, muito mais que um porto

   Salerno é uma cidade portuária ao sul de Nápolis, na Itália. Arrodeada pelos montes Bonadies, a cidade surgiu em torno do castelo Arechi, uma velha fortaleza de onde se tem uma bela vista de todo o porto e exibe coleções de cerâmicas e moedas medievais. No coração da cidade antiga, está a majestosa Catedral de São Mateus, o Duomo, como a chamam, construída sobre as ruínas de um templo romano. É uma obra preciosa, com suas portas bizantinas de bronze, a cripta barroca e o altar de mármore, onde se veneram os restos mortais de São Mateus, um dos quatro apóstolos, segundo a tradição. Verdade ou não, é um dos lugares religiosos mais bonitos que já visitei na minha vida de tantas igrejas, uma obra de arte, onde as diferentes colorações de mármore parecem pintura. Imperdível!

   Perto da catedral, estão os jardins de Minerva, onde se cultivam plantas medicinais, desde a Idade Média. Não por acaso, Salerno é o berço dos estudos de Medicina na Europa, ali introduzidos pelos árabes. Na rua dos mercadores, um pouco abaixo, há um local de exibição da história da medicina em Salerno e, mais acima, o Museu de Medicina Roberto Pai. Bem perto do Porto, há o Palácio Genovese e, mais à frente, o Palácio Fruscione. Perto do primeiro, há o teatro Verdi. Com o bilhete de entrada da catedral, pode-se visitar também, o Palácio Diocesano  e a igreja-museu de São Jorge. Para os que amam a história, como eu, imperdível a visita ao Museu Arqueológico e o aqueduto medieval. Cansado de andar ao sol quente, por que não se banhar em uma das praias da cidade? Sem precisar de se afastar muito, é só atravessar a Praça da Liberdade, e já se está em uma delas. A areia é preta, mas, pelo menos, não é cheia de pedras como as da Croácia, e a água bem quente, talvez pela proximidade do vulcão Stromboli e influência do forte calor do verão, no sul da Itália.

   Muita gente vai a Salerno e não a visita, usando-a, apenas, de trampolim para pegar um barco para Capri, Ischia, Amalfi ou ouro lugar da costa amalfitana, mas Salerno merece uma visita. É um lugar bem acessível para os idosos, onde se pode caminhar à vontade pela Lungomare Trieste (Beira-mar), pela Via Roma, onde se localizam bares e restaurantes, ou pelas ruas medievais do Duomo, dos Mercadores, Vitorio Emanuelle, José Garibaldi, visitando as lojas de suvenires deliciosas comidas e bebidas italianas ou parando para se refrescar e descansar, tomando uma cerveja ou taça de vinho, conforme o desejo de cada um.    

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Sibenik, na Croácia

Desde 1995, ao final das guerras patrióticas, visito a Croácia e, confesso, é um dos países mais belos do mundo, por seus lagos, praias, belezas naturais e herança cultural. Dessa vez, passei o dia do meu aniversário em Sibenik (leia-se Shibenik), cidade medieval entre Split e Trogir, um novo destino de cruzeiro. A cidade ainda não está bem-preparada para receber os milhares de turistas que chegam em grandes navios, pois seu porto é pequeno e os navios atracam em Zablace, a mais de dez quilômetros do centro e fica-se à mercê de taxistas, que cobram de 30 a 50 euros para fazer esse pequeno trajeto. E o que há para fazer nessa velha cidade medieval, muito bem conservada? Em primeiro lugar, visitar a Catedral de São Tiago, incluída na lista de Patrimônio Mundial da Unesco desde 2000, após a restauração de sua grande cúpula, danificada por uma granada na guerra de 1991. A Catedral se destaca numa cidade pequena, sem grandes construções, e foi construída de 1431 a 1536 e consagrada em 1555, nos tempos difíceis da ameaça otomana e da epidemia da peste. Ela possui o estilo gótico tardio, foi iniciada por Bonino de Milão e concluída por Nicolas, o Florentino, que nela introduziu a Renascença pura da Toscana. Para conhecer melhor a história da catedral, foi construído um moderníssimo centro de explicação, o Civitas Sacra, museu, com salas de exposição dos tesouros da Catedral, uma maravilha! Imperdível a visita.

