Armênia, país milenar

A Armênia é um país muito antigo, cuja história se perde nas brumas do tempo. Eles se dizem descendentes de Jafé, filho de Noé, que, de acordo com a tradição e a história bíblica, ancorou sua arca, após o Dilúvio, sobre o Monte Ararat. Antigamente, esse monte estava no centro da Armênia, pois o país se formou em torno dele. Hoje, pertence à Turquia, o maior inimigo da Armênia e hoje detentora da maior parte de seu antigo território. Os armênios celebraram, no ano passado, o centenário do grande genocídio de seu povo, ocorrido durante a primeira guerra mundial, em 1915. Os turcos não concordam com essa palavra. Dizem que foi uma guerra normal com perdas de ambos os lados. A verdade é que mais de um milhão de armênios foram exterminados, dentre homens, mulheres e crianças. Os turcos só perderam alguns soldados em combate. Uma visita ao museu do genocídio, em Yerevan, é importante para conhecer essa história terrível e que pode ter servido de inspiração aos nazistas para exterminar os judeus, na segunda grande guerra. Armênios e judeus são muito parecidos em suas convicções religiosas e têm uma história comum de luta e de união de seu povo em torno de crenças religiosas. Foram os armênios o primeiro povo a se converter ao cristianismo e, em Echiamiadzin, a sede episcopal do país, encontra-se a primeira igreja cristã do mundo, patrimônio tombado pela Unesco.

Saímos da Geórgia pela fronteira de Sadakhlo e lá trocamos de guia e de ônibus. A simpática guia georgiana deu lugar à jovem e refinada guia armênia. Como é bom ter guia nativo para se conhecer um novo país! Vamos aprendendo a história do país e de seu povo, coisas que nunca aprendemos na escola ou nunca saberíamos, se não tivéssemos um guia para orientar. Guias e motoristas são encarnações de brâmanes, nos dizem os sábios indianos, e é verdade. Entramos na Armênia pelo vale do rio Debed e perto da fronteira já fomo visitar os mosteiros de Sanshin e Haghpat, patrimônios da Unesco. Ali almoçamos a deliciosa comida armênia, que lembra a de todo oriente médio, à base de berinjelas, azeite, grão de bico, azeitonas, carne de frango ou de carneiro. Continuamos a viagem até Yerevan pelas montanhas da Armênia, carneiros pastando e picos nevados. Uma paisagem inesquecível! Passamos por comunidades rurais antiquíssimas até chegarmos a Yerevan, a moderna capital do país. Antes de chegarmos lá, fizemos uma parada no monumento ao alfabeto armênio. Eles têm muito orgulho de sua língua, única no mundo, e de sua literatura. A primeira visita que fizemos, na capital, foi ao museu dos manuscritos antigos Matenadaram, onde se conservam mais de 17 mil manuscritos, a maior coleção do mundo, um tesouro da Armênia e da história da humanidade.

À tarde, fomos até Khor Virap, de onde se avista, no lado turco da fronteira, o monte Ararat, que, na verdade, são dois, um maior e outro menor. Lindo panorama! Depois, fomos a Artasaat, antiga capital da Armênia, onde visitamos o poço onde esteve prisioneiro S. Jorge, o iluminador, um dos santos cristãos do país. Depois, visitamos Vagharsapat, Ecchmiadzin e o museu dos tesouros religiosos armênios, Apesar de anos de domínio soviético e do massacre dos muçulmanos armênios, é muito forte o cristianismo armênio, que é único, pois a igreja armênia na está ligada à romana, nem à grega ou à russa. O país tem inúmeros mosteiros da era medieval, a maioria tombada pela Unesco, e visitamos alguns comol o Geghard, uma joia, onde assistimos a um concerto de música armênia medieval. O povo armênio é muito musical, e dentre seus descendentes espalhados pelo mundo há músicos famosos, tanto clássicos quanto populares como a Cher. Como estávamos no verão, a grande atração de Yerevan era sair de casa para ouvir as músicas tocadas na fonte musical e suas luzes coloridas na praça em frente ao museu Histórico Nacional. Lá, tivemos outra aula sobre a história e a cultura desse país milenar. Nosso último dia na Armênia foi uma visita ao lago Sevan, a 2.000 metros de altitude, onde visitamos o cemitério Noratus com seus 900 jachkárs, cruzes de pedra e o mosteiro de Sevanavank. Nossa última noite na Armênia foi na cidade termal de Dilijan, no Parque Nacional do mesmo nome. Jantamos num hotel das montanhas e à noite tivemos a surpresa de um concerto de piano de um célebre músico local, que estava no hotel. Saímos bem cedo em direção à fronteira da Geórgia, levando de lanche o que eles costumam comer no café da manhã: pepino, tomate, ovo cozido, café gelado e iogurte. Tirando o café gelado, o resto foi devorado durante a viagem até Tblisi, a capital da Geórgia, onde embarcaríamos para Baku, no Azerbaijão. Como Armênia e Azerbaijão são inimigos, desde a guerra pela disputa de Nagorno-Karabah, eles não têm relações diplomáticas. Por isso, tivemos de voltar à Geórgia, para embarcarmos para o Azerbaijão. Foram cinco dias intensos na Armênia, um mergulho na cultura daquele país tão antigo e saímos conhecendo bastante de um povo que resiste à destruição há tantos anos e contra tantos inimigos. Como os judeus, mas sem o apoio dos Estados Unidos.

 

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