Istambul, cidade dividida

Istambul, a antiga Constantinopla e Bizâncio, é uma das cidades mais interessantes do mundo, pois situa-se entre  dois mundos, oriente e ocidente, dois continentes,Europa e Ásia, duas religiões, cristianismo e islamismo e várias outras dualidades que se queira achar. Para mim, é uma das cidades mais lindas do mundo e a travessia do estreito do Bósforo, que já fiz algumas vezes, um dos maiores espetáculos da terra. Alguns acham voar a Capadócia sobre balões. Como sou amante do mar, sempre vou admirar as paisagens, quando do mar se podem ver as maravilhas humanas integradas com as belezas naturais.

Já fui algumas vezes a Istambul, desde 1994, quando lá estive pela primeira vez. E a cidade mudou muito, de lá para cá. Ficou mais ocidental, mais europeia, mais ‘civilizada’, para os nossos padrões. Hoje, ninguém mais usa as roupas turcas tradicionais, exceto nos shows folclóricos, a juventude fala inglês, como no mundo todo, a comida está mais parecida com a que se come nas grandes cidades turísticas, há metrôs, ônibus turísticos que percorrem os principais pontos de interesse e a cidade perdeu um pouco do encanto que tinha no passado, por seu exotismo. Senti o mesmo no Marrocos, quando retornei ao país, décadas depois.

Em 2015, voltei a Istambul e a cidade estava irreconhecível. Com a guerra da Síria, milhares de imigrantes ocuparam a cidade, vivendo nas suas praças, banhando-se em suas fontes, pedindo esmola nas ruas e sinais. São mulheres famintas com os filhos a tiracolo implorando ajuda para se alimentar. A cidade ficou perigosa para o turista, pois, como está sempre repleta de gente, há sempre um risco de um batedor de carteira surrupiar uma bolsa de alguém desprevenido deslumbrado com as mesquitas e os antigos palácios dos sultões

. Caminhei, como sempre gosto de fazer quando vou lá, da praça Taksim, o ponto nevrálgico da cidade, onde milhares de pessoas circulam diariamente, percorrendo toda a rua comercial antigamente percorrida pelo bonde e que vai dar à torre de Gálata. O comércio ali é impressionante. A Turquia é um dos maiores produtores de confecções do mundo, pois tem matéria-prima abundante e mão de obra barata; por isso, tudo ali pode ser comprado a um preço bem acessível. Deve-se fugir das lojas do grande Bazar, pois são as mais caras. Atravessa-se a ponte de Gálata com seus inúmeros pescadores e pode-se até comer um peixinho frito pescado ali mesmo, mas a cerveja é cara. Alcoolismo nunca é bem-vindo em países muçulmanos, mesmo para turistas. Logo após a ponte, chega-se ao mercado egípcio, o milenar mercado das especiarias, que foram o centro da ambição dos ocidentais e criaram o império português, que moveu mundos e fundos em sua busca.

Para mim, Istambul perdeu um pouco de sua magia, pois, diante da grandiosidade da Mesquita Azul, da Santa Sofia, do palácio Topkapi, não sabemos se fotografamos, posamos, admiramos ou nos preocupemos com as mãos estendidas pedindo uma esmola por amor de Alah. E o pior: Istambul virou pontaria para os radicais do Exército Islâmico, pela ajuda que a Turquia tem dado aos que os combatem na Síria e no Iraque e também pelos radicais curdos, que lutam por um país independente. Estive lá há um ano, em agosto de 2015, e comentei com minha esposa ter um pressentimento de que Istambul seria atacada em breve. De lá para cá, foram cinco ataques, o último há pouco no aeroporto, com centenas de mortos e feridos. Uma lástima! A bela Istambul não merecia isso.

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