   Depois, o melhor é percorrer as vielas da velha cidade, com suas antigas igrejas de S. Lourenço, S. Domingos, Santa Luzia, São Nicolau, Santa Bárbara, S. Francisco, S. Cristóvão, Santa Ana, S. Gregório, Santa Catarina, haja igreja, mas a maioria está fechada ou em restauração. A juventude croata, hoje, não é mais religiosa como seus antepassados, e as igrejas estão se tornando galerias de arte, salas de concerto ou servem de cenário para bares, cafés e restaurantes. Para os que desejarem explorar além da cidade, há o Parque Nacional Krka ou uma ida a Trogir, outra cidade medieval, maior e mais bonita que Sibenik. Para os que não querem se cansar muito, o melhor é sentar-se em um dos bares dentro da cidade medieval, ou à beira-mar, e apreciar a paisagem, saboreando o delicioso vinho croata ou a cerveja da região. Como eles ainda não estão adaptados às modernidades, nem sempre se encontra free wi-fi nos bares e restaurantes, o que, nos tempos atuais, é um pecado mortal para turistas rs

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Kotor, a pérola medieval do Adriático

Já fui três vezes a Kotor, em Montenegro. Na primeira, estava em um grupo de brasileiros que percorreu Croácia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro, Albânia, Macedônia do Norte e o Kosovo. Por esse último, passamos por Pristina, a capital, subimos as montanhas de Montenegro, que dão nome ao país, e lá do alto pudemos ver a baía onde se localiza o belo porto de Kotor, um fiorde. Depois, fizemos uma para de cruzeiro ali, anos mais tarde, e agora, retornamos. A cidade se desenvolveu, está cheia de bares e restaurantes, fizeram uma escada rolante para dar acesso à cidade medieval, onde vários agentes de viagem ficam tentando vender passeios aos milhares de turistas que chegam ali, diariamente, no verão. O porto é pequeno, não comporta navios grandes e é sempre necessário chegar lá por meio de lanchas, mas é uma viagem pequena, de dez minutos e o mar sempre tranquilo, pois é uma baía. Atualmente, a cidade encontrou um destino turístico, ser conhecida como “cidade dos gatos” e muitas lojas de suvenires exploram, artisticamente, imagens desses felinos. Por toda parte, se encontram gordos gatos eternamente em siesta, fotografados pelos turistas. Algumas pessoas tratam deles, há água e comida por toda parte e até pequenos hotéis para eles, nas pequenas partes, perto dos portôes medievais da cidade.

   Não há muito o que fazer em Kotor, cidade pequena e que pode ser inteiramente percorrida a pé. Dentre as melhores opções, está percorrer as muralhas da cidade, visitar a Catedral de São Trifon, o Museu Marítimo, o Museu dos Gatos, ou sentar-se numa das vielas ou praças para saborear o excelente vinho de Montenegro ou a deliciosa cerveja local.

Kotor foi habitada desde a era romana, época na qual era denominada Ascrívio (em latim, Ascrivium) e fazia parte da província romana da Dalmácia. Com o nome de Cátaro, a cidade e a região circundante fez parte, entre 1420 e 1797, da República de Veneza, período que influenciou de forma ainda hoje visível a arquitetura da cidade. A sua estrutura urbana, típica das cidades marítimas da costa oriental do mar Adrático, é circundada por uma imponente cintura de muralhas, permanece bem conservada, tendo merecido ser incluída na lista do Património da Humanidade da UNESCO.

   Para os que tiverem mais tempo, há lugares próximos para se visitar como Budva ou Perast, onde há uma pequena ilha com a graciosa igreja de Nossa Senhora das Pedras (Penhas). Também se pode fazer passeios pela baía de Kotor, passear de jet-ski, pegar um ônibus turístico para contemplar a bela paisagem da baía de Kotor por terra, ou se sentar à beira-mar e apreciar a paisagem, uma das mais bonitas do Mediterrãneo.

