Namíbia, país de desertos

Desde o alto, ao se aproximar de Windhoek, a capital, já se pode constatar o quanto a Namíbia é um país desértico. O aeroporto internacional situa-se no meio do nada, sem uma aglomeração urbana por perto. Diferente do que estamos acostumados a ver em outros lugares, não há construções, prédios, monumentos, nada. Só a savana, com sua vegetação típica de pré- deserto, com árvores esparsas, vento, e nada mais. Há poucos voos, o aeroporto não funciona à noite, todos os funcionários vão embora e um portão fecha a entrada pela segurança. Nunca tinha visto nada assim, nem mesmo no Suriname, que também tem um aeroporto no meio do nada.

Faz muito calor durante o dia, e chove à tarde ou à noite, nesta época do ano, verão, como no Brasil. Windhoek (pronuncia-se “Vinduk”) situa-se na mesma altura geográfica do Rio de Janeiro, é uma cidade pequena, moderna, tranquila, plana, fácil de caminhar e com poucas atrações turísticas. Gostei de ter visitado o Museu Nacional, onde se pode conhecer um pouco mais do país e de sua diversidade. Sua independência é recente, desde 1992, quando se separou da África do Sul. Antes era a WSA (“West South Africa”), mas a identidade com o país irmão é tão grande que se pode usar a moeda sul-africana, o Rand, sem necessidade de convertê-la ao dólar namibiano.

É a Namíbia um país com grande diversidade étnica e cultural. Os nacionais convivem com várias etnias e falam, normalmente, diferentes línguas, tendo o inglês como língua oficial. Também se fala o alemão e o africâner, uma língua derivada do colonizador holandês, alemão e francês, marca ainda muito forte e que se pode observar nos nomes das ruas, na comida e na boa cerveja fabricada no país. A Windhoek é a mais comum. São, ainda, os africâneres os principais donos das fazendas, dos hotéis, das empresas de turismo e ainda não é tão forte a presença de uma classe emergente e política dos negros, como se observa na África do Sul. Faltou aqui um Mandela, talvez. Também são de alemães os principais grupos de turistas que visitam o país, para conhecer as belezas naturais da Namíbia, seus desertos, a vida selvagem preservada nos parques naturais, sendo o Etosha o maior deles. Também encontrei muitos angolanos que vão à Namíbia para fazer compras, por isso o português é uma das línguas ouvidas pelas ruas e em algumas lojas e farmácia vi escrito: “Aqui se fala português”. Também há camelôs angolanos, vendendo artesanatos e produtos chineses pelas ruas. O povo é muito gentil, não há violência, roubos, assaltos, drogados e se pode caminhar pelas ruas a qualquer hora do dia e da noite, sem medo.

Daqui a alguns anos, a Namíbia será uma boa extensão para os turistas brasileiros que visitarem a África do Sul. E, quem sabe, de lá, ir até Angola, país irmão que, por enquanto, não tem nenhuma infraestrutura turística, além de ter em Luanda uma das cidades mais caras e perigosas do mundo. Por enquanto, a Namíbia não oferece muitos atrativos e sua estrutura para um turismo de classe média é precária. Somente é procurada por milionários, que fazem safáris lá e em Botswana, país vizinho, e não são safáris fotográficos, daqueles em que os animais são apenas fotografados. Muitos vão lá para matar os grandes cinco animais selvagens: elefante, leão, búfalo, rinoceronte, leopardo, pagando alto preço para ter um troféu na parede. Para mim, só valeu a pena ir à Namíbia, para acrescentar mais um país na minha já extensa lista de países “exóticos” visitados. Mas, convenhamos, “exóticos” somos todos nós, não?

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