Comida em viagens

Para quem viaja muito, como eu, e para lugares distantes e com hábitos e costumes bem diversos dos nossos, há de se ter cuidado com a alimentação. Comida de avião é um perigo; aquela maionese da salada ou o suco do copinho podem estragar uma viagem. Bebida, também, é outro veneno, em voos longos. Lugar de beber todas é em casa, nunca fora. Se for beber, não viaje, nem se tiver alguém pilotando. Quando era jovem, e a Varig ainda existia, “ai que saudades que tenho da aurora da minha vida”, qualquer viagem para Buenos Aires era uma festa de comes e bebes, em fartura e qualidade. Hoje, você voa de lá pra cá, num ônibus da Gol ou da Tam, e  aterrissa na rodoviária de Vitória, isso mesmo, pois não temos aeroporto, sem direito a um sanduba, só pago. Vá lá, servem um copo d’água, de má vontade.

Quando se chega ao destino, resolvido o problema da acomodação, vem o da comida. Comer o quê, na Malásia ou no Vietnã, por exemplo, onde estive, recentemente. Comida de rua, comum por lá e por cá, é sempre um perigo, embora seja barata. Comer em hotel é comer a mesma coisa, em toda parte do mundo. Comida típica é sempre um risco. Imagine oferecer uma feijoada com caipirinha para os gringos, em pleno mês de fevereiro, no Carnaval. Morte na certa ou, pelo menos, internação no banheiro do quarto. Já fiquei internado em banheiro de quarto de hotel em Katmandu, nos três dias que por lá passei. O Nepal, divulgado na novela  Joia rara, da Globo,  é bem diferente do que pude ver por lá. Pelo menos, na novela, não existem a poluição da cidade, a falta de higiene e a miséria nas ruas que tanto me impressionaram, quando conseguia sair do banheiro e sair um pouco pelas ruas, como o príncipe Sidarta, antes de se tornar Buda.

Sempre aviso aos viajantes com menos milhas voadas que eu: não é porque o bufê do restaurante é farto que se deve experimentar tudo. Evite comer o que não conhece e fuja dos óleos, azeites, cremes e das especiarias que tanta cobiça despertavam nos nossos antepassados europeus. Enfiar o pé na jaca no café da manhã, para economizar o almoço, é correr o risco de passar o dia em busca de toaletes em museus, estações, lojas e nas ruas, nem sempre fáceis de encontrar ou possíveis de usar. Já tive grupo inteiro com diarreia, em visita às pirâmides do Egito, local onde não há banheiro. Já contei, em crônica sempre lembrada por amigos, o aperto que passei nas muralhas da China. Em Macchu Picchu, também não há banheiro disponível para os milhares de turistas que ali vão, diariamente. Limpos, então, é luxo que só se encontra na Suíça.

Beber e comer pouco, comida saudável, em locais limpos, deveriam ser os hábitos comuns a todo viajante, mas como resistir a um chouriço oferecido por uma simpática vietnamita no mercado de Hue? A razão dizia não, mas o olhar dela oferecendo era tão parecido com o de minha avó, que o fazia tão bem, que não resisti, para horror dos espanhois que me acompanhavam. Felizmente, não aconteceu nada de grave, mas poderia ter acontecido. Da mesma maneira que provei uma jaca fedorenta da Malásia chamada Durian, muito apreciada por lá, mas proibida de ser consumida em hotéis, aeroportos ou transportadas em aviões, pelo mau-cheiro que exala. O sabor é de jaca… podre. O gosto na boca fica pelo resto do dia. Enfim, comida boa, pra nós, é o arroz com feijão de cada dia. O resto é experiência gastronômica ou culinária de cada povo e cultura. Gostar de caviar e escargô pode ser chique pra uns; pros malaios é comer Durian; pros vietnamitas, embrião de pato. E assim caminha e come a humanidade….

 

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