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Corfu, a mais italiana das ilhas gregas

É sempre uma alegria voltar a Corfu, a mais italiana das ilhas gregas, apesar de ser muito forte o calor, no verão mediterrânico. É melhor uma temperatura mais amena, para fazer turismo, a menos que se esteja apenas interessado em curtir as belas praias da ilha, o que não era o nosso caso. Vivemos em uma bela praia no litoral brasileiro, onde há sol o ano inteiro; por isso, quando viajamos, procuramos conhecer o que não temos aqui. E Corfu oferece tudo isso e muito mais, não fosse ela a ilha preferida da Imperatriz Sissi, da Áustria, para passar os verões em seu palácio Aquileion, hoje, um dos mais belos lugares de Corfu para visitar.

   Corfu faz parte das ilhas Jônicas e sua capital é a cidade de Corfu, ou Kerkira, em grego. É muito perto do litoral da Albânia e de lá pode-se pegar um ferry para Sarande, bela praia da Albânia, indo e voltando no mesmo dia, se quiser. Dentre as atrações turísticas da ilha de Corfu, estão a sua herança cultural, que reflete a dominação, por muitos anos, de Venezianos, Franceses e Britânicos, até a sua unificação pela Grécia, em 1864. Na velha cidade de Corfu, cercada por velhas fortalezas venezianas, pode-se visitar a Igreja de Santo Spiridon, o Museu de Arte Asiática, o Grande Palácio de S. Miguel e S. Jorge.

   Para os que gostam de praias, há excelentes. Corfu é chamada de a “Ilha Esmeralda”, por sua paisagem verdejante de olivais e de ciprestes e por muita gente considerada a mais bela das ilhas gregas. Outros preferirão Mikonos, Santoniri, Creta, Rhodes ou outras menos badalada. Questão de gosto! Aos amantes de praias, sugiro a Paleokastritsa, um paraíso de águas cristalinas, o Canal D’Amour, a Agios Georgios (São Jorge), a praia do Porto Timoni, Barbati, dentre outras.  Para nós, o melhor de Corfu é passear por suas vielas, repletas de lojas de suvenires a preços bem acessíveis, para trazer para os amigos, depois, sentar-se em um dos vários bares da Spianada (palavra veneziana correspondente à nossa Esplanada), e tomar um vinho ou uma cerveja gelada, se estiver quente. Ali, os gregos são gentis com os turistas, diferente de Santorini ou Mikonos, onde a superlotação estressou os habitantes locais.  Se me pedirem indicação de uma ilha grega para ir sempre, minha resposta será, de imediato: Corfu.

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Malta, a ilha dos cavaleiros

Voltamos a Malta, após algum tempo, e, dessa vez, não ficamos só em Valeta. Pegamos o ônibus turístico e percorremos toda a ilha, nos dois circuitos, norte e sul. O problema é que Malta é o país mais quente da Europa, o calor passava de 30° C e a sensação térmica maior, pois o lugar é árido e seco. Foram quatro horas em cima do ônibus, sem descer uma vez. Insuportável! Valeu a experiência para percorrer toda a ilha, mas não é o tipo de passeio que nos agrada. Preferimos caminhar ou fazer um circuito menor, o que não pudemos fazer lá. Enfim, visitar Malta, a ilha dos cavaleiros medievais é sempre uma boa experiência.   A entrada do porto, com suas colunas medievais, é algo impressionante. Floriana é o nome do local onde os navios aportam. Saindo de lá, é só caminhar uns duzentos metros e pegar o elevador e sair nos jardins superiores de Baraka, continuar pelos jardins até a rua da República, virar à direita e se chegará à Catedral Católica de São João e Museu. Há uma outra Catedral Anglicana, a de São Paulo, um pouco mais distante.

