Singapura e o Grande Prêmio de Fórmula I

Desde a primeira vez que fui a Singapura, há vinte anos, surpreendeu-me aquela cidade-estado, tão pequena, tão moderna, tão civilizada. De lá para cá, a cidade só evoluiu, é um dos tigres asiáticos e um modelo para o mundo, de limpeza, de progresso e de civilização. É claro que tudo isso tem um preço: leis severas, repressão, liberdade restrita, alto custo de vida. Uma pequena infração lá pode custar anos de cadeia ou até a própria vida, como o tráfico de droga. Volto, agora, a Singapura, acompanhando um amigo que, de férias, foi visitar outros amigos, na Malásia. De lá, aproveitaríamos para ir assistir ao Grande Prêmio de Fórmula I de Singapura, o único a se realizar à noite, naquele ano. Atualmente, parece que o de Abu Dhabi também é noturno, por causa do calor. Singapura situa-se na linha do Equador e possui altas temperaturas. Não é fácil viver ali sem ar-condicionado. Por isso, a cidade é também arborizada e possui um dos melhores hortos florestais do mundo, tradição herdada dos ingleses, seus colonizadores.

 

Saímos de Johor Baru, na Malásia, depois do almoço e, uma hora depois, ou menos, estávamos na fronteira com Singapura. Antes, passamos num mercado de posto e compramos cerveja e alguma coisa para comermos durante a corrida, visto que tudo em Singapura é muito caro. Mal sabíamos nós que perderíamos tudo, pois a revista não deixa passar nada de comer ou beber lá dentro, exceto água. A entrada em Singapura foi tranquila, o visto é concedido na fronteira, sem burocracia, e logo estávamos estacionando no shopping onde se entregavam as credenciais compradas pela internet. Depois, era só atravessar a rua, e já se estava na fila para adentrar o recinto da corrida. Longa fila, mas logo chegou nossa vez, ficaram com nossas biritas e lá dentro tivemos de pagar dez dólares deles, mais ou menos uns vinte reais, por um copo de cerveja quente. Nosso ingresso dava direito a circular, não era lugar fixo. O pessoal achava mais divertido ficar correndo pra lá e pra cá, seguindo os barulhos dos roncos dos motores, mas eu não via nada, a não ser nos telões espalhados pela pista e sem o Galvão pra narrar. Um calor manauara, muita gente jovem e eu ali, sem entender nada do que acontecia, só curtindo aquele momento que nunca mais se repetirá. A cidade à noite é linda, o skyline de Singapura um dos mais belos do mundo, pareceu-me tudo uma atmosfera de sonho, ou pesadelo, pois todas as sensações se confundiam. Cansado de correr atrás dos jovens companheiros, bem mais novos do que eu, sentei-me a aguardei o fim da corrida, quando ocorre um espetáculo de luzes, para mim, o mais belo momento daquela noite. Já quase meia-noite, resolvemos comer alguma coisa, ali dentro mesmo, mas onde? Tudo lotado. Com dificuldade, conseguimos um lugar que nos servisse um sanduíche, mas, para nossa tristeza, um hambúrguer de carneiro horrivelmente apimentado. Como a fome era negra, mandei ver, molhando a pimenta com uma coca mais ou menos quente. Depois, pegamos o carro no estacionamento e nossos amigos nos deixaram no aeroporto, pois nosso voo para Yogiakarta seria na manhã seguinte. Passamos o resto da noite no banco do aeroporto até o dia amanhecer, quando conseguimos a surpresa de tomar um café da manhã continental por um dólar americano, coisa rara e difícil num país onde tudo é caro e estávamos prontos para voar pela Air Ásia, uma companhia de baixo custo, até a Indonésia, onde visitaríamos o templo budista  de Borobudur, um dos mais bonitos do mundo e patrimônio da humanidade.

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