Enfim, pudemos visitar essa famosa ilha italiana, a segunda em tamanho, após a Sicília. Sabia que era quente, mas, no verão, é quentíssima. A temperatura estava em torno de 35° C e, mesmo para nós, acostumados ao calor brasileiro, a sensação de abafamento é terrível. Por isso, a Sardenha é muito apreciada por suas belas praias. Para nós, que só tínhamos um dia em Cagliari, a capital, o negócio era bater perna para visitar o máximo que fosse possível numa breve parada de navio. Infelizmente, não conseguimos ir muito longe, pois além de muito quente, a parte antiga da cidade, o bairro chamado Castelo, é um morro só. Como a cidade é à beira-mar, para se defender dos ataques de inimigos no passado, foi construída morro acima. Haja pernas para subir ladeiras!
Saímos do porto, atravessamos o trânsito caótico da beira-mar, creio que o italiano seja o povo mais maluco para dirigir, e fomos em direção à Catedral de Santa Maria Assunta, construída no enclave medieval do bairro Castelo. Não tem a imponência das catedrais góticas alemãs, espanholas ou francesas, mas é uma joia com sua arquitetura eclética, com aspectos medievais, renascentistas e barrocas, cuja construção é do século XIII, há quase mil anos. Para chegar lá, subimos o Bastião de Saint Remy, mais de cem escadas que matam os veios, para chegarmos à esplanada, de onde se vislumbra uma bela vista da cidade e do porto de Cagliari. Mais acima está a Torre do Elefante, a Catedral, o Palácio Real e o Museu Arqueológico. Daí pra frente, não conseguimos ir mais. Para os que têm mais tempo e melhores pernas, valeria a pena ir ao Mercado de São Benedito e à Basílica de Bonaria, local de peregrinação, desde o século XIV, por seu patrono ter protegido um navio espanhol de uma tempestade.
Para os que ficam mais tempo na Sardenha, recomenda-se uma visita ao sítio arqueológico de Nora, a mais velha cidade da ilha. Também é imperdível uma visita à igreja barroca de Santo Eufésio, o mártir da ilha, a quem a população recorreu durante a devastação provocada pela peste, em 1650. Caglliari foi fundada no século VII a. C, como colônia fenícia e de lá para cá, sofreu muitas conquistas de diferentes povos, traços que refletem em seu povo, hoje hospitaleiro e acolhedor aos novos conquistadores, a horda de turistas de cruzeiros. Para nós, após essa árdua caminhada, só deu tempo para uma cervejinha gelada e umas comprinhas dos bons produtos locais, como vinho e azeite.