Malta, além de ser o país mais quente da Europa, é, também, o mais religioso, com mais de noventa por cento da população professando o cristianismo. Há igreja por toda parte: de Nossa Senhora da Vitória, de Santa Catarina, de São Paulo, das Carmelitas, dos Jesuítas, de Santo Agostinho, de São Francisco e até de São Públio, que nunca tinha ouvido falar. Por seu papel de local de resistência à invasão muçulmana, na Idade Média, Malta foi um bastião do cristianismo no meio do Mar Mediterrâneo, entre Europa, Ásia e África. Também há muitos museus: de Arqueologia, dos grandes Mestres, da Guerra, de Arte, Postal, além das inúmeras referências aos cavaleiros que a dominaram por séculos. Valetta, cujo nome é derivado de um cavaleiro francês que a governou, Valette, é um museu a céu aberto, mas também é muito procurada por suas praias, em Marsaxlokk, em Marsascala, em Sliema, ou seja, por toda a ilha, há praias onde se pode refrescar do calor mediterrânico.

Para os aventureiros, há, ainda, a Gruta Azul, onde se pode mergulhar e apreciar as belezas naturais marinhas. Malta oferece, ainda, lugares pré-históricos, catacumbas, parques e reservas naturais, aquários, espalhados em suas três ilhas principais, Malta, Gozo e Comino, aonde se pode ir de ferry-boats, bem como à Sicília. Resumindo, uma visita a Malta é imperdível, mas, se puder, fora do verão escaldante.

Mapa antigo do mundo. Onde estará a pequena ilha de Malta?

Em Palermo, na Sicília

Há uns trinta anos, fizemos uma visita pela Sicília, a maior ilha do Mediterrâneo, percorrendo seus principais sítios históricos, que são muitos. Em outros cruzeiros, visitamos Messina e Catânia. Desta vez, voltamos a Palermo, que mal conhecemos, na primeira vez, pois estávamos em excursão e tudo era visto do ônibus, com pequenas paradas para as fotos.. E a cidade tem muito a ser visto, pois sua origem data de 734 a. C, quando foi fundada como uma das colônias fenícias espalhadas pelo Mediterrâneo. Por sua posição estratégica, situada entre a Europa e a África, o ocidente e o oriente, Palermo sempre foi motivo de cobiça e dominada por muitos povos como gregos, cartagineses, romanos, árabes, normandos, franceses e espanhóis. Cada civilização deixou na cidade sua marca, o que resultou numa cidade, que é como uma caixa de tesouro de magníficas pedras preciosas. Seu centro histórico é riquíssimo e os “Quatro Cantos” são o coração da cidade antiga, datando do século XVII, época da dominação espanhola.

   Há muito o que ver e visitar em Palermo e um dia é pouco. Pegamos o ônibus turístico, para ganhar tempo, e poder parar nos principais pontos turísticos. Ele só faz seis paradas, que são o Teatro Politeama, o Palácio Steri, o Jardim Botânico, a Estação Central, o Palácio Real e Catedral e o Teatro Massimo. Custa só 15 euros e o recomendável é fazer o circuito todo e, depois, parar nas estações 4, 5 ou 6, para andar a pé. Foi o que fizemos e visitamos o famoso Mercado Ballaró, existente desde o domínio árabe; passamos pela Porta Nova e fomos ao Palácio Real e à Catedral com sua mistura de diferentes estilos arquitetônicos. Quem quiser pode pagar e visitar as tumbas reais, a cripta, o tesouro e a capela ou até caminhar por cima das arcadas da monumental igreja. Preferimos nos sentar, rezar e beber muita água para aguentar a caminhada num calor de quase 40° C. Palermo é uma das cidades mais quentes da Europa, situação que também passamos no dia anterior, em Cagliari e, no posterior, em Valeta.

   Saindo da Catedral, o melhor de Palermo é caminhar por suas ruas fechadas aos pedestres, repletas de turistas, mercados, ambulantes, bares e visitar o que mais lhe for agradável: praças, museus, teatros, galerias de arte ou igrejas. Há de tudo para todos os gostos e um dia é muito pouco para se conhecer tudo. Ao se cansar, sentar-se para tomar uma cerveja ou um vinho branco para se refrescar, experimentar algum prato da culinária local, num barzinho no meio da rua, e admirar o cenário. Afinal, o melhor que um viajante pode fazer em terras estrangeiras e com muita história como Palermo, é flanar.

Teatro Massimo
Catedral de Palermo
Jardins da Catedral de Palermo.