Estive em Cagliari, ano passado, e agora volto à Sardenha, passando por Olbia com um passeio pelo norte da ilha até Santa Teresa de Galura, no estreito de Bonifácio. A Sardenha é uma ilha italiana, com poucas características do que convencionamos ser Itália, pois lá são fortes as influências espanholas e francesas. Cenário d muitas guerras no passado, por ser uma ilha estratégica no Mediterrâneo, a Sardenha mantém bem preservada uma cultura rural, com pouca industrialização. Até os anos 1950, era pouco frequentada pelos surtos de malária comuns na ilha, o que foi resolvido com a plantação de eucaliptos australianos e dedetização. Hoje, a Sardenha é um destino turístico de milionários pelos investimentos feitos pela aristocracia catari, que transformou a “Costa Esmeralda” em uma concorrente da “Costa Azul” francesa.
Enquanto Cagliari, a capital, no sul da ilha, engloba quase a metade da população da ilha, o norte é pouco habitado. O porto de Olbia, por onde saem os ferryes que fazem a travessia para outros lugares da Itália e para a Córsega, a ilha vizinha ao norte, trouxe pouco desenvolvimento à cidade de Olbia, pequena e inexpressiva. Os turistas que ali chegam se destinam aos resorts espalhados pelas diversas praias da Costa Esmeralda, que mal podem ser vistos das estradas precárias da ilha. Fomos até Santa Teresa de Gallura, uma simpática cidadezinha, que ferve no verão e adormece no resto do ano. Vai-se até a antiga torre situada às margens do canal de Bonifácio, de onde se avista a ilha de Córsega e, com sorte, a cidade de Bonifácio. Em poucos minutos se percorre toda a cidade, sem muito o que fazer.
O mais interessante é a vila de San Pantaleo, um lugar que já foi centro de peregrinação no passado e, atualmente, é um reduto de artistas, com seus ateliês exclusivos, restaurantes sofisticados e um clima de lugar alternativo para se apreciar uma comida e bebida enquanto se contempla o cenário bucólico, com as montanhas e vegetação típica da ilha. A Sardenha produz um vinho branco muito bom, o Vermicino, e um tinto de qualidade, o Canonau, são as produções de origem controlada, típicas de cada região italiana.
Parece que, na Sardenha, ainda se vive um clima mais tranquilo que no continente italiano e isso se reflete na tranquilidade das pessoas, na morosidade dos serviços, na vida calma que se leva por ali. A língua, o Sardo, difere do italiano, mas todos se comunicam em diversas línguas. Deve ser muito bom ficar ali em bons hotéis, saboreando os pratos da culinária local e apreciando os bons vinhos regionais, mas esse é um privilégio para os ricos e endinheirados, o que, definitivamente, afasta os cruzeiristas de um dia.



