Vietnã, um novo alvorecer

Acabo de chegar do Vietnã e, quando dizia que estava indo pra lá, as pessoas me perguntavam: – Fazer o quê, lá? O país não foi destruído pela guerra dos anos sessenta e setenta? Pois é, foi mesmo, mas está todo reconstruído e hoje é um dos destinos turísticos “exóticos” mais procurados do mundo, recebendo mais visitantes do que o Brasil e possui uma das economias que mais crescem entre os países emergentes da Ásia.

Saímos do calmo, bucólico e místico Laos, para a tumultuada capital do Vietnã, Hanói. Ao chegarmos, tivemos um choque cultural, pois nunca tínhamos visto um trânsito tão caótico, com milhares de motos juntas, circulando por todos os lados, sem se colidirem. Atravessar uma rua, em Hanói, como pedestre, é uma experiência única: não existem sinais para pedestres, ou, se existirem, ninguém respeita. Ao contrário do trânsito nas cidades civilizadas, no Vietnã, não se olha para as motos ou carros, tem-se de seguir em frente, sem pressa e eles vão desviando de você. Não espere que alguém pare pra você atravessar e não corra, vá devagar. Conseguimos sobreviver, mas não quero repetir essa experiência. Uma loucura!

Ainda que seja, oficialmente, comunista, a República Socialista do Vietnã, unificada após vencerem os norte-americanos e seus aliados, em 1975,guerra essa que durou 21 anos (1954-1971) e foi uma das mais cruentas da história da humanidade,  é, hoje, um país de economia aberta, em franco desenvolvimento, onde todos podem ter seus negócios, propriedades privadas, disputando, avidamente, cada freguês e cada dólar. É o segundo maior produtor de arroz do mundo, atrás da Tailândia, e o segundo de café, atrás do Brasil. O país recebe milhares de turistas para visitar a maravilhosa baía de Halong, um dos patrimônios naturais da humanidade, a cidadela de Hue, sua antiga cidade imperial, seus inúmeros templos, pagodes, ruínas de antigas civilizações e a bela cidade de Ho-Chi-min, a antiga Saigon, uma das mais belas da Ásia. Também muito visitados pelos turistas do mundo todo, inclusive os norte-americanos, são os túneis de Cu Chi, escavados pelos vietcongs e de onde exerceram a resistência à invasão ianque por vários anos.

Desde 1994, o Vietnã restabeleceu relação diplomática com os EUA e, hoje, mantém parceria com eles em vários projetos; é uma forma de contrabalançar a grande influência da China, seu vizinho ao norte, temido por eles, pois foram dominados por chineses por mil anos. A sobrevivência do Vietnã é, por si só, um fenômeno impressionante, pois foram dominados pela China por um milênio, pelos franceses, por cem anos, por norte-americanos, vinte e um; estiveram sob a influência da URSS por mais uns vinte; lutaram contra os cambojanos de Pol Pot, de 1975 a 1979 e contra os chineses, mesmo destruídos após a guerra contra os norte-americanos. Ganharam todas as guerras, mas passaram muita fome nos anos oitenta. O povo vietnamita é pequeno, aparentemente frágil, mas valente, guerreiro e imbatível. Oficialmente é um povo ateu, mas cultivam crenças animistas, hinduístas e budistas, com os templos cheios de oferendas. Comem de tudo, insetos, ovo de pata com embrião e até cachorros. O povo ainda sofre consequências das armas químicas jogadas pelos ianques e há muitos mutilados de bombas e deformados por anomalias genéticas. No entanto, não vi um mendigo, pedinte, velho ou criança. É um país barato para comer, beber e fazer compras. Tranquilo e seguro, sem violência. Possui excelentes hotéis e praias. Um novo destino turístico para os que gostam de viajar e de conhecer antigas culturas.

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