Colônia do Sacramento

A primeira vez que fui ao Uruguai foi por terra. Fui a um congresso em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e de lá estiquei até a fronteira, atravessei-a a pé até Rivera e comprei uma passagem até Montevidéu. Fiquei lá uma noite e depois voltei de ônibus para Porto Alegre.  Depois, fiz um cruzeiro até Buenos Aires, que parou um dia em Montevidéu. Tentei ir a Colônia, mas o tempo era pouco. Agora deu. Fizemos um cruzeiro do Rio de Janeiro até Santiago, que previa parada de dois dias em Buenos Aires. Como essa já é cidade bem conhecida, resolvemos ir a Colônia, no Uruguai, que dista apenas uma hora de barco rápido desde Buenos Aires, num bate e volta. A passagem pode ser comprada pela internet, no site da buquebus e a estação está entre o terminal de cruzeiros e o Porto Madero, tudo muito fácil.

Sempre quis ir a Colônia do Sacramento, cujo centro histórico é reconhecido pela Unesco como patrimônio da humanidade. Colônia foi fundada por Manuel Lobo, Governador da Capitania Real do Rio de Janeiro, em 1680,do outro lado do Rio da Prata, bem próximo de onde os espanhóis tinham fundado Buenos Aires, por interesse político, econômico e comercial. Isso gerou uma disputa e muitas guerras entre portugueses e espanhois por cento e cinquenta  anos, pois aquele território, conforme o Tratado de Tordesilhas, pertencia à Espanha.Em 1750, pelo Tratado de Madri, Portugal deveria entregar Colônia e receber os Sete Povos das Missões. Mais guerra e dessa vez os maiores perdedores foram os índios guaranis. Em 1777, o Tratado de Santo Ildefonso confirma essa troca, mas a disputa continua até 1822, quando o Brasil se torna independente e anexa aquela região, a Província Cisplatina. Aí vem a guerra da Independência do Uruguai, o Brasil perde e Colônia se torna definitivamente uruguaia, em 1828.

Toda essa história pode ser vista em um vídeo mostrado logo na saída do terminal dos barcos, num Centro de Memória muito bem montado, antes de começar a percorrer o centro histórico, pois não há muito o que ver. O centro é pequeno, há a entrada da antiga fortaleza, algumas ruínas, o farol, uma igreja, ruas calçadas com pedra sabão, como em Parati, mas não esperem uma Parati ou Ouro Preto, cidades históricas muito maiores e mais bem conservadas. Colônia, na verdade, era pequena e cresceu dentro de muralhas. Foram muitas guerras, muitas disputas e pouca coisa sobrou. No entanto, o lugar tem uma importância histórica muito grande e é muito visitada por turistas do mundo todo. É um lugar agradável para passear, há bons restaurantes onde se pode apreciar uma parrilada uruguaia, tomar a cerveja local, recomendo a “Patrícia”, apreciar o pôr do sol no Rio da Prata e voltar para Buenos Aires. Hoje, a cidade é muito visitada pelos jovens alternativos, afinal o Uruguai liberou a maconha e eles fazem seus artesanatos, vendem alguns e passam a vida no dolce far niente bafejado pelos fumos sagrados dos rastafáris. Também é lugar para degustar bons vinhos uruguaios, feitos pela uva Tannat e que, dizem, trazem bons efeitos ao coração. Enfim, é uma boa opção para quem gosta de conhecer lugares diferentes e aprecia a história. Não recomento para os que apreciam modernidades e shopping, pois não vão achar nada disso lá. Felizmente.

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