Santiago do Chile no verão

É sempre bom voltar a Santiago do Chile, pois a cidade se renova a cada visita. Há sempre um canto novo para conhecer, um museu diferente, novas exposições, e é diferente visitar um país em cada estação. A primeira vez que fomos a Santiago foi em 1986, há mais de trinta anos. Era inverno e Pinochet estava no poder. A cidade tinha toque de recolher às dez da noite e, na primeira noite, por desconhecermos isso, mal conseguimos comer alguma coisa, antes de voltar correndo ao hotel. Estávamos hospedados no luxuoso Carrera,que não mais existe, bem próximo ao Palácio Presidencial, o La Moneda, e sempre que passávamos por ali avistávamos a guarda do palácio com seu imponente uniforme de inverno, suas botas reluzentes e passos bem marcados, além das caras fechadas, que em tudo se assemelhava a um exército nazista.

 

Várias vezes voltamos ao Chile e a Santiago, evidentemente. A última foi agora no verão de janeiro, quando a cidade estava um calor de mais de trinta graus, o que para os chilenos é muito. Era apenas uma noite e um dia antes de regressarmos, após a viagem de travessia do Rio de Janeiro a Valparaíso. Gosto de ficar no centro histórico, embora os melhores hotéis estejam sempre nos bairros mais afastados. Para dormir uma noite, não importa tanto o hotel, basta que seja limpo e tranquilo e, dessa vez, pegamos um apart-hotel, pelo preço. Não foi uma boa experiência. Esse negócio de ter de fazer café, ao acordar, ninguém para arrumar o quarto, só é bom quando se vai ficar mais tempo e se viaja com mais pessoas, para economizar. Confesso que ainda prefiro o velho e bom hotel turístico, com portaria e um cafezinho da manhã. Valeu como experiência.

Caminhar pela Huérfanos é tudo de bom. Há de tudo, lojas para todos os gostos e os sensacionais artistas de rua, com suas performances, estátuas vivas e cantorias. Dessa vez, pegamos um grupo de jovens artistas líricos, em férias, cantando árias famosas de óperas, bem em frente ao nosso hotel. Era uma delícia sentar num dos bancos do passeio, tomar um sorvete e ouvir aquelas vozes celestiais. Pena que não dava para saborear um vinho por ali mesmo, mas havia as cerejas, era tempo delas, e só não gosta de cerejas quem não conhece seu sabor.

Ali perto, havia a Catedral, que sempre visito, para admirar e rezar; o museu histórico, sempre com alguma novidade e, dessa vez, visitamos o Centro Cultural atrás do Palácio La Moneda. Moderníssimo, interativo, estava cheio de crianças em férias. Que bom um país que valoriza a cultura de diferentes maneiras e educa sua juventude com boas práticas. A educação chilena é a melhor da América Latina e é uma sociedade leitora. Na Calle Huérfanos mesmo, vi um shopping só de livrarias, fato impensável em nosso país, pátria deseducadora. Não sei se a internet está mudando os hábitos de leitura da juventude por lá tão fortemente como aqui. Pode ser que sim, pois o fenômeno é mundial. Lá como aqui todos estão grudados nas redes sociais o tempo todo e os livros de papel estão condenados a uma confraria de bibliófilos, como a dos amantes dos discos de vinil.

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